Renda fixa: taxa de administração de fundos cai 30% em oito anos

Segundo pesquisa da Anbid, quando analisados todos os tipos de fundos, taxas estão próximas do patamar norte-americano

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SÃO PAULO – Pesquisa realizada pela Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento) revela que a taxa de administração dos fundos de investimento de renda fixa caiu 30% nos últimos oito anos, chegando ao patamar das praticadas nos Estados Unidos.

O estudo, cujos dados foram divulgados na terça-feira (26), mostrou que a taxa média praticada no mercado brasileiro para os fundos de renda fixa, incluindo os chamados exclusivos, é de 0,80% ao ano, ante 0,79% nos Estados Unidos.

Para se ter uma ideia da queda das taxas de administração, as taxas cobradas nos fundos de renda fixa passaram de uma média de 3,01% ao ano em 2001, para 2,22% em 2007 e para 2,16% em 2008. “Os fundos mais novos têm taxas bem menores do que a média dos mais antigos”, afirmou o presidente da Anbid, Marcelo Giufrida.

Brasil x EUA

Quando considerados os fundos multimercados, por sua vez, a taxa de administração média brasileira é de 0,48% anuais (dados de dezembro de 2007), abaixo dos 0,78% anuais dos Estados Unidos.

Na categoria de fundos de ação, a taxa brasileira é de 1,33% e a norte-americana, de 1,02%.

Se não forem considerados os fundos exclusivos (para investidores qualificados), a média brasileira sobe para 1,09% na categoria de renda fixa, para 1,55% na de multimercados e 2,63% na de ações.

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Polêmica

Os fundos de investimento em renda fixa viram suas rentabilidades diminuírem com a queda da taxa básica de juro (Selic). Com isso, muitos investidores começaram a visar a poupança como alternativa, o que pressionou o governo a propor a taxação aplicações nas cadernetas acima de R$ 50 mil, a partir do próximo ano, caso a Selic se mantenha em um patamar abaixo de 10,5% ao ano.

Tudo isso coloca à tona a questão da taxa de administração dos fundos de investimento, que diminuem ainda mais a rentabilidade, em meio a um cenário de queda da Selic.

Quando da divulgação da tributação na poupança, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a queda da Selic pressiona os fundos de investimento a derrubar a taxa de administração cobrada dos aplicadores.

“A melhor forma de pressionar o fundo de investimento é a queda da Selic, que reduz a rentabilidade do investimento e a aproxima da poupança”, afirmou. “Só com isso, então, os administradores do fundo vão reduzir essa taxa, senão vão perder esses clientes para a poupança”, acrescentou.

Resposta

Na terça-feira (26), durante Congresso sobre fundos de investimento, o presidente da Anbid afirmou que “é preciso ressaltar que nossas taxas não são excessivamente altas. O que acontece é que normalmente se diz que o Brasil possui fundos com taxas de até tantos por cento, ao invés de se fazer uma média do valor cobrado”.

Giufrida disse, ainda, que é preciso derrubar o mito de que os rendimentos dos fundos são apenas a taxa Selic, menos a taxa de administração, menos a tributação.

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“Não funciona assim. O gestor não pega todo o dinheiro captado, aplica na Selic e vai dormir. Definitivamente não é assim. Hoje a parcela investida em títulos públicos é de apenas 40% do total aplicado em fundos. O gestor investe também em debêntures e CDBs, e isso falando só de renda fixa. Então, a rentabilidade dos fundos já seria maior que a Selic só pela incorporação das debêntures e CDBs que pagam mais que a taxa básica de juros. Além disso, os gestores são ativos e aplicam em papéis indexados ao IGP-M, IPCA, papéis de curto e longo prazo e pré-fixados. Essa gestão, na média, nos últimos 12 meses, está dando muito acima do CDI, mesmo com a crise”.