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A startup Fenynx, criada para oferecer crédito com garantia em ativos digitais, fez no dia 26 de novembro a primeira captação de recursos com venda de participação lastreada em tokens da B3 no formado de crowdfunding, um modelo de financiamento colaborativo. O sistema permite que os tokens, que representam contratos de investimento coletivo na empresa fracionados, similares a ações, sejam negociados na plataforma criada pela B3 para ativos digitais, dando liquidez para os investidores.
É o primeiro crowdfunding em equity, ou seja, com venda de participação, lançado na bolsa brasileira de forma tokenizada e que permitirá a negociação no mercado subsequente desses ativos, um formato que pode se tornar uma opção para o financiamento de pequenas empresas, diz Leonardo Rezende, superintendente de empresas da B3.
Segundo ele, seis plataformas de crowdfunding já assinaram contratos e 14 estão em conversas para usar a estrutura da bolsa para fazer as ofertas, que poderão ser de participação ou de títulos de dívida tokenizados.
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Neste ano, em meio à ausência de ofertas iniciais na bolsa, o mercado de crowdfunding movimentou R$ 3 bilhões até o terceiro trimestre, praticamente o triplo do mesmo período do ano passado, diz Felipe Lippel Lettiere, responsável pela área de crowdfunding da B3. “É um mercado com grande potencial”, diz.
As ofertas e as negociações são feitas por intermédio das plataformas, que atuam como as corretoras de valores, atendendo os clientes e usando a estrutura da bolsa para fazer as negociações.
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Captação de R$ 1,5 milhão
A Fenynx colocou no mercado o equivalente a 11,27% do seu capital por meio de ações que foram tokenizadas, ou digitalizadas, pela Zuvia Digital Assets, empresa especializada em criptoativos autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários.
Os tokens foram então distribuídos na B3 entre os investidores, levantando R$ 1,555 milhão em recursos que serão usados no desenvolvimento da empresa. “Por essa quantia, podemos estimar o valor total inicial da Fenynx em R$ 13,8 milhões”, diz Lucas Montanini, fundador da empresa ao lado de Luan Rodrigues. A captação também trouxe para a empresa nomes importantes do mercado na área de tecnologia, que se tornaram investidores.
Crédito com garantia em ativos digitais
O modelo de negócios da Fenynx também é pioneiro no Brasil em oferecer crédito para pessoas físicas e jurídicas tendo como garantia ativos digitais, afirma Montanini. Podem ser usadas criptomoedas, como Bitcoins ou StableCoins, como são chamadas as moedas digitais que acompanham as cotações de divisas estrangeiras, como dólar e euro.
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Também servem como garantia tokens que representam outros ativos, como imóveis, créditos de empresas, cotas de fundos ou outros bens digitalizados. “O movimento de tokenização permite, por exemplo, que um imóvel seja usado como garantia sem a burocracia de fazer registros em cartório ou avaliações, fica muito mais fácil fazer as operações”, afirma Montanini.
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Garantia folgada
A vantagem é que o tomador do crédito não precisa se desfazer do investimento em Bitcoins ou outros ativos se precisar de recursos. A empresa oferece créditos equivalentes a até 50% das garantias, com taxas que começam em 1,3% ao mês, baixas para os padrões brasileiros.
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Com isso, a Fenynx tem uma margem de segurança razoável, com garantias adicionais equivalentes a 100% da dívida. E, se o ativo se desvalorizar, como ocorreu recentemente com o Bitcoin, a empresa negocia com o devedor aumentar as garantias ou pagar parte da dívida. “Temos um sistema de Inteligência Artificial que verifica os valores todos os dias e, se a dívida chegar a 70% da garantia, o sistema pede o ajuste”, diz.
Atividade por meio de parcerias
A Fenynx é uma empresa de tecnologia que tem a possibilidade fazer empréstimos com ativos digitais como colateral, como originadora de crédito, explica Montanini. Ela não precisa ter autorização do Banco Central para atuar porque não faz a custódia dos ativos dados em garantia, que fica a cargo de um banco parceiro.
Mas a empresa pretende pedir o registro no BC de Virtual Asset Service Provider, VASP, ou provedor de serviços para ativos virtuais para também fazer a custódia e a compra e venda dos ativos, que hoje é feita por exchanges parceiras. “Hoje já fazemos a intermediação e o controle da compra e venda e estamos desenhando a estrutura para pedir a o registro ao BC, o que exige capital mínimo, atuação no mercado, infraestrutura”, diz.
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Pagamento após 12 meses
Os empréstimos podem ser em reais, moedas virtuais ou moeda estrangeira no exterior. Os recursos virão de três fontes, explica Montanini. Um é por meio da parceira com a Zubia, que recebe investimentos nos tokens de empreendimentos ou créditos que emite.
Outra parte deve vir de investidores em crédito em geral, como Fundos de Direitos Creditórios, ou Fdics, Family offices, fundos de investimentos ou gestoras. E parte pode vir do exterior, por meio do DEX, uma bolsa global de ativos digitais descentralizada que permite a investidores do mundo todo aplicar em vários países. O pagamento também é feito apenas no fim do contrato, após 12 meses, o que dá mais fôlego para o devedor, que pode antecipar a quitação se quiser.
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Ativos tradicionais virando digitais
Montanini traz a experiência de outra startup que prestava serviços para bancos, a Live On, que chegou a ter 70 bancos digitais que usavam sua estrutura. A empresa foi comprada pelo Banco Modal, que depois foi adquirido pela XP.
Ele espera que esse mercado de ativos digitais cresça cada vez mais e ocupe o espaço das operações tradicionais, trazendo mais agilidade para as operações. A meta é atingir R$ 20 milhões em créditos com garantias em ativos digitais no ano que vem. “A nossa ideia é juntar tudo de ativos tradicionais com os ativos digitais, que devem crescer muito nos próximos anos”, completa.