"mundo perigossíssimo”

SPX volta a alocar posição em Bolsa, mas alerta para perigos externos

Em carta aos cotistas, gestora afirma que os ativos financeiros estão se valorizando de forma importante, mas em um cenário onde a economia global afunda

SÃO PAULO – Uma combinação de ventos favoráveis vindos do avanço da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, de uma melhora na perspectiva para a inflação no Brasil e baixas taxas de juros levaram a SPX a resgatar seu otimismo com alta da Bolsa – por mais que veja perigo à frente.

A asset, conhecida por seu maior ceticismo, havia zerado a posição direcional comprada da carteira de ações em abril, mas voltou a apostar na renda variável no último mês, iniciando uma alocação direcional comprada, com destaque para empresas dos setores de óleo e gás, mineração, utilities e financeiro, conforme destacou em carta de estratégia enviada aos cotistas referente ao mês de junho.

No início do mês, durante a Expert XP 2019, Rogério Xavier, sócio-fundador da SPX, afirmou que a bolsa brasileira deve ser beneficiada pelo que chamou de “manipulação de preços dos ativos” em razão da política de juros baixos mantida pelos principais bancos centrais do mundo.

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Na parte internacional, a casa está comprada em bolsas de ações de países emergentes e no setor de energia europeu contra a bolsa americana. A SPX também segue comprada em dólar americano.

Em juros, um cenário mais favorável do ponto de vista inflacionário e uma atividade econômica estagnada justificam as alocações da asset na parte intermediária da curva. “A votação da reforma da Previdência foi um evento importante e deverá ter impacto positivo na percepção de risco da dívida interna brasileira, com a consequente diminuição dos prêmios de risco na curva como um todo”, escreveram os gestores na carta. 

A expectativa, segundo a SPX, é que a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a ser realizada no fim de julho, reduza os juros em meio ponto percentual – e que faça isso mais duas vezes à frente, levando a Selic para 5% ao ano, o menor patamar desde o lançamento do Plano Real.

No mês de junho, o SPX Nimitz apresentou desempenho positivo de 1,49%, ante variação do CDI de 0,47% no período.

Ventos leves, mas não por muito tempo

Apesar de parecer um momento perfeito para o mercado de capitais, a SPX afirma que ainda estamos em um mundo “perigosíssimo”. Entre os motivos, a gestora pontua uma desaceleração econômica global, as tensões entre os EUA e a China, bem como uma fraqueza dos bancos centrais ao redor do mundo.

“Os ativos financeiros estão se valorizando de forma importante, mas em um cenário onde a economia global afunda. Das duas uma: ou a economia global vai reagir e alcançar o cenário de preços do mercado financeiro, ou ela não conseguirá reagir e os ativos financeiros passarão por uma importante correção de preços à frente”, escreve. E completa: “Eu fico com a segunda opção”.

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Por mais que a gestora ainda veja espaço para uma valorização dos ativos financeiros no curto prazo, diz não acreditar que sairemos dessa tendência de desaceleração da economia global. “O nível de incerteza está muito elevado e é provável que vejamos os investimentos se desacelerando de forma relevante”, observa.

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