Tesouro Direto resiste a Warsh no Fed e estabiliza na contramão dos Treasuries

Taxas resistem à pressão do exterior, com rendimentos dos Treasuries em alta após Trump escolher Kevin Warsh para o Fed

Paulo Barros

Sede do Federal Reserve em Washington
20/10/2021. REUTERS/Joshua Roberts
Sede do Federal Reserve em Washington 20/10/2021. REUTERS/Joshua Roberts

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As taxas dos títulos do Tesouro Direto operam perto da estabilidade na manhã desta sexta-feira (30), na contramão dos Treasuries nos EUA. O movimento ocorre após uma virada mais negativa na quinta, com uma mudança de humor em Wall Street, e após Donald Trump indicar Kevin Warsh como novo presidente do Federal Reserve.

O ajuste ocorre em um dia marcado por cautela nos mercados globais, com a notícia do sucessor de Powell reacendendo incertezas sobre a condução da política monetária americana, contribuindo momentaneamente para a redução do apetite por risco.

Nos títulos prefixados, o movimento desta sexta reflete esse ambiente mais defensivo. O Tesouro Prefixado 2028 operava a 12,68% ao ano, levemente acima do patamar observado no início da reação pós-Copom, enquanto o Tesouro Prefixado 2032 marcava 13,33%. O Prefixado com Juros Semestrais 2035 também registrava ajuste, para 13,43%.

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Entre os papéis indexados à inflação, as taxas mostravam variações discretas após a correção da véspera. O Tesouro IPCA+ 2029 seguia com juro real de 7,63%, enquanto o IPCA+ com Juros Semestrais 2035 avançava para 7,48%. Nos vencimentos mais longos, o IPCA+ 2040 era negociado a 7,26%, e o IPCA+ 2050 permanecia em IPCA + 6,87%.

O mercado continua precificando a decisão do Banco Central, que sinalizou de forma mais clara que pode iniciar o ciclo de cortes já na reunião de março, enquanto tenta entender quais impactos o nome escolhido por Trump para o Fed pode trazer para os ativos brasileiros.

“Minha expectativa é que ele adote uma postura próxima à do presidente americano, Donald Trump, defendendo cortes de juros mais rápidos e uma taxa final menor para este ano”, avalia Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos.

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Além do noticiário internacional, os investidores também analisam os dados consolidados do setor público. A dívida bruta do governo geral encerrou dezembro em 78,7% do PIB, abaixo do esperado pelo mercado, enquanto o resultado primário do setor público registrou déficit de R$ 55,021 bilhões em 2025, em linha com as estimativas.

Apesar da estabilização nesta sexta, as taxas dos títulos de inflação seguem em nível historicamente alto que, segundo especialistas, ainda abre espaço para investimento.

Um estudo realizado pela XP aponta que os papeis com vencimentos em 2029 e 20240 estão oferecendo atualmente retornos adicionais com um um desvio-padrão. “Em termos simples, isso significa que esses títulos estão oferecendo juros reais acima do padrão recente, o que sugere a existência de um prêmio adicional ao investidor”, afirma o time de renda fixa, liderado por Camilla Dolle.

Veja as taxas do Tesouro Direto às 9h55 desta sexta-feira (30):

TítuloRendimento AnualVencimento
Tesouro Selic 2028SELIC + 0,0453%01/03/2028
Tesouro Selic 2031SELIC + 0,0989%01/03/2031
Tesouro Prefixado 202812,68%01/01/2028
Tesouro Prefixado 203213,33%01/01/2032
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 203513,43%01/01/2035
Tesouro IPCA+ 2029IPCA + 7,63%15/05/2029
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2035IPCA + 7,48%15/05/2035
Tesouro IPCA+ 2040IPCA + 7,26%15/08/2040
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045IPCA + 7,19%15/05/2045
Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 6,87%15/08/2050
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060IPCA + 7,08%15/08/2060

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)