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É possível driblar os juros baixos com investimentos conservadores; especialistas mostram como

O InfoMoney conversou com assessores de investimentos para descobrir as melhores opções para este cenário de baixos juros

Dinheiro com bandeira do brasil
(Shutterstock)

SÃO PAULO – Na noite da última quarta-feira (16) o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu pela manutenção da taxa de juros básica da economia, a Selic, em 6,50% ao ano. A taxa é o menor valor histórico no Brasil, o que faz com que o investidor tenha que se movimentar cada vez mais para encontrar melhores rentabilidades. Pensando nisso, o InfoMoney conversou com dois assessores de investimentos para entender as melhores opções para o investidor conservador neste cenário. 

Primeiro, é preciso entender como a queda das taxas de juros interfere nos investimentos de renda fixa. Isso acontece, porque a maior parte desses investimentos são pós-fixados e estão atrelados ou à Selic ou ao CDI (que também oscila muito próximo da Selic). É o caso do Tesouro Direto, com o título Tesouro Selic, e com os CDBs, LCIs e LCAs pós-fixados, que rendem um percentual do CDI.

Dessa forma, quando há uma mudança na taxa Selic a rentabilidade da renda fixa também é alterada. Com o aumento da taxa, aplicações atreladas à ela tendem a oferecer um melhor rendimento, e o mesmo acontece no cenário contrário, ou seja, com a queda da Selic a rentabilidade também é reduzida.

Daiane Reis, assessora de investimentos na Monte Bravo Investimentos, explica que neste cenário de juros baixos privilegiar aplicações isentas de Imposto de Renda ao investir em renda fixa é fundamental. Dentre essas aplicações, ela cita os CRAs (Certificado de Recebíveis do Agronegócio), que são aplicações de renda fixa atreladas ao agronegócio, isentas de IR, "com taxas super atrativas e na maioria das vezes, acima do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) - nossa referência na renda fixa". 

"Outra opção para o investidor conservador é o investimento em debêntures incentivadas, que também são isentas de IR, emitidas por grandes empresas do setor de infraestrutura que costumam oferecer boas taxas, ainda mais quando comparamos com os títulos do Tesouro Direto", explica a assessora. 

Para investidores de perfis mais moderados, Daiane indica pequenas exposições em outras aplicações que, apesar de terem mais risco de mercado, podem oferecer retornos acima da média, surfando na queda da taxa de juros. São elas: Fundos Multimercados e Fundos Multimercados Internacionais, através dos COEs (Certificado de Operações Estruturadas). 

Daiane explica que os fundos multimercados são aplicações que permitem aos investidores terem uma "cesta" de produtos, em que cada fundo possui a sua equipe de gestão e estratégias bem definidas, permitindo, por exemplo, o acesso a moedas, bolsas, juros, entre outros.

No caso dos fundos imobiliários, estes permitem aos investidores o recebimento de "aluguéis" mensais, como se fossem de fato proprietários de imóveis, que podem ser shopping centers, grandes galpões de logística, entre outros. "O destaque aqui é para esses juros/aluguéis mensais, também livres de imposto de renda, garantindo assim, ganhos acima do CDI aos investidores. É preciso estar atento, porém, ao fato de que esse mercado, como o de imóveis, sofre volatilidade, então é necessário estar alinhado com o cenário econômico", diz. 

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Já os fundos internacionais através de COEs são, segundo Daiane, uma boa opção para a diversificação do portfólio."Os COEs permitem o acesso ao mercado de forma global, evitando que todo o patrimônio fique concentrado no 'risco Brasil'. E na linha de fundos, temos a oportunidade de investir nos cinco principais fundos do mundo, alavancar esse retorno por mais de 3x e ainda ter o capital protegido caso tudo dê errado no cenário mundial", explica. 

O assessor de investimentos da Futuro Investimentos, Junior Jandir Reginatto, reforça o impacto da queda da Selic nas aplicações de renda fixa e afirma que o investidor que quiser mais rentabilidade terá que se mexer mais: “O movimento natural é que o investidor conservador se exponha mais, que busque produtos mais moderados e até arrojados, por terem melhor performance”.

Entre os produtos com maior potencial de retorno para o investidor  de perfil moderado neste cenário, Junior cita os fundos multimercados e também os COEs. “O COE é um produto interessante, porque possibilita ganhos maiores que a renda fixa e ainda, tem capital protegido”, diz.  E conclui: “É um investimento que faz sentido para a carteira do investidor”.

Criados em 2013, os COEs são investimentos que combinam a proteção da renda fixa com o rendimento da renda variável. E na renda variável ele pode estar atrelado a diversos tipos de investimentos, desde índices de ações (nacionais ou estrangeiros), moedas, juros, commodities e ações do mundo inteiro. Além disso, por serem ativos de "capital protegido", reduzem o risco de prejuízo na operação. 

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