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Tenho R$ 150 mil e quero ter segurança e boa rentabilidade; como devo investir?

Assessor explica cenário e melhores opções para o investidor conservador

Dinheiro - notas de 100
(Shutterstock)

SÃO PAULO – Um leitor do InfoMoney disse que possui R$ 150 mil e quer investir para ter retiradas mensais daqui a seis meses. Para isso, ele gostaria de saber quais investimentos podem garantir segurança e boa rentabilidade neste momento, visto que estará desempregado no próximo semestre.

Partindo do pressuposto que o leitor possui um perfil de investidor conservador, Daniel Zamboni, assessor de investimentos na Br Investe, afirma que é fundamental que ele tenha um plano bem definido, de forma a determinar quanto precisará mensalmente a partir dos meses em que ficará sem emprego. “Se a pessoa souber a quantia que vai precisar mensalmente, ela pode diversificar a carteira, aplicando parcialmente o dinheiro que terá que retirar todo mês em algo com maior liquidez, e aquele que poderá ficar mais tempo na carteira para render mais”, explica.

Segundo Daniel, o melhor a se fazer é investir em algo que tenha isenção de Imposto de Renda, já que aplicações financeiras com prazo de menos de dois anos sofrem uma alíquota de IR de até 22%. Boas opções podem ser encontradas em LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) e LCI (Letra de Crédito Imobiliário), que são aplicações isentas de IR, têm liquidez, são cobertas pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito) e, mesmo resgatando em um período curto de tempo (de 3 ou 6 meses), não vão comprometer tanto a rentabilidade do investidor.

Ele explica que os fundos multimercados, que antes eram uma ótima aposta, já não estão rendendo tão bem quanto antes e, que para quem é conservador, não é interessante se expor a eles. “De um mês para cá a economia mudou bastante, os juros nos EUA estão subindo e a perspectiva econômica é de que comecem a subir aqui também em um futuro mais próximo do que a maioria acreditava”, diz. E completa: “Os multimercados renderam muito bem com a queda da taxa Selic, mas vemos historicamente que não rendem tão bem em cenários de alta da taxa – e como a expectativa do mercado é de alta, é melhor buscar opções que não sofram tanto”.  

Visto este cenário, os CDBs são opções interessantes que, além de terem também a proteção do FGC, vão se beneficiar com a alta dos juros, “desde que a pessoa planeje o dinheiro que não vai precisar no curto prazo”, explica o assessor. Com um plano bem traçado, o investidor pode conseguir rentabilidades de 120% do CDI em CDBs pós-fixados, por exemplo.

Há oportunidades também nos prefixados, segundo Zamboni. “Tem CDB prefixado que antes pagava 7,5% ao ano e hoje paga 11% a.a.” É válido apontar, porém, que não é um investimento tão conservador e que o investidor está exposto ao risco de oportunidade: “É preciso tomar cuidado com CDB prefixados que são muito longos. Eles subiram bastante, mas o investidor corre o risco de travar uma taxa que daqui uns meses pode estar mais alta (cerca de 14% – 15% a.a.) ”, diz.

Perfis mais arrojados

Zamboni conta que há investimentos mais sofisticados, como o CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio). “Eles não contam com FGC, mas a rentabilidade é expressivamente maior – e para pessoa física há isenção de IR”, diz.

Ele cita o CRA do Burger King, com vencimento em 2020, que é pós-fixado e paga 100% do CDI. Considerando que o CRA é isento de IR, a rentabilidade seria equivalente a um CDB de 118% do CDI, explica, “uma excelente taxa em dois anos em relação às encontradas em CDBs desse mesmo período”.

Essa opção de investimento, porém, só está disponível para o investidor qualificado, ou seja, que possui R$ 1 milhão em ativos financeiros. “Embora vença em 2020, vemos no Brasil uma certa liquidez neste mercado, em que o investidor consegue sair antes do vencimento, apesar de não garantir a taxa”, explica.

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