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Para alguns especialistas, a queda dos juros no Brasil deve ser mais lenta do que o mercado previa inicialmente — ainda assim, a avaliação é de que o ciclo segue positivo para ativos de renda variável, embora com mais volatilidade no curto prazo.
Durante o FII Experience, realizado na última semana de março no Cubo Itaú, em São Paulo, economistas e gestores destacaram que o ambiente global, marcado por conflitos geopolíticos e pressão sobre commodities como o petróleo, trouxe incertezas adicionais para a condução da política monetária.
Para Brunno Bagnariolli, CIO da estratégia imobiliária da JiveMauá, o mercado antecipou uma queda mais intensa dos juros do que a que deve se concretizar. O efeito imediato disso foi uma correção nos preços dos fundos imobiliários, após um período de valorização sustentado por expectativas mais otimistas.
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Bagnariolli compara o episódio a um “paredão falso”, indicando que o ajuste abre novas oportunidades de entrada, já que os fundamentos permanecem sólidos.
“O que gerou dúvidas é realmente o cenário externo. A gente não sabe ainda a magnitude dos efeitos desse choque”, acrescenta Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.
Apesar disso, ele destaca que o Brasil ainda apresenta condições domésticas para cortes adicionais na Selic. “A gente acredita que o Banco Central consegue ainda cortar juros”, disse, ponderando que o ritmo deve ser mais moderado no curto prazo.
“A gente acredita que o Banco Central consegue ainda cortar juros. A gente segue um corte de 0,25 na próxima reunião em abril. Depois, volta a cortar 0,5 e encerra o ano em 12,5. A gente não muda a nossa taxa terminal”, diz Sung.
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Crédito imobiliário é resiliente, diz JiveMauá
Apesar desse cenário macro mais desafiador, o crédito imobiliário é visto como resiliente. Segundo Bagnariolli, da JiveMauá, trata-se de uma classe de ativos com boas garantias e estrutura, capaz de atravessar períodos adversos sem deterioração relevante.
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“Mesmo que um inquilino enfrente dificuldades, há a possibilidade de substituição, o que reduz o risco estrutural da operação”, explica.
Ele compara o segmento a um “transatlântico”, que suporta oscilações de curto prazo, diferentemente de ativos mais sensíveis. Mesmo diante de choques recentes, como a pandemia, o mercado mostrou capacidade de adaptação.
“Esse mercado já atravessou crises até mais severas, como a própria Covid, que impactou diretamente os imóveis. A diferença agora é que o choque não atinge os ativos em si, mas os inquilinos e as empresas. É um cenário muito mais ligado a juros mais altos, especialmente atrelados ao CDI”, diz.
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