Tenho R$ 10 mil na poupança e não estou satisfeito; onde investir?

Luiz Correia Martins Pereira, CFP, planejador financeiro certificado pelo IBCPF, responde a pergunta de leitor do InfoMoney

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Pergunta:

Gostaria de obter informações de como e onde posso investir, para alcançar um ganho maior que a poupança. Tenho aproximadamente R$ 10 mil na caderneta. Sei que não é uma aplicação tão rentável, porém seguro e isenta de impostos, mas não estou vendo vantagem em investir nessa aplicação. Onde devo investir? E como encontrar corretoras confiáveis? Não sou muito crente nos conhecimentos que gerentes de bancos nos transmitem.

Leitor: Ronaldo

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Resposta de Luiz Correia Martins Pereira, CFP, planejador financeiro certificado pelo IBCPF:

Ronaldo,

A sua preocupação em relação aos investimentos é absolutamente pertinente, ainda mais em um cenário de inflação relativamente alta. Importante lembrar que, dependendo da cesta de produtos e serviços que você consome, a sua inflação pode ser maior, porque muitos itens tiveram aumento de preço acima do IPCA, índice oficial utilizado pelo Banco Central para ver se a inflação está dentro ou não da meta.

Apesar de parecer simples e ser bastante frequente, não existe uma resposta pronta para a sua questão. Para respondê-la, precisamos colocar as coisas em perspectiva, pensar em curto, médio e longo prazo.

Antes de mais nada, você precisa ter uma fotografia da sua situação financeira, ou seja, tem que montar um orçamento lançando todas as suas despesas e entradas liquidas. Não esqueça de levar em conta IPTU, IPVA, conta de luz entre outras, que sempre esquecemos de computar quando fazemos contas mentais.

Sabendo quais são as suas despesas, você irá montar uma reserva de emergência para ficar tranquilo caso algum evento inesperado ocorra. A minha sugestão é que ela cubra no mínimo, 6 meses das suas despesas.

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Essa reserva deve ser composta por ativos de baixo risco que tenham liquidez imediata o que inclui poupança, Fundo DI, ou CDB de banco de primeira linha. A questão aqui é em relação aos valores de entrada, normalmente, quanto maior o valor, menor a taxa de administração cobrada pelos fundos e melhor é a taxa paga pelos títulos dos bancos.

O tesouro direto, é uma opção extremamente interessante, neste caso, uma LFT indexada à Selic. Títulos indexados ao IPCA ou Pré-fixados podem apresentar rentabilidade negativa caso as taxas aumentem, portanto, não os recomendados para reserva de emergência.

Paralelamente, você pode começar a pensar em uma carteira de longo prazo para a sua aposentadoria. Um plano de previdência privado pode ser bastante interessante. Só precisa ficar atento às taxas de administração e de carregamento. Se forem altas, terão um impacto considerável na sua rentabilidade. Se você contribuir para a previdência oficial e faz a declaração completa do IR opte pelo PGBL. Neste caso, você conta com um benefício fiscal, pois é permita a dedução das contribuições ao plano, até o limite de 12% anual bruta. Se não for o seu caso, opte por um VGBL. Como estamos falando de longo prazo, você pode optar por produtos com um pouco mais de risco, como fundos multimercado e ações, desde que essa estratégia, atenda o seu perfil de risco. Uma NTN também pode ser uma boa opção, só pra te dar um parâmetro, a NTN-principal com vencimento em agosto de 2024 por exemplo, está pagando hoje, IPCA mais 6,24% a.a. Independente da oscilação de taxas, no vencimento, ela paga o que foi contratado.

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Feito isto, você pode começar a planejar os seus objetivos de médio prazo, levando-se em consideração o valor, o prazo e sempre, o seu perfil de risco.

Lembre-se que o melhor investimento é aquele que vai de encontro às suas necessidades e objetivos. Para qualquer produto de investimento, leve sempre em consideração o ganho real líquido, ou seja, já descontado as taxa (de administração, performance, corretagem entre outras), os impostos e a inflação e não esqueça: -não existe investimento totalmente livre de risco.

Quanto às corretoras, no próprio site do Tesouro Direto tem o ranking das instituições financeiras, as taxas cobradas e o prazo de repasse dos recursos para a conta do investidor.

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Por último, antes de investir, faça sempre a lição de casa. Não invista sem antes pesquisar os custos, ler os prospectos e tirar todas as suas dúvidas seja com o seu gerente ou com um planejador financeiro pessoal. Sei que dá um pouco mais de trabalho, mas vale à pena.

Luiz Correia Martins Pereira é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). 

As respostas refletem as opiniões do autor. O IBCPF e o Infomoney não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para onde_investir@infomoney.com.br

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Prezado Hildebrand, 

Pouco a pouco é possível ver mudanças significativas no perfil de investimento dos brasileiros. Percebemos, por exemplo, o crescimento do numero de jovens que estão disponibilizando parte de sua renda para se planejar financeiramente para a sua aposentadoria. É um movimento que tende a crescer cada vez mais ao longo dos próximos anos, especialmente com a educação financeira em curso em nossa sociedade. 

 Sua iniciativa é digna de receber elogios e servir de exemplo a outros tantos… 

 Como seu planejamento para esse investimento tem um horizonte de 15 anos algumas observações importantes devem ser feitas. Em uma simulação com um investimento inicial de R$ 10.000 e aplicações regulares de R$ 500, com uma rentabilidade anual de 10%, atingiremos após 15 anos um capital de R$ 242.583, sem considerar a inflação no período. Com esse capital investido é possível viver com uma renda de aproximadamente R$ 2 mil/mês, complementando a sua aposentadoria. No entanto, a pergunta magica é como atingir essa rentabilidade para um baixo risco no investimento. 

 Com as informações presentes não é possível identificar qual o seu perfil de investidor, onde seria possível identificar o quanto de risco você esta propenso a aceitar em sua carteira de investimentos (para saber o seu perfil de investidor é aconselhável buscar sua instituição financeira e responder ao questionário “Suitability”). No entanto, podemos considerar que você segue o padrão brasileiro de conservadorismo em seus investimentos, bastante carregado de “renda fixa” , mas propenso a conhecer novos produtos para pequenos investimentos. 

 Sugiro, para você superar a rentabilidade apresentada na simulação, que divida seu patrimônio em 2 partes. 

 A primeira parte é separar R$ 5 mil inicial e 80% de suas aplicações regulares para um fundo de renda fixa com credito privado que supere consistentemente 100% do CDI. Muitos fundos conseguem superar esse benchmark, e possuem aplicações inicias bastante acessíveis. Prefira esse investimento as NTN-Bs e a sua aplicação em imóveis. 

 Para os outros R$ 5 mil iniciais, e 20 % de suas aplicações mensais (R$100,00), podemos ser um pouco mais arrojados, buscando atingir uma rentabilidade superior do que a renda fixa. Como sua disponibilidade atual é pequena para ser investida diretamente em ações (coma na sua atual carteira de ações de Vale e Itau), uma excelente alternativa são os fundos de ações. 

 Os fundos de ações são, para a grande maioria dos investidores, a melhor alternativa para seus investimentos em renda variável. Apresentam vantagens como liquidez, diversificação e uma gestão profissionalizadas dos seus investimentos. Com ele você estará bem atendido para atingir sua meta de longo prazo na aposentadoria. Procure gestoras com comprovada competência em sua equipe de analise, e fundos de ações que sejam considerados “Ibovespa ativo”, com a intenção de superar o bechmark. Prefira esses as ações propriamente ditas. 

 E lembre-se: o resultado do seu sucesso financeiro também depende de você! 

 *Fabiano Pessanha, CFP, planejador financeiro certificado pelo IBCPF