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A empresa de serviços portuários e logística Santos Brasil (STBP3) tem sinalizado que entrará em uma fase diferente do negócio, focada na geração de caixa – o que deve respingar também na sua distribuição de dividendos, na visão dos analistas da XP.
Em um evento com investidores realizado nesta semana, o presidente da empresa, Antonio Carlos Sepúlveda, afirmou que a Santos Brasil entrará “em uma era de pagamento de dividendos”. “Ou você agrega valor ao negócio ou você paga dividendo”, disse. “Acho possível M&A [fusões e aquisições] em projetos que vão acontecer, que estamos estudando, mas somos muito exigentes”.
Operadora do Tecon Santos, maior terminal de contêineres da América Latina, no Porto de Santos (SP), a companhia não era tida como tradicional pagadora de dividendos. Entre outubro de 2017 e o mesmo mês do ano passado, seu dividend yield (taxa de retorno com dividendos) variou entre zero e 0,24% ao ano. Nos últimos 12 meses, no entanto, o retorno com proventos saltou para 10%.
Viva do lucro de grandes empresas
Em setembro, a Santos Brasil anunciou o pagamento de R$ 325,5 milhões em dividendos, dos quais R$ 186,5 milhões se referiam ao balanço da empresa no primeiro semestre de 2022 e outros R$ 140 milhões tinham como origem a conta de reserva de lucros.
Em relatório, os analistas Pedro Bruno e Lucas Laghi, da XP, destacaram que a empresa possui “grande espaço para o pagamento de dividendos”, dada a sua baixa alavancagem financeira (endividamento) e a gestão seletiva na avaliação de oportunidades de novos negócios.
Os analistas destacaram que a dinâmica positiva de oferta e demanda dos terminais de contêineres deve permanecer no longo prazo, o que, em outras palavras, significa que a alta utilização da capacidade de operação das empresas do setor deve permitir que realizem aumentos adicionais de margem de ganhos. Para eles, o foco estratégico na rentabilidade – não apenas nos principais negócios da empresa, mas também na alocação de capital – também é um fator positivo.
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Segundo o relatório, o planejamento estratégico apresentado durante o evento com investidores ressalta que a administração da empresa prevê crescimento significativo à medida em que executa um plano de expansão de capacidade de movimentação – de até 3 milhões de TEUs (contêineres de 20 pés) – enquanto eleva sua margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), medida de geração de caixa operacional.
Os analistas também afirmar ver com bons olhos o fato de a gestão apostar no crescimento orgânico – mais rentável do que os planos anteriores, de crescer via aquisição de empresas – do segmento de logística portuária integrada. “Este segmento passou por etapas antes de atingir seu status atual. Primeiro, tornou-se uma unidade de negócios com os processos relacionados necessários, para então escalar organicamente para o nível atualmente relevante”, diz o relatório.
Fora isso, também chama atenção dos analistas a operação do Terminal de Granéis Líquidos, no Porto de Itaqui, no Maranhão, negócio mais recente da Santos Brasil. Sua capacidade inicial, de 50.000 m³, pode atingir 190.000 m³ até 2026. “A administração prevê um modelo de contrato de 80% a 90% das receitas em taxas fixas mensais de armazenamento e de 10 a 20% em encargos variáveis adicionais onde a Santos Brasil está alinhada com a base de clientes para agregar eficiência à operação”, diz o relatório.
Tais premissas, dizem os analistas, levam a uma expectativas de receita líquida de R$ 120 a R$ 160 milhões após 2026 nessa operação.
“A administração destacou que uma estrutura de capital ideal envolve um nível controlado de alavancagem financeira”, diz o relatório. O teto mencionado pelos executivos durante o evento seria de uma dívida líquida equivalente a até 2 vezes o Ebitda.
“Como mera análise de sensibilidade, observamos que cada 1 vez de alavancagem adicional até 2023, traduz-se em 14% de potencial de rendimento de dividendos, adicionando conforto à nossa visão positiva para as ações e tornando os investidores potencialmente menos dependentes da reavaliação de múltiplos no médio e longo prazo”, apontam os analistas.