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Pergunta:
Tenho R$ 600 mil em um VGBL que investe em Renda Fixa, com taxa de administração de 1%, pela baixa rentabilidade, estou pensando em sacar tudo e investir em CDB ou Tesouro, ou Fundo DI. É uma boa ideia? Se sim, qual é a melhor aplicação?
Leitor: Luiz Carlos
Oportunidade com segurança!
Resposta de José Henrique Souza Lacerda, CFP, planejador financeiro certificado pelo IBCPF:
Prezado Luiz Carlos,
Antes de decidir resgatar seu VGBL é fundamental avaliar a tributação, pois sobre a parte correspondente aos rendimentos incide Imposto de Renda (IR) de acordo com a Tabela Progressiva ou Regressiva, conforme o Regime Tributário (RT) escolhido. Em ambos os casos, os possíveis ganhos adicionais com a mudança para CDB, Tesouro Direto ou Fundos DI podem sequer não compensar, no curto prazo, o IR pago no resgate.
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Supondo que no resgate o valor aplicado foi R$ 500 mil e que a parte correspondente aos rendimentos é de 100 mil, no RT Progressivo o Imposto de Renda na fonte compensável na declaração de ajuste anual será de R$ 15 mil, enquanto que no RT Regressivo o IR definitivo dependerá do prazo de acumulação, variando de R$ 10 mil a R$ 35 mil. Ou seja, nesses casos, tão somente pelo fato de resgatar o VGBL, o valor de seu resgate poderá ser onerado em até 5,83% de IR, salientando que se a parte correspondente aos rendimentos for superior a R$ 100 mil, esse percentual poderá se ainda maior.
Provavelmente sua escolha pelo VGBL foi acumular recursos no longo prazo para usufruir a fase de benefícios da aposentadoria. Sendo assim, antes de decidir resgatar e incorrer no IR, procure sua Entidade Aberta de Previdência Complementar, demonstre sua insatisfação com os rendimentos obtidos e obtenha orientação sobre outros Fundos de Investimento Especialmente Constituído (FIE) disponíveis. Existe ainda a Portabilidade, que permite transferir seus recursos para VGBL de outra Entidade de Previdência, também sem a necessidade de resgate. Antes de investir leia o prospecto e o regulamento de cada fundo escolhido, estando ciente de que a rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura.
Se ainda assim optar por resgatar, existem diversas aplicações que podem diluir ao longo do tempo o impacto do IR no resgate, por possuírem vantagens tributárias em relação ao VGBL, tais como Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e as LH (Letras Hipotecárias). Mas se a decisão for de continuar juntando recursos para aposentadoria, aplicar em NTN-B via Tesouro Direto é uma boa opção, mesmo não sendo isenta do IR. Nela seu dinheiro estará protegido da inflação oficial (IPCA), com rendimentos adicionais próximos a 7% ao ano, por prazos que podem superar os 35 anos.
José Henrique Souza Lacerda é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF).
As respostas refletem as opiniões do autor. O IBCPF e o Infomoney não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para onde_investir@infomoney.com.br
Prezado Hildebrand,
Pouco a pouco é possível ver mudanças significativas no perfil de investimento dos brasileiros. Percebemos, por exemplo, o crescimento do numero de jovens que estão disponibilizando parte de sua renda para se planejar financeiramente para a sua aposentadoria. É um movimento que tende a crescer cada vez mais ao longo dos próximos anos, especialmente com a educação financeira em curso em nossa sociedade.
Sua iniciativa é digna de receber elogios e servir de exemplo a outros tantos…
Como seu planejamento para esse investimento tem um horizonte de 15 anos algumas observações importantes devem ser feitas. Em uma simulação com um investimento inicial de R$ 10.000 e aplicações regulares de R$ 500, com uma rentabilidade anual de 10%, atingiremos após 15 anos um capital de R$ 242.583, sem considerar a inflação no período. Com esse capital investido é possível viver com uma renda de aproximadamente R$ 2 mil/mês, complementando a sua aposentadoria. No entanto, a pergunta magica é como atingir essa rentabilidade para um baixo risco no investimento.
Com as informações presentes não é possível identificar qual o seu perfil de investidor, onde seria possível identificar o quanto de risco você esta propenso a aceitar em sua carteira de investimentos (para saber o seu perfil de investidor é aconselhável buscar sua instituição financeira e responder ao questionário “Suitability”). No entanto, podemos considerar que você segue o padrão brasileiro de conservadorismo em seus investimentos, bastante carregado de “renda fixa” , mas propenso a conhecer novos produtos para pequenos investimentos.
Sugiro, para você superar a rentabilidade apresentada na simulação, que divida seu patrimônio em 2 partes.
A primeira parte é separar R$ 5 mil inicial e 80% de suas aplicações regulares para um fundo de renda fixa com credito privado que supere consistentemente 100% do CDI. Muitos fundos conseguem superar esse benchmark, e possuem aplicações inicias bastante acessíveis. Prefira esse investimento as NTN-Bs e a sua aplicação em imóveis.
Para os outros R$ 5 mil iniciais, e 20 % de suas aplicações mensais (R$100,00), podemos ser um pouco mais arrojados, buscando atingir uma rentabilidade superior do que a renda fixa. Como sua disponibilidade atual é pequena para ser investida diretamente em ações (coma na sua atual carteira de ações de Vale e Itau), uma excelente alternativa são os fundos de ações.
Os fundos de ações são, para a grande maioria dos investidores, a melhor alternativa para seus investimentos em renda variável. Apresentam vantagens como liquidez, diversificação e uma gestão profissionalizadas dos seus investimentos. Com ele você estará bem atendido para atingir sua meta de longo prazo na aposentadoria. Procure gestoras com comprovada competência em sua equipe de analise, e fundos de ações que sejam considerados “Ibovespa ativo”, com a intenção de superar o bechmark. Prefira esses as ações propriamente ditas.
E lembre-se: o resultado do seu sucesso financeiro também depende de você!
*Fabiano Pessanha, CFP, planejador financeiro certificado pelo IBCPF