Fim de festa?

Jakurski aponta oportunidades ainda competitivas do Brasil, mas alerta para redução da liquidez nos mercados globais

Sócio fundador da gestora JGP participou de painel durante o evento "Melhores da Bolsa", do InfoMoney, nesta quarta-feira

SÃO PAULO – Os estímulos fiscais e monetários extraordinários adotados em escala global formam, ao lado da vacinação, a principal base de sustentação para o desempenho positivo dos mercados desde meados de março do ano passado.

Olhando à frente, contudo, a tendência é que o momento virtuoso vivido pelos ativos financeiros de forma geral não volte a se repetir da maneira como foi observado ao longo desses últimos meses.

Quem faz o alerta é André Jakurski, um dos mais experientes gestores do mercado brasileiro e sócio fundador da gestora JGP.

Durante participação em live na noite desta quarta-feira, no evento Melhores da Bolsa 2021, do InfoMoney, Jakurski assinalou que não há grande mérito do gestor que ganhou dinheiro em 2020 e 2021, uma vez que, em função da liquidez abundante em circulação, basicamente quase tudo subiu no mercado, de ações e criptomoedas a quadros e vinhos.

Conforme essa dinheirama toda no mercado comece a secar, será chegado o momento de separar o joio do trigo, com um ambiente bem mais desafiador para fazer a seleção dos melhores ativos, ponderou o gestor.

“É muito difícil imaginar que essa festa que estamos vivendo vai persistir, principalmente porque os ativos financeiros estão extremamente valorizados”, afirmou Jakurski, acrescentando que, daqui para frente, não vai ser mais “moleza” ter bons retornos como nos últimos 12 a 16 meses.

O investidor, salientou o gestor, terá de se conformar com rendimentos menores, seja pela redução dos estímulos fiscais e monetários, seja porque “as árvores não crescem até o céu”.

Jakurski destacou ainda que, em ciclos de alta do mercado, é importante redobrar a atenção para separar o que é competência do gestor do que é um movimento generalizado de mercado.

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De toda forma, o sócio fundador da JGP disse também que não está pessimista quando pensa no futuro, mas que pode vir a ficar, caso os governos se vejam confrontados com uma inflação mais alta que o esperado. “Diria que tem que ser cuidadoso, porque não adianta pensar que uma ação que subiu dez vezes vai subir dez vezes de novo.”

Apostas no Brasil

Sobre as oportunidades que ainda identifica na Bolsa brasileira, mesmo depois de toda essa avalanche de dinheiro que inundou o mercado e inflou os preços dos ativos, o gestor da JGP destacou ter em maior estima os setores em que o país é mais competitivo em termos globais: a mineração e o agronegócio.

“Não estaria olhando para a Bolsa, estaria olhando para as empresas, e o ciclo das commodities ajuda muito o Brasil”, disse o gestor.

Já entre as teses de aspecto mais microeconômico, Jakurski citou as ações da Oi entre as posições que carrega nas carteiras dos fundos, pela expectativa positiva quanto aos rumos da empresa após a reestruturação em curso.

“Já carreguei papéis por 15 anos, esse [Oi] estou carregando há três anos. Ainda faltam 12”, brincou o gestor, em alusão ao fraco desempenho do papel nos últimos anos.

Ele fez referência também à onda de IPOs na Bolsa local, que, em sua avaliação, tem trazido alguns bons nomes para o leque de opções do investidor que estiver atento para identificar as melhores histórias. “Tem empresa que não deveria estar vindo [a mercado], que não tem condição de ir à Bolsa, mas tem coisa boa aparecendo.”

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