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Selic sobe, juros nos EUA estacionam: onde investir no exterior?

Investir lá fora permite acesso a mercados e setores não disponíveis localmente, segundo especialistas

Lucas Gabriel Marins

Ativos mencionados na matéria

Notas de dólar (Foto: REUTERS/Murad Sezer)
Notas de dólar (Foto: REUTERS/Murad Sezer)

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As recentes decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos podem desestimular investidores brasileiros a buscar oportunidades no exterior. Afinal, por que alocar capital lá fora, especialmente em renda fixa, se os investimentos domésticos estão tão atrativos? A resposta está na diversificação, segundo especialistas.

Jeff Patzlaff, planejador financeiro CFP e especialista em investimentos, disse que investir no exterior permite acesso a mercados e setores não disponíveis localmente, além de mitigar riscos específicos do país, como instabilidades políticas ou econômicas.

“A diversificação geográfica pode proteger o portfólio contra flutuações adversas na economia brasileira além de oferecer oportunidades de crescimento tanto em economias emergentes quanto desenvolvidas, sem falar que investimentos em moeda forte, como o dólar, rendendo 4-5% ao ano são extremamente interessantes”.

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Renda fixa americana


Os Treasuries (equivalente aos papéis do Tesouro Direto brasileiro) são os mais recomendados pelos especialistas. O rendimento do título do Tesouro dos EUA de 10 anos, por exemplo, chegou a flertar com os 5% recentemente. Atualmente, a taxa está na casa dos 4,5%. Bem menor do que no Brasil, onde o rendimento do Tesouro Prefixado 2031 está acima dos 15%.

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Onde Investir no 2º semestre

José Maria, coordenador de estratégia da Avenue, lembrou que, apesar do diferencial de juros favorável ao Brasil, as taxas americanas continuam elevadas em um contexto histórico. “Desde a crise financeira de 2008, não víamos juros tão altos. Tivemos uma década e meia de juros muito baixos, e hoje as taxas continuam bastante atrativas, principalmente para prazos médios e longos”.

O especialista também disse que a comparação entre os retornos em diferentes moedas deve ir além das taxas nominais. “Comparar 5% em dólar com 10% ou 15% em real não é a mesma coisa. Até porque o ano passado a gente viu 27% de desvalorização cambial que basicamente compensou a questão do risco país, por assim dizer”, disse.

E a divida corporativa gringa?


A dívida corporativa pode ficar atrativa em 2025, sugeriu a gigante BlackRock no final de 2024. Esse mercado, no entanto, requer um nível maior de atenção do investidor, pois o risco de contraparte (crédito) e liquidez é superior se comparado aos títulos públicos federais, disse Claudio Pires, sócio-diretor da MAG Investimento.

“A escolha de boas empresas e a análise criteriosa de sua saúde financeira e capacidade financeira é mais importante que o nível de taxa de juros oferecida”, afirmou. No caso dos prazos dos títulos escolhidos (tanto governamentais como corporativos), segundo ele, os investidores “menos avessos à volatilidade e com um melhor planejamento financeiro podem optar por prazos mais longos”.

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Renda variável

Bolsa americana se mantém atrativa, segundo os analistas. Mariana Conegero, especialista em investimentos e sócia da The Hill Capital, disse que vale a pena olhar para ações de companhias de tecnologia e inteligência artificial. “Grandes empresas, como Nvidia (NVDC34), Microsoft (MSFT34) e Alphabet (GOGL34), continuam expandindo suas receitas com IA generativa e computação em nuvem”.

Para quem quer diversificação em renda variável, segundo Mariana, ETFs (fundos de índice) como o QQQ, que acompanha o índice Nasdaq, e o XLK, que busca replicar o desempenho do setor de tecnologia do S&P 500, também podem ser boas escolhas. Já ETFs globais, como o VT, focado em empresas do mundo, e fundos de mercados emergentes, como o EEM e o INDA (da Índia), podem “ajudam a mitigar riscos regionais e capturar o crescimento mundial”, disse.

Dólar

José Maria, da Avenue, acredita que a exposição à moeda norte-americana é essencial para reduzir a volatilidade cambial, independentemente do momento do mercado. “O dólar não é caro nem barato, ele deve estar sempre presente na carteira dos brasileiros”, afirmou.

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Para ele, a especulação sobre o câmbio é pouco produtiva. “Há alguns meses, quando o dólar estava em R$ 5,50, muitos achavam que era caro. Agora que caiu para R$ 5,90, já dizem que está barato e que é hora de comprar. Isso mostra como as percepções variam, mas o mais importante é manter uma exposição constante à moeda”.