Cenário ainda turbulento

SPX: Embora haja motivos para alta dos preços dos ativos, é “hora de comprar guarda-chuva em dia de sol”

Em carta aos investidores, gestora diz que atual equilíbrio dos mercados parece ser “extremamente instável” e que bolhas de ativos devem ser formadas

Rogério Xavier, da SPX, durante evento da XP nesta terça. Crédito: Divulgação/XP
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SÃO PAULO – Ainda que a forte retomada dos ativos financeiros seja justificada pelas ampla política fiscal e monetária ao redor do mundo, a sustentação desse modelo é questionável, e talvez seja a hora de o investidor começar a buscar proteções. Essa é a avaliação da gestora SPX, de Rogério Xavier.

Em carta enviada aos cotistas do fundo Nimitz referente ao mês de junho, a asset destacou que é difícil discordar da visão de que os estímulos financeiros ficarão no sistema por muito tempo e de que “provavelmente, veremos bolhas de ativos sendo formadas”.

No entanto, o atual equilíbrio dos mercados parece ser extremamente instável, na visão da gestora, uma vez que há riscos no cenário macroeconômico, geopolítico e na própria pandemia de coronavírus.

“Embora haja razão e motivos para os preços dos ativos financeiros continuarem a subir, acredito que seja hora de pensar em comprar guarda-chuva em dia de sol”, escreveu a SPX.

A avaliação é de que, quando os preços dos ativos superarem o valor do fundamento em demasia e os investidores começarem a se desfazer de suas alocações, “a porta de saída será estreita para todos partirem ao mesmo tempo”.

Juros baixos impulsionam ações

Apesar da visão cautelosa, os gestores da SPX avaliam também que a melhora no fronte político, somada à ampla liquidez, às medidas de auxílio emergencial e aos juros baixos, deve permitir uma evolução nas projeções para o PIB brasileiro em 2020.

Com isso, a expectativa da casa é de que o Banco Central corte a Selic em 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em agosto, encerrando assim o ciclo de quedas, com a taxa básica em 2% ao ano.

No fundo SPX Nimitz, que apresentou ganho de 1,24% em junho, ante variação de 0,22% do CDI, a casa continua sem posições relevantes direcionais, mas está atuando na parte intermediária da curva de inflação implícita, se aproveitando da inclinação nos juros nominais. No ano, o multimercado sobe 3,0%, também acima da variação de 1,76% do benchmark.

De acordo com a gestora, o juro nominal baixo continua influenciando positivamente a entrada de recursos em Bolsa, sem ainda nenhum sinal de mudança na direção no curto prazo.

Enquanto em seu fundo multimercado a SPX possui pequenas posições “vendidas” (com aposta na queda) na Bolsa brasileira contra as de mercados emergentes asiáticos, por considerar serem menos afetados no curto prazo, nos fundos de ações da casa, a opção foi por manter a posição comprada neutra nos setores financeiros, de utilities, commodities e consumo.

Em junho, o fundo SPX Patriot rendeu 6,83%, o SPX Apache, 6,79%, e o SPX Falcon, 4,49%. No período, o benchmark IbrX-100 (dos primeiros dois fundos) e o Ibovespa subiram 8,97% e 8,76%, respectivamente.

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