Publicidade
SÃO PAULO – Lidar com uma situação de perda é frustrante em qualquer aspecto da vida humana e, claro, não poderia ser diferente quando o assunto é dinheiro.
De acordo com a psicanalista Vera Rita de Mello Ferreira, representante no Brasil da Iarep (International Association for Research in Economic Psychology), para evitar qualquer situação de frustração e desprazer, o ser humano toma atitudes imediatistas, sem avaliar suas conseqüências. Para ela, essa necessidade de satisfação imediata pode ser um grande problema para as decisões financeiras.
Abaixo do esperado
Pesquisa da Universidade de Iowa sobre o comportamento do investidor em diferentes idades mostra que, quando suas aplicações não apresentam o resultado esperado, a atitude mais tomada é sair do investimento.
Segundo o estudo, a atitude é tomada, principalmente, pelos investidores mais jovens, entre 20 e 39 anos, dos quais 53,6% disseram que fariam isso. Entre aqueles com idades entre 40 e 59 anos e aqueles com 60 anos ou mais, o percentual para a mesma resposta foi de 49,5% e 46,4%, nesta ordem.
Os dados servem para ilustrar a definição de Vera Rita para o comportamento do investidor diante da sensação de perda. “Ele segue apenas o impulso, sem avaliar de forma detalhada possíveis chances de recuperação”.
Para ela, muitas vezes as pessoas preferem se iludir para tentar encontrar uma satisfação momentânea e evitar uma frustração, que também poderia ser passageira.
Continua depois da publicidade
Pesquisa
A tabela abaixo mostra, em detalhes, as ações tomadas “sempre” ou “freqüentemente” pelos investidores diante de um resultado abaixo do esperado em uma aplicação.
| 20 a 39 anos | 40 a 59 anos | 60 anos ou mais | |
| Sair do investimento | 53,6% | 49,5% | 46,4% |
| Buscar um consultor | 26,7% | 30% | 42,3% |
| Rever aplicações | 22,8% | 21,7% | 31,5% |
Fonte: Age Differences in Investment Behavior (Iowa State University)
Racionalidade limitada
De acordo com a psicanálise, o ser humano é frágil, precário e limitado e, por mais difícil que seja, o primeiro passo para tentar buscar decisões mais racionais é admitir essas características.
Para Vera Rita, a partir do momento que a pessoa sabe que corre o risco de agir de forma precipitada, por conta de um fator emocional, ela tem mais chances de reverter a situação. O importante é saber avaliar a situação, manter-se informado e ter em mente que algumas coisas que representam desprazer no curto prazo podem, lá na frente, resultar em uma satisfação bem maior.