Risco: como superar essa barreira?

Muitas pessoas não investem porque têm medo de correr riscos, esquecendo-se de que não investir é o maior risco que podem correr

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SÃO PAULO – Boa parte das pessoas não investe porque teme correr riscos. Mas, a verdade é que não existe maior risco para a sua saúde financeira do que a
inércia
. Deixar o tempo passar e ficar esperando o momento correto para começar a planejar o seu futuro financeiro é o maior risco que você pode correr.

Comece tomando consciência de que não há como evitar, por completo, o risco. Ele está por aí. Não se esconde apenas no mercado financeiro, mas está à espreita em todos os momentos da sua vida. Afinal, viver implica em riscos, e nem por isso você deixa de fazer o que gosta, não é?

Portanto, se você já aprendeu a lidar com esta realidade da vida, como explicar que não consiga superar o medo de correr riscos ao investir? Não se iluda, até mesmo os grandes investidores, em algum momento, tomaram decisões erradas, e perderam dinheiro.

Questão não é eliminar, mas gerenciar

A questão não é evitar por completo que isso aconteça, pois não é possível, mas aprender a
gerenciar os riscos
, de forma a minimizá-los.

E, para quem acredita que não está correndo risco ao investir na poupança, vale a lembrança: no longo prazo é provável que o retorno da poupança não supere a inflação, ou fique bastante próximo dela. Na prática isso significa que, ao investir na poupança, você corre o risco de não
juntar o suficiente
para se aposentar.

No momento em que você entender que não há risco zero, nem mesmo na poupança, terá dado o primeiro passo na superação do seu medo de investir. Isso não quer dizer, em absoluto, que o fato de não poder eliminar o risco significa que você deve ignorá-lo por completo.

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As duas faces do risco

Agora que você se conscientizou da existência do risco, saiba que nem sempre ele é ruim. Vejamos, por exemplo, o caso de uma pessoa que decide trocar de emprego. Ninguém nega que esta pessoa corre um risco.

Ao tomar esta decisão a pessoa pode ter experiências positivas, ou negativas. As positivas de aprender novas coisas, conhecer novas pessoas podem, ou não, compensar as ruins, a incerteza de um novo emprego.

Daí o porquê, quando se fala de risco, é importante avaliá-lo no contexto das vantagens e desvantagens que esta decisão pode lhe trazer. Em investimento, é comum dizer que
risco e retorno
andam de mãos dadas. Porém, nunca é demais lembrar que ao correr um risco maior você não tem garantia de que seu retorno será maior, apenas tem uma probabilidade maior de que isso aconteça.

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Informe-se e entenda o risco

Não há nada como a informação e a educação para ajudar a dissipar nossos medos. Quem já não ouviu falar que a melhor forma de derrotar um inimigo é saber tudo sobre ele? Pois bem, se o medo de risco é o que impede você de começar a investir, procure entender a natureza deste risco. Desta forma, conseguirá estabelecer uma estratégia que minimiza o seu risco, o que certamente lhe trará maior tranqüilidade.

Voltando ao exemplo da troca de emprego. Avalie qual o risco da sua decisão: você pode não se adaptar e ser forçado a mudar de emprego novamente, a nova empresa pode quebrar e aí você fica sem emprego etc. A melhor forma de diminuir as chances de que isso aconteça (ou seja, reduzir o seu risco) é obter o máximo de informação possível da nova empresa. O mesmo princípio vale para investimentos: você precisa entender o risco embutido nas aplicações financeiras se quiser minimizá-los.

Avalie o seu perfil de risco

Todos nós queremos o maior retorno para o menor risco possível. Mas, a verdade é que a percepção de risco não é a mesma para todos nós. Cada pessoa tem uma tolerância distinta, a qual chamamos perfil de investimento.

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Além da tolerância ao risco, o
perfil de investidor
também avalia a sua capacidade de assumir riscos. Muitas pessoas podem até estar dispostas a isso, mas a sua situação financeira não permite, pois não têm uma reserva para emergências. Mas, não se esqueça, com o passar do tempo, é preciso rever sua estratégia, o que exige uma nova reflexão sobre o risco.

Não é difícil entender que uma pessoa jovem, sem filhos, que está começando a poupar, pode correr mais risco do que alguém que está a 10 anos de se aposentar e ainda não quitou o financiamento da casa própria.

Diversificação é melhor opção

Diversificar significa colocar o seu dinheiro em aplicações distintas: ou os ovos em várias cestas. Mas, existem limites.
Diversificar
demais para quem tem pouco dinheiro pode implicar em custos excessivos: lembre-se que as taxas de administração são maiores nos fundos com aplicação menor. E, para quem tem muito, pode dificultar a gestão. Voltando às cestas, já imaginou o trabalho de carregar 10 cestas ao mesmo tempo?

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Outro cuidado é o de escolher aplicações que sejam efetivamente distintas. Aplicar em poupança e fundo DI não é diversificar: o risco a que você se expõe é o mesmo. Na dúvida procure ajuda especializada.

Por último, não se esqueça: não há como fazer o seu patrimônio crescer de forma adequada sem correr riscos. E, como o seu futuro financeiro depende cada vez mais de você, é importante que supere esta barreira. Lembre-se: errar faz parte do aprendizado.