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SÃO PAULO – Apesar do sucesso de vendas dos VGBLs (Vida Gerador de Benefício Livre) junto às seguradoras que contam com rede bancária para distribuição do produto, como a Bradesco Previdência e Vida ou a Itaú Seguros, o produto tem sofrido fortes criticas das seguradoras independentes.
VGBL é criticado pelas independentes
Uma das principais críticas das seguradoras refere-se ao fato de que, apesar de serem classificados como seguros de vida pela Susep (Superintendência de Seguros Privados), os VGBLs na verdade são estruturados como planos de previdência, sendo que a compra de cobertura de seguro de vida é apenas opcional.
Neste sentido, estas seguradoras defendem a introdução de um produto estruturado realmente como um seguro de vida resgatável. O produto em questão seria estruturado como um Universal Life, e funcionaria efetivamente como um seguro de vida resgatável, em que a compra do seguro de vida seria obrigatória e o resgate dos recursos poderia ser feito antes do falecimento do investidor.
Para alguns especialistas do setor, existe a necessidade de se criar um produto combinando seguro de vida e investimento, que exija a presença de especialistas como os corretores. Somente este tipo de produto poderia garantir a remuneração necessária para interessar os corretores a vender o produto, o que não acontece no momento com os VGBLs.
Susep pretende lançar novos produtos em 2003
Diante da pressão do setor, e do aumento da procura por produtos que combinem seguro de vida com acumulação de recursos, a Susep (Superintendência de Seguros Privados) pretende baixar uma circular até o final de outubro autorizando as seguradoras a lançarem produtos deste tipo.
O superintendente da Susep, Hélio Porto Carrero, confirma que a iniciativa vem em resposta aos pedidos das seguradoras independentes, mas lembra que os novos produtos só devem chegar ao mercado no início de 2003, e devem se assemelhar aos VGBLs.
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Carrero também afirmou que algumas seguradoras devem voltar a oferecer produtos do tipo benefício definido, buscando atender a demanda de seus clientes mais conservadores. Os planos de benefício definido perderam espaço nos últimos anos para os de contribuição definida. Enquanto nos planos de benefício definido você sabe o quanto ira receber na hora em que se aposentar, nos de contribuição definida você só sabe o quanto deve contribuir a cada mês, sendo que o benefício a ser pago será em função do valor acumulado.
Tendência mundial
Em países como os EUA e a Holanda, onde o mercado de produtos previdência é mais avançado, os produtos que combinam em uma única reserva risco (seguro de vida) e acumulação (previdência) existem há vários anos. Portanto, a introdução destes produtos no Brasil vem apenas seguir uma tendência verificada no setor de seguros internacional.
A tendência é tão forte que em algumas das maiores seguradoras do mundo as áreas de vida e de acumulação passaram a funcionar de maneira completamente integrada, o que acabou implicando em um certo movimento de consolidação dentro do setor. No Brasil, a Sul América parece liderar a tendência ao criar uma vice-presidência voltada exclusivamente para os produtos de vida e previdência.
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Apesar dos novos produtos terem um componente maior de risco do que de acumulação, ao contrário dos produtos atualmente existentes no Brasil, as seguradoras pertencentes aos grandes conglomerados financeiros do país, como Bradesco e Itaú, também pretendem se posicionar neste mercado. Até porque o sucesso dos VGBLs foi tão grande que ninguém pode se dar ao luxo de ficar de fora, considerando que os novos produtos devem incorporar vários elementos dos VGBLs resultando no sucesso de vendas quase garantido.