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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) se consolidaram como favoritos na eleição presidencial de 2026, com mais de 40% das intenções de voto nas pesquisas. Apesar de ainda faltarem alguns meses para o primeiro turno, em 4 de outubro, investidores já discutem como a vitória de um ou de outro pré-candidato pode trazer melhorias estruturais para o Brasil, em aspectos como a redução do déficit fiscal.
Luis Stuhlberger, gestor do Fundo Verde e CIO e CEO na Verde Asset Management, diz que não está otimista com o Brasil do próximo governo — independentemente de, em janeiro de 2027, a faixa presidencial ficar com o candidato do PL ou do PT.
“Caso o Flávio ganhe, o mercado vai ter uma euforia, e depois vai ver que as coisas são mais difíceis de arrumar do que a gente pensa. Mas existe um caminho para isso. Outra visão corrente no mercado, principalmente dos estrangeiros, é que um Lula 4 não vai ser pior que o Lula 3. Pode ser isso ou até ligeiramente melhor”
Stuhlberger apresentou sua visão sobre o futuro do país no episódio #138 do programa Outliers InfoMoney, comandado por Clara Sodré e Fabiano Cintra. Eles entrevistaram o gestor do Fundo Verde sobre temas como nova ordem mundial, conflito no Oriente Médio, inteligência artificial e, claro, eleição presidencial.
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De acordo com Stuhlberger, o Brasil enfrenta um problema fiscal maior do que aquele que o próximo governante, seja ele qual for, estará disposto a encarar de frente.
“Pouca gente olha esse número, mas, em 2026, nós já estaremos gastando R$ 500 bilhões acima do teto de gastos”, diz o gestor do Fundo Verde. “Para voltar ao teto, você teria que fazer um ajuste fiscal de algo entre 3,5% e 4% do PIB. É inviável. Mesmo 2% do PIB seria difícil.”
“O único que fez isso foi o Temer”
O pessimismo com o combate ao déficit fiscal do Brasil vem de um ponto de vista privilegiado. Em quatro décadas no mercado de investimentos, Stuhlberger acompanhou de perto como oito presidentes da República lidaram com o equilíbrio das contas públicas.
“É factível, mas, no limite, o único presidente que fez isso foi o [Michel] Temer. O Fernando Henrique [Cardoso] não fez. O [Jair] Bolsonaro fez no começo [do mandato] e degringolou completamente no fim”, afirma.
Para o gestor do Fundo Verde, os dois lados da disputa presidencial de 2026 têm responsabilidade na situação do déficit fiscal.
“Parte desse problema do estouro dos R$ 500 bilhões não é só do Lula. Parte disso é dos últimos dois anos do Bolsonaro, que começou bem e terminou bastante populista. A gente tem que ser justo com isso”, afirma.
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Dívida/PIB
Segundo o Banco Central, em 2025, a dívida pública brasileira subiu para algo entre 78,7% e 79% do PIB, e o Governo Central fechou o ano com déficit primário de R$ 61,7 bilhões.
Assim, o país conseguiu oficialmente cumprir a meta de déficit primário zero, dentro da margem de tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB, ao excluir despesas fora do teto de gastos com precatórios, aposentadorias e com os setores de saúde, educação e outras rubricas.
Para 2026, o governo federal reajustou para cima a previsão de déficit primário, para R$ 59,8 bilhões.