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Segurança e renda em dólar: veja os melhores bonds para investir em 2026

Especialistas indicam preferência por títulos do Tesouro dos EUA, crédito de alta qualidade e securitizados em um ano de juros ainda elevados e cortes graduais; veja recomendações

Paulo Barros

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Depois de um 2025 de ganhos amplos na renda fixa, especialistas veem 2026 como um ano ainda favorável para investimentos em bonds, ou seja, a renda fixa internacional. Nesse ano, no entanto, defendem uma mudança de foco da queda forte de juros para qualidade, previsibilidade e renda recorrente.

O cenário-base traçado por grandes bancos combina crescimento moderado da economia americana, inflação ainda acima da meta e cortes de juros mais contidos pelo Federal Reserve. A expectativa dominante é de que os juros fiquem relativamente estáveis por boa parte do ano, com ajustes pontuais, o que muda a lógica de retorno dos títulos.

consenso em torno do crédito de alta qualidade, o chamado grau de investimento. A leitura é que empresas continuam emitindo dívida em volumes elevados, o que pode pressionar spreads, mas partindo de um nível de fundamentos ainda sólido. O JPMorgan estima uma abertura moderada desses spreads ao longo de 2026, o que reforça a preferência por emissores mais robustos.

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Essa busca por qualidade aparece também nas recomendações da Vanguard. A gestora afirma que bonds de alta qualidade “voltaram de vez”, oferecendo retornos reais atrativos em um mundo de juros estruturalmente mais altos. Segundo a casa, “essa é a principal razão pela qual os bonds estão de volta, independentemente do que os bancos centrais façam em 2026”.

A Charles Schwab recomenda foco em crédito de qualidade, vencimentos intermediários e atenção ao impacto da inflação, citando bonds municipais, ao lado das TIPS (as NTN-Bs dos EUA), como alternativas que devem ganhar espaço na carteira.

Na XP, a visão é de cautela com renda fixa global, diante dos prêmios de crédito abaixo da média histórica. A casa recomenda uma abordagem seletiva, com preferência por fundos, e duration média próxima de quatro anos, para mitigar a volatilidade na curva de juros americana.

Securitizados

Outro bloco que ganha destaque são os títulos securitizados, como MBS (lastreados em hipotecas) e ABS (ligados a crédito ao consumo, como cartões e financiamento de veículos). Em uma comparação com o mercado brasileiro, eles seriam equivalentes a recebíveis.

A avaliação é que esses papéis oferecem bom equilíbrio entre risco e retorno, com spreads ainda interessantes e fundamentos considerados estáveis.

Segundo espaçistas, as hipotecas devem ter desempenho melhor do que bonds corporativos em alguns momentos do ano, enquanto ABS ligados a crédito estudantil e financiamento de automóveis aparecem como oportunidades pontuais. A expectativa, no entanto, não é de ganhos extraordinários, mas de retornos positivos sustentados pelo carrego.

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Fuja do high yield

O investidor que busca mais rendimento encontra oportunidades também em crédito de maior risco, como high yield e mercados emergentes. As projeções, no entanto, indicam spreads historicamente baixos e maior sensibilidade a choques macroeconômicos, o que exige seletividade e tolerância à volatilidade.

A Morningstar reforça esse ponto ao lembrar que, apesar do bom desempenho recente de segmentos mais arriscados, Treasuries continuam sendo o principal instrumento de diversificação das carteiras. Em um de seus relatórios, a casa destaca que “durante quedas fortes do mercado de ações, os títulos do Tesouro historicamente se valorizaram”, mesmo após o episódio atípico de 2022.

Treasuries

Além do crédito, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos seguem como peça central das carteiras. A avaliação de especialistas é que, mesmo com o aumento da dívida pública americana, os Treasuries continuam oferecendo rendimento atrativo e, principalmente, proteção em momentos de estresse. A expectativa é que os juros dos papéis de 10 anos devem oscilar em torno de 4% a 4,5% ao longo de 2026, sem um movimento claro e contínuo de queda.

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O JPMorgan afirma esperar “juros em uma faixa limitada nos próximos meses”, com a recomendação de evitar exposições muito longas e privilegiar posições mais defensivas no início do ano. O banco projeta dois cortes de juros no começo de 2026, mas destaca que a inflação “segue resistente”, o que limita um ciclo mais agressivo de afrouxamento monetário.

Isso significa que boa parte do retorno tende a vir do cupom, ou seja, o rendimento pago pelo título, e não da valorização do preço no mercado. Em outras palavras, carregar o bond passa a ser mais importante do que tentar acertar o melhor momento de compra e venda.

Confira os melhores bonds para investir em 2026

Classe de AtivoRecomendaçãoObservações
Treasuries (EUA)Vencimentos curtos e intermediáriosFoco em cupom e proteção; evitar duration longa
Crédito Investment GradeEmpresas de alta qualidadeSpreads podem abrir; retorno via carrego
MBS de AgênciasPosição estruturalExpectativa de desempenho melhor que corporates
CMBS de Agências (5 anos)Compra seletivaBoa relação risco-retorno
ABS SenioresStudent loans e auto loansSpreads atrativos e fundamentos estáveis
CLOs AAAAlocação defensivaAbertura moderada de spreads esperada
MunicipaisIntermediário e longo prazoAtrativos após impostos; foco em alta qualidade
TIPSProteção inflacionáriaJuros reais ainda positivos
EmergentesExposição seletivaPreferência por moeda local e fundamentos sólidos

Fonte: Morningstar, Charles Schwab, JPMorgan, Vanguard e Fidelity

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)