Dúvida do leitor

Tenho R$ 30 mil na poupança e vou receber mais R$ 30 mil; onde investir?

Sinara Polycarpo Figueiredo, CFP, planejadora financeira certificada pelo IBCPF, responde a pergunta de leitor do InfoMoney

Pergunta

Tenho 24 anos e tenho algumas dúvidas: hoje tenho R$ 30 mil na poupança, leio diversos artigos financeiros para saber onde melhor aplicar esta quantia, mas ainda não sei qual seria o melhor investimento, CDB, Poupança, LCI, etc.

Estou para receber um bônus aproximadamente de mais R$ 30 mil. Seria interessante diversificar investimentos? Quais seriam as melhores opções? Penso em aplicar para o médio e longo prazo.

Leitor: Ivan

Resposta de Sinara Polycarpo Figueiredo, CFP, planejadora financeira certificada pelo IBCPF

Caro Ivan,

Estamos em um período de juros elevados na economia, a 11% ao ano, bastante desfavoráveis ás aplicações em poupança, que rendem em torno de 7% ao ano. Portanto você deve pesquisar alternativas mais rentáveis, pois a poupança apenas protege seu poder de compra ficando levemente acima da inflação medida pelo IPCA.

CDB e LCI são normalmente cotados a uma taxa pós-fixada, referenciada ao CDI (Certificado de depósito interbancário) que reflete as taxas negociadas em transações financeiras entre bancos. Ou seja, aplicar em um CDB a 95% do CDI, por exemplo, significa que você está alcançando 95% das taxas obtidas pelos grandes bancos. Esse percentual varia de acordo com o valor investido.

A LCI, como a poupança, é isenta de imposto de renda. Já sobre os rendimentos do CDB há incidência de IR conforme o prazo investido:

  • até 6 meses: alíquota de 22,5% sobre o rendimento;

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    entre 6 meses e 1 ano: 20%;

  • entre 1 e 2 anos: 17,5%;

  • acima de 2 anos: 15%.

Considerando CDI a 10,8% ao ano, confira as rentabilidades líquidas de aplicações em CDB e LCI, conforme taxa.

Observe que mesmo a uma taxa de 90% do CDI, sob a alíquota mais elevada, de 22,5%, você já obtém retorno acima da Poupança. A LCI pode ser ainda melhor dependendo do prazo e da taxa de investimento. Assim, pesquise as taxas no seu banco que, se não estiverem acima de 90% do CDI no CDB ou acima de 80% na LCI, negocie ou procure outras instituições. A LCI costuma ser negociada sem possibilidade de resgate diário, portanto explore bem esses detalhes que podem variar entre os bancos.

Vale lembrar que ao investir em CDB e LCI você empresta seus recursos ao banco, que serão emprestados a milhares de clientes através de operações de crédito. Portanto, a solidez da instituição é importante avaliar. Ainda assim, esses produtos contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito responsável por ressarcir os clientes credores em caso de falência do banco, para valores até R$ 250 Mil por CPF.

Creio que essas sejam as opções mais simples e acessíveis para que você faça essa primeira migração da poupança a instrumentos de renda fixa mais rentáveis.

Estando com esses recursos melhor aplicados, e antes de dar outros passos, sugiro fazer uma boa reflexão sobre seus objetivos futuros e organizar os recursos.

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1) defina sua reserva de emergência, aquela que o deixará confortável para qualquer imprevisto. Recomenda-se uma quantia equivalente a seis vezes os gastos mensais, mas essa regra talvez não sirva para quem já tem a garantia do FGTS, por exemplo, ou para um autônomo que poderá ficar muitos meses sem gerar renda.

2) reflita sobre o seu futuro. É recomendável construir uma reserva financeira para que a uma determinada idade você possa ter liberdade de escolha (dar a volta ao mundo, empreender, parar de trabalhar, morar em outro país). Lembre-se que o brasileiro está vivendo mais e, viver bem dependerá de saúde física, mental e financeira.

Por exemplo, suponha que você queira total liberdade de escolha aos 60 anos de idade, e que isso lhe custe obter R$ 2 Milhões em patrimônio que possa ser convertido em dinheiro. Considerando juros reais de 2% ao ano, você tem que guardar cerca de $38 Mil por ano para obter esse valor aos 60 anos. Construir esse planejamento com valores, prazos, retorno esperado, é fundamental.

Apenas com um planejamento claro, valerá a pena pesquisar mais alternativas de investimento. Procure uma boa corretora de valores, que pode ou não estar coligada a grandes conglomerados financeiros, faça um cadastro, converse com um especialista ou planejador financeiro, e comece a pesquisar opções para uma carteira de investimentos mais completa: títulos públicos atrelados ao IPCA (Tesouro Direto), ETFs (cotas de fundos que refletem um composto de ações, que pode ser de consumo, de setor imobiliário, de dividendos, etc), ações, títulos privados com incentivos fiscais (debêntures incentivadas ou CRIs), etc.

Enfim, através de uma corretora de valores é possível acessar todos os instrumentos disponíveis no mercado, mas muitos deles são alternativas de longuíssimo prazo, o que requer um planejamento bem feito.

Sinara Polycarpo Figueiredo é planejadora financeira pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). 

As respostas refletem as opiniões do autor. O IBCPF e o Infomoney não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

Perguntas devem ser feitas no formulário http://www.infomoney.com.br/onde-investir/infomoney-responde-formulario-pergunta

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