Superávit da balança comercial chega a US$ 1,741 bilhão em 2002

Queda em ritmo mais acelerado das importações provoca resultado positivo da balança comercial brasileira

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SÃO PAULO – O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior divulgou, nesta segunda-feira, os resultados da balança comercial brasileira referentes ao mês de maio, mostrando um superávit de US$ 232 milhões. As exportações totalizaram US$ 3,594 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 3,362 bilhões.

No acumulado do ano, as vendas externas brasileiras chegaram a US$ 20,126 bilhões ao passo que as compras estão em US$18,335 bilhões. Com isso, o Brasil acumula US$ 1,741 bilhão de superávit desde o primeiro dia útil de 2002.

Comércio exterior caiu 20,06%

No entanto, o bom resultado na balança comercial brasileira não foi causado pela expansão das vendas externas, mas sim pela queda ainda mais acentuada das importações. Se comparado ao mesmo período de 2001, as vendas caíram 15,73%, enquanto as importações sofreram uma forte queda de 24,33%. Com isto houve uma queda de 20,06% no comércio exterior brasileiro, que inclui a soma de exportações e importações do país.

Até maio do ano passado, o Brasil já havia exportado cerca de US$ 23,865 bilhões ao passo que as compras externas já haviam chegado a US$ 24,232 bilhões. Desta forma, a balança comercial brasileira, no mesmo período de 2001, estava negativa em US$ 347 milhões.

Desaquecimento econômico afetou comércio exterior

A forte retração nos números do comércio exterior brasileiro, a despeito do resultado positivo, é conseqüência do desaquecimento da economia mundial e da própria economia brasileira. A queda das exportações de jatos regionais com os desdobramentos do atentado de 11 de setembro e das vendas para a Argentina, em virtude da delicada crise que assola o país, foram as principais razões para a redução das exportações.

Por outro lado, o desaquecimento da economia brasileira, que teve um bom primeiro trimestre em 2001, com projeções anualizadas de um crescimento de 4%, é a principal razão para expressiva retração das importações.

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Desvalorização do real foi um fator essencial

Além disso, não se pode deixar de frisar a forte depreciação do real, encarecendo os produtos de procedência estrangeira, e, ao mesmo tempo, oferecendo um forte estímulo para as exportações.

Há um ano, a cotação da moeda brasileira estava em R$ 2,382, contra os atuais R$ 2,536, uma desvalorização de 6,51%, cujos efeitos foram ampliados pela desvalorização do dólar frente ao euro (10,93%) e ao iene (3,72%). No entanto, com o fim do currency board na Argentina, além da inflação de 7,98% nos últimos 12 meses, medida pelo IPCA, parte da desvalorização do real acabou sendo neutralizada.