Suitability chega à bolsa de valores

Até o final deste mês, instituições financeiras devem colocar em prática a análise do perfil do investidor em negociações da bolsa

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SÃO PAULO – As instituições financeiras têm até o final deste mês para colocar em prática a análise do perfil do investidor em negociações realizadas na BM&F Bovespa. Até então, a obrigatoriedade era apenas para family office, private banking e fundos de investimento.

Desta forma, antes de fazer qualquer tipo de investimento, o interessado estará ciente sobre os riscos que a modalidade envolve, em uma prática que ficou conhecida no mercado como suitability e que é bastante difundida nos Estados Unidos.

“Bancos, corretoras e outras instituições começaram a adotar essas políticas em meados do ano passado, apenas para os clientes da área de private banking. No início deste ano, o processo foi estendido aos fundos de investimentos e, a partir de julho, ao segmento de bolsa. Ou seja, agora, a obrigatoriedade é para todos”, afirmou o diretor de Compliance da SLW Corretora, Felipe Coimbra.

Segundo ele conta, o procedimento já era adotado por boas empresas do setor financeiro, sendo que agora ele passa por uma padronização e por supervisão de órgãos reguladores. Por isso, de acordo com Coimbra, as novas regras afetam muito pouco o investidor que já estava aplicando em uma instituição financeira bem estruturada.

Mudança de cenário
A análise do perfil do investidor se torna importante, por conta da mudança de cenário econômico no Brasil. Durante alguns anos, o investidor se acostumou com uma rentabilidade alta, associada ao baixo risco e zero de volatilidade, conforme contou o diretor.

“Neste contexto, perceber a diferença das aplicações em ações, principalmente para os clientes acostumados com fundos de renda fixa, torna-se muito difícil. Ao investir em ações, a expectativa acaba sendo a mesma, fazendo com que a importância dada aos riscos e às peculiaridades do mercado fique em segundo plano”, afirmou.

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O suitability chega então para corrigir essa falta de percepção do investidor, ao mostrar-lhe os riscos que correrá em cada uma das aplicações que fizer. Assim, ele poderá discutir com a instituição financeira o melhor caminho a seguir.

“O que podemos concluir desse novo cenário – de prestação de contas, elaboração de perfis e maior assessoramento ao cliente – é que o investidor ganhará bastante. Ele poderá sentir-se mais seguro em relação às suas aplicações e terá à sua disposição uma instituição financeira mais inovadora, pois precisará garantir competitividade no mercado”, destacou.