Small caps, dividendo, ESG: os ETFs que ganharam com folga do Ibovespa no 1º semestre

Estudo mostra que os 10 principais ETFs tiveram ganhos superiores a 25% nos seis primeiros meses do ano

Lucas Gabriel Marins

Ativos mencionados na matéria

(Foto: Pixabay)
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O primeiro semestre de 2025 foi marcado por turbulências nos mercados, com fatores internos e externos – como as novas tarifas propostas por Donald Trump – elevando a aversão ao risco. Ainda assim, alguns ETFs (fundos de índice) conseguiram se destacar, com desempenhos que chegaram a mais que o dobro da valorização do Ibovespa no período.

É o que mostra um estudo da Quantum Finance, compartilhado com o InfoMoney. Segundo o levantamento, os 15 principais ETFs tiveram ganhos superiores a 20% nos seis primeiros meses do ano. O destaque do ranking foi um fundo que acumulou valorização de 36%. No mesmo intervalo, o Ibovespa subiu 15%.

Entre os líderes de performance está o TRIG11, ETF que replica o índice Teva Ações Micro Caps. O fundo busca refletir o retorno de uma carteira composta pelas empresas de menor capitalização da bolsa – especificamente aquelas que compõem os 5% com menor valor de mercado.

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Segundo Werner Roger, CIO da Trígono Capital, gestora do fundo, o desempenho fundo está ligado ao perfil das empresas da carteira, especialmente as de tecnologia.

“O TRIG11 investe apenas em empresas com valor de mercado superior a R$ 300 milhões, excluindo as nanocaps. Também são eliminadas da carteira empresas com patrimônio líquido negativo. Assim, o ETF realiza lucros vendendo os papéis que subiram e compra os que caíram, independentemente do motivo.”

Outros ETFs que aparecem entre os mais rentáveis são o SCVB11, também voltado a small caps brasileiras, e o BDO11, que investe em 90 empresas com mais de 50% da receita proveniente do mercado interno. Ambos são geridos pela Investo.

Danilo Moreno, especialista de ETFs da Investo, atribui o bom desempenho a uma combinação de fatores internos e externos. Ele lembrou que, no início do ano, o mercado projetava um cenário adverso, com dúvidas sobre a política fiscal e uma curva de juros pressionada – mas parte dessas preocupações não se concretizou.

“Ao longo do primeiro semestre, o Brasil surpreendeu positivamente, com pequenos avanços na agenda fiscal e melhora na percepção de risco. Esses fatores, somados a um ambiente internacional mais favorável para mercados emergentes, contribuíram para um fluxo relevante de capital estrangeiro para a bolsa brasileira.”

Além dos ETFs ligados a empresas menores, a lista de destaques também inclui fundos focados em dividendos, em futuros de commodities e até produtos financeiros com foco em ESG, segmento que vinha enfrentando resistência nos últimos meses.

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Veja tabela completa:

NomePatrimônio Líquido*Retorno**
Trg Smic Capci (TRIG11)R$ 22.046.452,2636,69%
It Now Ifnc Ci (FIND11)R$ 194.786.302,5031,36%
Ishares Ecoo Ci (ECOO11)R$ 37.212.846,3529,53%
B-Index Morningstar Setores Defensivos Brasil Fundo De Índice (BDEF11)R$ 125.967.703,9627,00%
Ishares Smal Ci (SMAL11)R$ 2.008.217.753,1026,85%
Nuibovhighbtci (HIGH11)R$ 8.996.376,4926,64%
It Now Smallci (SMAC11)R$ 203.602.697,2026,58%
Investo Marketvector Brazil Domestic Exposure Etf (BDOM11)R$ 11.659.840,9025,91%
BTG Smll Capci (SMAB11)R$ 9.705.509,0525,82%
BTG Div Realci (TIRB11)R$ 3.537.342,5325,58%
It Now Ise Ci (ISUS11)R$ 15.010.739,2025,34%
BB ETF Índice Futuro de Boi Gordo B3 Fdo de Índice (BBOI11)R$ 48.849.713,8924,68%
Investo Marketvector Brazil Small Cap Value ETF – (SCVB11)R$ 5.184.802,4823,17%
ETF ESG BTG Ci (ESGB11)R$ 10.797.363,6523,16%
B-index Morningstar Brasil Pesos Iguais fundo de índice (BREW11)R$ 68.623.588,2922,43%
Fonte: Quantum Finance
* Data de corte: 11/07/2025
** Entre 2/1/2025 e 30/6/2025

Riscos e cuidados

Assim como qualquer produto financeiro, os ETFs também envolvem riscos. Segundo Moreno, é essencial que o investidor compreenda bem o índice que está sendo replicado, sua metodologia e composição, para garantir que o fundo esteja alinhado aos seus objetivos.

Outro ponto de atenção, afirmou ele, são os custos – tanto os explícitos (como taxa de administração) quanto os implícitos (como spread de compra e venda), especialmente em ETFs que investem em outros ETFs.

Além disso,disse, é importante lembrar que a volatilidade pode variar entre os diferentes fundos, e que fatores como concentração setorialvariação cambial (em ETFs internacionais) e regras tributárias também devem ser considerados na escolha.

“Por isso, entender o próprio perfil de risco e os objetivos de investimento é fundamental para tomar decisões mais assertivas”, disse.