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A recompra de cotas começou a ganhar espaço na indústria de fundos imobiliários após a regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) permitir que os FIIs adotassem esse mecanismo. Desde então, algumas gestoras passaram a utilizar a estratégia para aproveitar descontos em relação ao valor patrimonial (P/VP), elevando o patrimônio por cota dos investidores remanescentes e, potencialmente, aumentando a geração de rendimentos.
Entre os casos mais recentes está o HFOF11 (Hedge TOP FOFII 3), da Hedge Investments. O programa previa inicialmente a recompra de até 5% das cotas do fundo com um desconto médio de 15% sobre o valor patrimonial. “Na prática, as aquisições ocorreram com um desconto médio de 16,8%, o que resultou em um ganho patrimonial de aproximadamente 0,9%, acima da nossa estimativa inicial”, afirma Renan Campos, sócio da Hedge Investments, em entrevista ao InfoMoney.
Em dez meses, cerca de 5% das cotas foram recompradas, com isso, o FFO (Funds From Operations) do HFOF subiu 1,5%, atingindo R$ 0,0586 por cota, enquanto a reserva de lucros acumulados passou de R$ 0,07/cota para aproximadamente R$ 0,08/cota. Durante o período da recompra tanto a taxa de retorno patrimonial (13,4%) como da cota em bolsa (22,2%) superaram o IFIX, que avançou 9,3%.
Apesar dos resultados positivos, Campos ressalta que a decisão de recomprar cotas não depende de um percentual específico de desconto. “Entendemos que não há um percentual que isoladamente justifique a recompra. Buscamos a alternativa que ofereça o melhor retorno ajustado ao risco, seja por meio de novos investimentos em outros fundos imobiliários, seja por meio da recompra de cotas descontadas do próprio fundo.”
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Ferramenta de recompra ganha espaço na indústria de FIIs
A Alianza também aderiu à ferramenta e atualmente mantém programas de recompra em seus dois fundos listados na B3, incluindo o ALZR11 (Alianza Trust Renda Imobiliaria).
Fabio Carvalho, sócio-fundador da Alianza, considera a ferramenta um avanço importante para a indústria. “É uma ferramenta muito positiva, usada por empresas de capital aberto em todos os mercados modernos do mundo, que permite ao gestor gerar valor de longo prazo para os investidores.”
Na avaliação do gestor da Alianza, momentos de estresse no mercado costumam abrir oportunidades relevantes. “Os mercados frequentemente têm momentos de pressão nos preços das cotas por fatores macroeconômicos que não têm relação com o desempenho operacional dos fundos. Nesses momentos, a ferramenta é muito útil para gerar valor extra de longo prazo para todos os investidores”, acrescenta.
No caso da Hedge, o sucesso inicial do programa do HFOF11 levou a Casa a expandir a estratégia. Em junho de 2026, a gestora iniciou um programa de recompra de cotas do HOFC11, fundo de lajes corporativas.
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Segundo Campos, da Hedge, cada caso deve ser analisado individualmente. “Cada fundo possui características próprias de liquidez, estratégia e perspectivas de investimento, de forma que a recompra deve ser analisada caso a caso.”
Na Alianza, o entendimento é semelhante. A gestora afirma que a experiência dos programas atuais já serve de base para os fundos listados da casa. “Já estamos fazendo recompras simultaneamente nos nossos dois fundos listados na B3”, diz Carvalho.
Limites regulatórios e disciplina
Embora a ferramenta tenha potencial para criar valor, tanto Hedge quanto Alianza destacam que existem limites importantes.
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Pelas regras atuais da CVM, os fundos podem recomprar até 10% das cotas em circulação dentro de um período de 12 meses.
Na prática, porém, as gestoras costumam atuar abaixo desse teto para evitar distorções na negociação em bolsa.
De acordo com Carvalho, a Alianza realiza compras graduais justamente para não interferir na formação de preços. “O que nós temos feito é comprar um percentual relativamente pequeno do volume negociado diário, para evitar influenciar os preços com esse volume extra de compra introduzido no mercado.”
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Renan Campos acrescenta que a decisão também precisa levar em consideração fatores como liquidez e disponibilidade de caixa. “A recompra não pode comprometer a capacidade do fundo de manter uma gestão eficiente de caixa ou de aproveitar oportunidades de investimento.”
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Recompra não é defesa de preço, dizem gestores
Apesar da recepção positiva do mercado, a implementação dos primeiros programas exigiu um trabalho intenso de comunicação com os investidores.
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Segundo Campos, um dos principais desafios foi esclarecer que a recompra não busca sustentar artificialmente a cotação. “A recompra não é uma tentativa de sustentar preços no curto prazo, mas sim uma forma de gerar valor para os cotistas quando o mercado oferece essa oportunidade.”
“Nossa avaliação segue sendo bastante positiva. A recompra pode ser uma ferramenta eficiente de alocação de capital quando as cotas negociam com desconto relevante e quando não existem oportunidades de investimento com melhor relação entre risco e retorno. Por outro lado, ela exige bastante disciplina e foco no interesse de longo prazo dos cotistas”, pontua.