Renda fixa: incertezas sobre inflação impactam negociação de títulos de longo prazo

A incerteza sobre a trajetória da inflação dificulta a consolidação de um ambiente de negócios com ativos de maior duration

SÃO PAULO – As incertezas sobre a inflação no longo prazo têm dificultado a negociação de ativos de renda fixa com prazo de vencimento mais longos, de acordo com a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

A entidade lembra que a trajetória dos preços este ano pode determinar os limites do afrouxamento monetário, iniciado pelo Banco Central em setembro do ano passado, com a redução da Selic, e que influencia diretamente na cotação dos ativos de renda fixa.

“A incerteza sobre a trajetória da inflação no longo prazo e, portanto, os limites do ciclo atual de redução dos juros dificultam a consolidação de um ambiente de negócios com ativos de maior duration”, disse a Anbima, por meio da publicação Panorama.

De acordo com a entidade, a sinalização feita na Ata do Copom, no final de janeiro, de que a Selic pode ser reduzida para um dígito em 2012 impactou positivamente nos ativos de prazo longo. “No entanto, as perspectivas positivas deste cenário não eliminam a percepção de que há riscos relevantes em um horizonte de mais longo prazo”, afirmou a Anbima.

Sinalização de juros menores
Segundo a Anbima, a Ata do Copom teve impacto imediato no mercado de renda fixa no final de janeiro, ajustando para baixo as taxas de títulos prefixados mais longos – correspondente a um aumento nos seus preços de mercado.

“Esse movimento levou à valorização da carteira de títulos prefixados acima de um ano. Apenas entre os dias 25 e 31/1, a carteira prefixada mais longa (IRF-M 1+) apresentou retorno de 0,88%, superior ao registrado até o dia 24 daquele mês (0,53%) e acima do desempenho da carteira mais curta (de até um ano) no período”, diz a entidade.

Entretanto, a Anbima também ressalta que, apesar desta valorização, a trajetória da parte mais longa da curva de juros revela as incertezas dos investidores em relação a este processo. “A elevação dos juros a termo de prazo longo expressa as dúvidas dos agentes quanto à perspectiva de que os juros nominais menores sejam acompanhados de expectativas de inflação mais baixas, resultando na exigência de maiores prêmios pelo risco de erro na projeção de inflação”, disse a Anbima.