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R$ 105 milhões da Mega-Sena renderiam um apartamento por mês

Se o dinheiro fosse investido em uma aplicação de renda fixa atrelada à Selic (taxa básica de juros), o rendimento seria maior do que na poupança

SÃO PAULO – A Mega-Sena vai sortear, nesta quarta-feira (19), um prêmio de R$ 105 milhões, um dos maiores da sua história. O valor, suficiente para resolver a vida financeira de qualquer um, renderia uma fortuna mesmo nas aplicações financeiras mais conservadoras.

Para se ter uma ideia, se algum apostador levar esta bolada sozinho e optar por investir tudo na caderneta de poupança – de longe uma das piores aplicações financeiras para uma quantia como esta – , ele receberia R$ 525 mil por mês (considerando a rentabilidade de 0,5% ao mês, com a TR em zero), suficiente para comprar um apartamento confortável em grandes cidades do país. Em um ano, o investidor da poupança já teria acumulado mais de R$ 6,4 milhões, segundo cálculos efetuados pelo sócio fundador da Soma Invest, Márcio Neubauer, a pedido do InfoMoney.

Já se o dinheiro fosse investido em uma aplicação de renda fixa atrelada à Selic (taxa básica de juros), o rendimento seria maior. Com a taxa básica no nível atual de 10,5% ao ano, um investidor que aplicasse os R$ 105 milhões em títulos do Tesouro Direto indexados á Selic (LFT) receberiam R$ 667,275 mil por mês. Em um ano, o rendimento seria de R$ 8,9 milhões.

Em uma aplicação como o CDB (Certificado de Depósito Interbancário), com retorno de 100% do CDI o investimento traria aproximadamente o mesmo retorno da LFT  – também levando em consideração a Selic em 10,5% ao ano.

É claro que com uma quantia tão alta, o ideal é diversificar as aplicações. Além disso, é preciso ter uma atenção especial com o risco de crédito da instituição. Se o banco “quebrar”, o investidor pode perder tudo o que investiu. Tanto o CDB quanto a poupança, a LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e a LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) possuem garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) em caso de quebra do banco, mas ela é limitada a R$ 250 mil por instituição financeira. Portanto, para quem tem tanto dinheiro (como os R$ 105 milhões da Mega-Sena), essa garantia seria insuficiente.

Neste caso, a aplicação mais segura seriam os títulos do Tesouro Direto, já que o risco de calote do governo é baixíssimo.

"O investidor deve diversificar o seu portfólio e não investir todo montante em um ativo somente. Isso pode melhorar o rendimento. O primeiro passo é ter consciência de que o dinheiro pode acabar. Existem vários casos de pessoas que ganharam e acabaram com tudo. Um exemplo é Michael Jackson:  teve ganhos 10 vezes maiores que este prêmio, mas quando morreu estava quebrado. E ainda jovem. O fundamental é dividir em ativos que podem ser usados (os de uso permanente) e os que vão gerar renda de acordo o perfil do cliente", aconselha Neubauer.

Para ele, mais importante que a alocação dos recursos,  é a identificação da gestão contínua e eventuais realocações dos ativos que estão na carteira. "Isto pode ser feito por um banco, por um gestor qualificado, ou pelo próprio investidor. Não raro isso fique com um private bank ou um gestor de fundos. É fundamental, no entanto qualquer que seja escolha do cliente, que haja a assessoria de um planejador financeiro de confiança para monitorar a gestão e evolução do portfólio. Um montante deste valor não justifica um family office, mas justifica sistemas de auditoria e performance das pessoas e instituições que administram estes recursos", conclui o especialista.


 

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