Sucesso no mercado raramente é linear, mostra livro da série Fora da Curva

É isso que a série Fora da Curva, de Giuliana Napolitano, explora em seu mais recente volume, Fora da Nova Curva.

Osni Alves

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Carreiras que fogem do roteiro tradicional, decisões tomadas quase por acaso e escolhas sob alta pressão ajudam a explicar por que o mercado financeiro é menos previsível do que parece. É isso que a série Fora da Curva, de Giuliana Napolitano, explora em seu mais recente volume, Fora da Nova Curva.

O livro reúne histórias de gestores, empresários e investidores, mostrando que o sucesso raramente nasce de um plano linear e, muitas vezes, surge da capacidade de adaptação diante do inesperado. Engenheiros, advogados, economistas e profissionais sem formação clássica em finanças aparecem lado a lado em trajetórias que desafiam o senso comum.

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“As formações são muito diferentes e todas acabaram no mercado por razões distintas”, afirma ela, ao comentar o padrão observado entre os entrevistados da série. Um exemplo citado é Daniel Goldberg, formado em Direito, que jamais imaginou construir carreira no mercado financeiro. “Ele achava finanças chatas, mas acabou encontrando uma forma de investir justamente a partir do Direito”, relata a jornalista.

Essas histórias foram detalhadas por Napolitano em entrevista ao programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo, na qual a jornalista compartilhou os bastidores da série e as lições extraídas das conversas com grandes nomes do mercado.

Caminhos não lineares e decisões precoces

Entre os relatos, há casos de profissionais que descobriram cedo sua vocação para investir. Otávio Magalhães, da Guepardo, começou a investir ainda jovem, influenciado pela família. “Quando entrou na faculdade, ele já sabia exatamente o que queria fazer e escolheu um curso que permitisse continuar investindo”, contou Giuliana.

Para a jornalista, a diversidade de trajetórias funciona como um guia importante para estudantes e jovens profissionais que ainda se sentem perdidos. “Essas histórias mostram que não existe uma fórmula pronta. O importante é se preparar, estudar e estar aberto às oportunidades que surgem”, afirmou.

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O aprendizado, no entanto, vai além da formação acadêmica. Em um mercado cada vez mais tecnológico, marcado pelo avanço da inteligência artificial e por decisões baseadas em dados, o fator humano segue sendo determinante.

“Pode parecer batido, mas resiliência e controle emocional fazem muita diferença”, disse Giuliana. Segundo ela, os gestores entrevistados lidam diariamente com pressão, volatilidade extrema e cobranças intensas de investidores.

O peso do fator humano em tempos de tecnologia

Manter-se no mercado financeiro, de acordo com os relatos, exige mais do que capacidade técnica. “Eles precisam ter clareza do porquê continuam ali, mesmo nos momentos mais difíceis”, afirmou a jornalista, ao destacar que o equilíbrio emocional se tornou um diferencial silencioso, porém essencial.

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Entre as histórias mais emblemáticas está a de Marcelo Claure, empresário boliviano com uma trajetória pouco convencional. Após estudar nos Estados Unidos, ele retornou à Bolívia por exigência legal e acabou se envolvendo com o futebol, ajudando o país a se classificar para a Copa do Mundo. “Não era o plano original, mas virou uma história incrível”, contou Giuliana.

Mais tarde, Claure voltou aos Estados Unidos, tentou ingressar no mercado financeiro e acabou comprando, quase por acaso, uma loja de celulares. Esse movimento deu origem a um negócio que se transformou na maior distribuidora de celulares da América Latina, posteriormente vendida ao SoftBank. “É um exemplo de como aproveitar oportunidades inesperadas pode mudar completamente uma trajetória”, afirmou.

Casos como esse reforçam a ideia de que flexibilidade e leitura de contexto são tão importantes quanto planejamento de longo prazo no mundo dos negócios e dos investimentos.

Gerações, sucessões e o dilema entre preço e qualidade

O projeto também reúne histórias de grandes empreendedores, como Guilherme Bechara, Eli Horn e Andréia Pinheiro, que enfrentaram desafios ligados à alocação de capital, sucessões familiares e decisões estratégicas em momentos críticos. “A história do Eli Horn, por exemplo, mostra um processo de sucessão raro de ser bem-sucedido”, destacou Giuliana.

Outro ponto relevante foi o esforço para ampliar a presença feminina em um mercado historicamente dominado por homens. “Conseguimos entrevistar mais mulheres neste volume, como Sarah Delfim, Tânia Chocolat e Andréia Pinheiro, que trouxeram perspectivas diferentes”, afirmou.

As discussões sobre investimento também passam pelo dilema clássico entre preço e qualidade. Gestores relatam o desafio de escolher entre ativos aparentemente baratos e empresas excepcionais negociadas a múltiplos elevados. “Tem empresas que parecem caras a vida inteira, mas continuam ficando mais caras porque são excepcionais”, observou, citando debates envolvendo companhias como a WEG.

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O reconhecimento dos erros aparece como outra lição central. Episódios como o colapso do Banco Nacional, após o Plano Real, são lembrados como alertas sobre risco e governança. “Errar faz parte, mas entender por que se errou é essencial”, afirmou.

Um retrato em constante construção

Para o futuro, Giuliana afirma que o projeto seguirá em evolução constante. “A gente nunca sabe exatamente para onde o próximo volume vai caminhar. O mercado muda e novas histórias surgem”, disse.

Segundo ela, o avanço da especialização no mercado financeiro abre espaço para novos perfis e narrativas ainda pouco exploradas. “Enquanto surgirem histórias relevantes e pouco contadas, o projeto faz sentido”, afirmou.

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Mais do que um registro sobre finanças, a série se consolida como um retrato humano de decisões tomadas sob pressão, erros, acertos e escolhas de longo prazo. “São histórias que ajudam tanto gestores quanto investidores a refletir sobre risco, tempo e consistência”, concluiu a jornalista.