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SÃO PAULO – Os investimentos são divididos em duas “classes” principais de ativos: as aplicações de renda fixa e as de renda variável. De uma maneira simplista, os investimentos de renda variável são aqueles em que o valor principal aplicado pode sofrer variação negativa, ou seja, o investidor pode ter prejuízo com a aplicação. Já na renda fixa não existe rentabilidade negativa, mas os ganhos também costumam ser mais limitados do que no mercado de renda variável.
Mas quando o investidor deve priorizar a renda fixa e quando deve olhar mais atentamente para a renda variável? Segundo especialistas, diversos fatores devem ser levados em consideração na hora de decidir entre as duas classes de ativos.
Sócio ou credor?
O economista e professor de finanças Richard Rytenband ressalta que, quando compra uma ação, o investidor se torna sócio da empresa e, por isso, pode ganhar ou perder, dependendo do desempenho da companhia no mercado.
“Investir em ações significa que você pretende se beneficiar do lucro da empresa (por meio dos dividendos) e da valorização dos papéis da companhia no mercado”, aponta. Entretanto, é preciso lembrar que nem sempre a valorização acontece e o investidor corre o risco de perder parte do dinheiro aplicado.
Já ao optar pela renda fixa, o investidor se torna uma espécie de “credor” da instituição que emitiu aquele ativo. Por exemplo: quem compra um título público federal está, grosso modo, emprestando dinheiro para que o Governo realize seus projetos – em troca, ganha a rentabilidade mensal acordada. O mesmo acontece no caso do CDB (Certificado de Depósito Bancário), usado pelos bancos para captação de recursos.
Por isso, antes de optar por um tipo de aplicação ou por outro, é interessante se fazer esta pergunta: você pretende se tornar sócio e se beneficiar do crescimento da empresa – correndo risco dela não crescer e você ter prejuízo – ou quer se tornar credor e ter uma rentabilidade menor garantida todos os meses?
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Tempestade e bonança
O economista ressalta que o investidor deve priorizar os ativos de renda fixa em momentos em que a economia apresenta um quadro estável, sem grandes turbulências. “Nestes momentos, a renda fixa pode ser a melhor opção, porque muitos ativos de renda variável podem estar perto do seu valor real e por isso não oferecem tanta chance de ganho”, afirma.
Já em momentos de crise e fortes turbulências, é hora de começar a analisar mais de perto as empresas e comprar ações que possam estar subavaliadas pelo mercado. “Quando há uma forte crise, como aquela de 2008 ou a que estamos vivendo desde o ano passado, as ações ficam com preço muito abaixo do que elas realmente valem. Esta é a hora de comprar e montar o seu portfólio de renda variável”, aconselha Rytenband.
Segundo ele, o ideal é adquirir ações aos poucos, comprando mensalmente e fazendo o chamado preço-médio, para que a carteira fique bem equilibrada. Mas, para isso, é preciso ter dinheiro em caixa. “O grande segredo é você ter o dinheiro na hora que as ações desabam. Assim, você adquire ações mês a mês a preços bem abaixo do que elas deveriam valer” , explica.
Qual a melhor opção agora?
Para o diretor de investimentos da Lecca, Samy Balassiano, apesar da conjuntura econômica da zona do euro continuar desfavorável, este é um bom momento para aumentar a exposição em renda variável. “Com o problema de liquidez solucionado, é possível aumentar os investimentos em ativos mais voláteis, como a bolsa”, afirma.
Rytenband tem opinião parecida e ressalta que, com a queda na taxa de juros – a Selic foi reduzida para 9% ao ano na última reunião do Copom –, os investidores vão precisar arriscar cada vez mais para conseguir um retorno satisfatório.
“No começo do Plano Real, nós tínhamos uma taxa de juro real (descontada a inflação) que chegava a 20% ao ano. Com isso, o investidor conseguia dobrar seu capital em 4 anos. Atualmente, com uma taxa real de 3% ao ano, seriam necessários 24 anos para dobrar o capital apenas com os rendimentos”, diz. “O Brasil está mudando e acabou aquela ‘festa’ de altos rendimentos sem risco. Quem quiser um retorno maior vai precisar arriscar mais”, conclui.