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As taxas do Tesouro Direto operam com comportamento misto nesta sexta-feira (10), após a divulgação do IPCA de março, que subiu 0,88%, acima das estimativas do mercado. O resultado impulsionou as taxas dos prefixados curtos, enquanto os papéis atrelados ao IPCA de prazo mais longo recuaram.
O Tesouro Prefixado 2029 avançou para 13,40%, ante 13,33% na véspera. O Prefixado 2032 operou praticamente estável, a 13,66%, e o Prefixado com Juros Semestrais 2037 recuou ligeiramente para 13,76%, de 13,79%.
Nos títulos de inflação, o movimento foi de compressão nas taxas mais longas. O Tesouro IPCA+ 2050 caiu para 6,85% de juro real, de 6,87%; o IPCA+ 2060 com juros semestrais recuou para 7,00%, de 7,02%; e o IPCA+ 2040 foi negociado a 7,11%, de 7,13%. No trecho intermediário, o IPCA+ 2032 subiu para 7,58%.
A inflação de março foi pressionada pelos combustíveis, reflexo da escalada de tensões no Oriente Médio. “A surpresa altista foi relevante e reforçou uma leitura de piora tanto no quantitativo quanto no qualitativo da inflação”, pontua Gabriel Pestana, economista sênior da Genial Investimentos. “Em nossa decomposição, a surpresa apareceu de forma disseminada entre os grupos.”
Já André Valério, economista sênior do Inter, avalia que, apesar do resultado acima do esperado, o índice trouxe sinais positivos. “Apesar da forte alta, o qualitativo do índice melhorou, na margem, em todas as medidas relevantes. A leitura de março foi amplamente impactada pelos impactos globais do conflito no Irã, como se nota no comportamento dos combustíveis. Entretanto, a melhora no qualitativo reafirma a tendência de moderação da inflação subjacente”, disse.
Antes da divulgação do índice, o JPMorgan já sinalizava que o ciclo de afrouxamento monetário deve ser preservado, com possível aceleração. O banco projeta cortes de 50 pontos-base na reunião do Copom de 29 de abril, com a Selic encerrando 2026 em 11,75%, patamar bem abaixo do precificado pelo mercado. “O real neste nível é um argumento forte para uma aceleração nos cortes de juros”, afirmou, ressalvando que a alta dos combustíveis e o avanço das expectativas de inflação nas últimas semanas colocam “interrogações importantes” sobre os próximos passos do Banco Central.
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Em paralelo, a inflação ao consumidor dos EUA subiu 0,9% em março, em linha com o esperado, o que pode ajudar a manter o ânimo dos investidores, com o mercado mantendo apostas de que o Federal Reserve deve cortar juros este ano. O reflexo do dado sobre a curva de juros local, no entanto, só deve aparecer na próxima atualização do Tesouro Direto.
O dólar opera em baixa nesta sexta e caminha para encerrar a semana em queda, movimento que contribui para conter parte dos prêmios na ponta longa da curva e sustenta a leitura de que a abertura de taxas tende a ficar circunscrita ao trecho curto.
Veja as taxas do Tesouro Direto às 9h34 desta sexta-feira (10):
| Título | Rendimento Anual | Vencimento |
|---|---|---|
| Tesouro Selic 2031 | SELIC + 0,086% | 01/03/2031 |
| Tesouro Prefixado 2029 | 13,40% | 01/01/2029 |
| Tesouro Prefixado 2032 | 13,66% | 01/01/2032 |
| Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 | 13,76% | 01/01/2037 |
| Tesouro IPCA+ 2032 | IPCA + 7,58% | 15/08/2032 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037 | IPCA + 7,34% | 15/05/2037 |
| Tesouro IPCA+ 2040 | IPCA + 7,11% | 15/08/2040 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045 | IPCA + 7,10% | 15/05/2045 |
| Tesouro IPCA+ 2050 | IPCA + 6,85% | 15/08/2050 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060 | IPCA + 7,00% | 15/08/2060 |
