Renda fixa

Taxas de títulos do Tesouro Direto recuam na tarde desta segunda-feira

Investidores monitoraram noticiário político, no Brasil, aumento dos casos de Covid-19 na Europa e negociação de pacote de estímulos nos EUA

Brazilian Currency - Brl. Money bills in a wallet.
(Rmcarvalho/Getty Images)
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SÃO PAULO – As taxas oferecidas pelos títulos públicos negociados via Tesouro Direto apresentavam queda na tarde desta segunda-feira (19).

O Tesouro Prefixado com vencimento em 2026 pagava um prêmio anual de 7,22%, ante 7,40% na sexta-feira (16). O juro pago pelo mesmo título com juros semestrais e prazo em 2031, por sua vez, cedia de 7,92% para 7,76% ao ano.

Entre os títulos indexados à inflação, o prêmio do papel com vencimento em 2035 recuava de 4,09% para 4,05% ao ano, enquanto o Tesouro IPCA+ com juros semestrais e vencimento em 2040 pagava 3,99%, frente a 4,04% na semana passada.

No Tesouro Selic, a taxa de deságio, que apresentou queda na última semana, quando chegou a 0,19% ao ano, voltou a subir levemente nesta segunda-feira, ficando próxima de 0,21%.

Confira os preços e as taxas dos títulos públicos nesta segunda-feira (19):

Relatório Focus

Entre os destaques do dia, o mercado financeiro voltou a elevar as projeções para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2020. Agora, os economistas consultados pelo relatório Focus, do Banco Central, estimam alta de 2,65% para a inflação, ante 2,47% na semana passada.

O movimento, que representa a 10ª semana consecutiva de alta, segue o aumento dos preços em meio aos estímulos fiscais e monetários para minimizar os impactos econômicos provocados pela pandemia de coronavírus.

Para o Produto Interno Bruto (PIB), as projeções ficaram praticamente estáveis no levantamento mais recente, ao passarem de queda de 5,03% para contração de 5,00% da atividade, em 2020.

Já para 2021, os economistas veem um crescimento de 3,47% do PIB brasileiro, ante estimativa anterior de expansão de 3,50% da economia no próximo ano.

Houve mudança ainda nas estimativas para o câmbio este ano. Segundo os economistas, o dólar deve encerrar dezembro negociado a R$ 5,35 (ante previsão de R$ 5,30 previamente). Para 2021, contudo, a projeção foi mantida em R$ 5,10.

Já com relação à taxa Selic, as expectativas não foram alteradas: a taxa básica de juros deve encerrar dezembro em 2,00% ao ano e, o próximo ano, em 2,50% ao ano.

Cena doméstica

Ainda no âmbito local, as atenções seguiram voltadas ao noticiário político.

Na sexta-feira (16) o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou em videoconferência organizada pela XP Investimentos, que o governo está comprometido em honrar as imposições do teto de gastos.

Segundo ele, é preferível manter o programa Bolsa Família do jeito que está, em nome da responsabilidade fiscal.

No mesmo evento, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que não há espaço para discutir a prorrogação do estado de calamidade pública ou o Orçamento de Guerra, medidas aprovadas para lidar com a crise da Covid-19.

“O nosso problema não está em descobrir receita e sim organizar as despesas. Tem políticas públicas que estão mal alocadas, o abono salarial, o seguro defesa… Tem 17 ou 18 itens onde podemos encontrar os R$ 30 bilhões para completar o que é necessário para construir um novo programa [de renda]”, disse.

O ministro Guedes também afirmou que não desistiu da ideia de criar um novo imposto sobre transações digitais, frequentemente comparado à antiga CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), como forma de viabilizar uma ampla desoneração da folha de pagamentos.

Pacote de estímulos e Covid-19

Na cena externa, as expectativas ficaram por conta das negociações entre democratas e republicanos, nos Estados Unidos, para a aprovação de um pacote de estímulos contra os impactos econômicos do coronavírus.

A presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, afirmou na noite de sábado que daria 48 horas para a administração do presidente americano, Donald Trump, chegar a um acordo acerca dos estímulos antes das eleições presidenciais do dia 3 de novembro.

Apesar do bom humor nos EUA, o aumento nos novos casos de Covid-19 na Europa e a dificuldade do Reino Unido em atingir um acordo comercial com a União Europeia depois do Brexit trazem cautela.

Na Europa, o número de novas infecções pelo coronavírus cresceu para cerca de 97 mil por dia. É uma alta de 44% em comparação com a semana anterior. Na semana passada, Paris voltou a implementar toque de recolher, e Londres restringiu reuniões de pessoas que não vivam na mesma residência.

Apenas na Itália, mais de 11 mil novos casos foram reportados no domingo (18). Nesta segunda, o país anunciou novas medidas para impedir a propagação do vírus, inclusive restringindo os horários de funcionamento de restaurantes e limitando reuniões públicas.

Na Ásia, a China reportou crescimento de 4,9% do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre, na comparação anual, após subir 3,2% no segundo trimestre.

O resultado veio abaixo do que a mediana das projeções coletadas pelo jornal The Wall Street Journal junto a economistas, de alta de 5,3%.

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