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SÃO PAULO – Depois de apresentarem bons resultados nos últimos meses, os fundos classificados na Anbima (Associação Brasileira das Entidades de Mercados Financeiros e de Capitais) como Renda Fixa Índices registraram rentabilidade média negativa de 0,08% em junho.
Apesar de ser uma desvalorização pequena, muitos investidores se assustam ao constatarem rentabilidade negativa em seu fundo de renda fixa. E o motivo do sinal negativo é que muitos fundos renda fixa índices investem principalmente em títulos públicos atrelados à inflação, como as NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional – Série-B), que possuem uma volatilidade maior, podendo, até mesmo, apresentar perda no seu valor de face durante o prazo de vigência.
Como exemplo, suponhamos que o gestor do fundo compre uma NTN-B com vencimento em 2020 que ofereça rentabilidade de IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) mais 4% ao ano (esta taxa foi usada como exemplo, e pode ser maior ou menor dependendo do nível atual da Selic). Se o gestor permanecer com a aplicação até o final, a sua rentabilidade vai ser exatamente aquela que foi acordada.
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Entretanto, durante o período de validade deste título público, o seu valor de face oscila, influenciado pelas expectativas futuras de inflação e pela alta ou queda da taxa de juros, entre outros fatores. Se a Selic cai, o título costuma ter seu valor de face aumentado, e se a taxa básica sobe, o valor do título cai no mercado secundário. Isto acontece porque aquela taxa fixa (o cupom de juros) é baseada na Selic do momento da compra. Se a Selic cair, as pessoas vão aceitar pagar mais por uma taxa de 4% ao ano pelo seu título, já que os títulos emitidos dali para frente pagarão um cupom de juros menor. Já se a Selic subir, o cupom de juros dos títulos emitidos a partir dali provavelmente será maior do que 4% ao ano, então, os investidores pagarão menos pelo seu título no mercado secundário. “O valor do título normalmente aumenta na direção inversa da Selic”, explica o economista e diretor da Norfolk Advisors, Ricardo Torres.
Todo gestor de fundo de investimento é obrigado a fazer um procedimento chamado de “marcação a mercado”, que nada mais é do que estipular o valor da cota do fundo com base no valor de face atual do ativo. Com isso, mesmo que o título ainda não tenha vencido, o valor precisa ser atualizado na cota, e por isso a rentabilidade pode ficar negativa, como aconteceu em junho com alguns fundos classificados como Renda Fixa Índices.
Entenda o que são os fundos de renda fixa índices
De acordo com a própria Anbima, os fundos Renda Fixa Índices buscam seguir ou superar os indicadores de desempenho utilizados no mercado de renda fixa , como o IMA-B (que mede o desempenho das NTN-B – títulos atrelados ao IPCA), o IMA-C (que mede o desempenho das NTN-C – Títulos atrelados ao IGP-M), o IMA-S (que mede o desempenho das LTF – títulos atrelados à Selic) , além de outros subíndices e do IMA Geral (média ponderada dos retornos diários do IMA-B, IMA-C, IMA-S e IRF-M).
Para atingir este objetivo, os gestores investem principalmente em títulos públicos ou privados que sigam a rentabilidade dos índices de referência. Podem usar também alguns derivativos, como os contratos futuros de DI, para ter o mesmo retorno de forma “sintética”, ou “montada”.