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Reação do mercado com intervenções do governo é exagerada, dizem gestores

Em reação às medidas, anúncios e pedidos do governo, muitos investidores, principalmente os estrangeiros, preferiram se desfazer de suas posições

SÃO PAULO – Boa parte do mercado tem questionado as intervenções do governo em setores da economia, que influenciou negativamente vários papéis da bolsa de valores este ano. O setor elétrico, bancário e as discussões sobre aumento de combustível, que afetam os resultados da Petrobras, fizeram parte da pauta de discussão dos investidores durante o ano de 2012.

Em reação às medidas, anúncios e pedidos do governo, muitos investidores, principalmente os estrangeiros, preferiram se desfazer de suas posições e a aversão ao mercado brasileiro aumentou. No entanto, alguns gestores de recursos consideram essa uma reação exagerada. “Tivemos uma forte saída de investidor estrangeiro nos últimos meses, mas achamos que é uma reação exagerada. Este é um governo que de fato atua mais na economia, sob o ponto de vista de política monetária, tem um intervencionismo maior, mas é um governo que tenta criar condições para aumentar a competitividade da indústria no longo prazo, que é algo positivo”, afirma o sócio da gestora de recursos Equitas, Luis Felipe Amaral.

Na opinião dele, as críticas sobre a intervenção do governo no setor elétrico não têm grande fundamento. “As medidas que o governo tomou são corretas. O que havia no mercado é uma expectativa sobre o processo de renovação das concessões que foi frustrada. A gente viu o governo tomar medidas no sentido de proteção do patrimônio público, que são as concessões”, pontua Amaral.

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O sócio da gestora Eagle, Paulo Possas, também enxerga um certo exagero nas críticas ao atual governo – no que diz respeito às intervenções. “Em todos os temas nós precisávamos de uma intervenção séria do Estado. Câmbio a 1,60, juros de cartão a 10% a.m., energia (hidroelétrica) sendo a terceira mais cara do planeta, ciranda financeira e a péssima qualidade da telefonia móvel eram e são intoleráveis. Em todos os casos a ação do governo ia incomodar e gerar gritarias”, disse Possas, em carta aos cotistas do fundo.

No entanto, ele aponta que muitas vezes as ações tiveram problemas de execução. Nossos piores males estão nos setores em que se deveria ter feito algo e não foi feito. O maior exemplo é Petrobras e o preço da gasolina, mas há outros”, disse.

Opinião diferente
No entanto, a opinião dos gestores não é compactuada pela maioria do mercado. Grande parte dos analistas e investidores enxergam com desconfiança as intervenções do governo na economia e acreditam que o mercado acionário brasileiro pode continuar sendo penalizado por isso.

“Temos vários motivos para 2013 ser bem melhor que 2012, como ambiente global melhor e taxas de juros baixas. O lado ruim é a falta de reformas e o ativismo governamental, que têm gerado a desconfiança dos empresários e investidores”, afirma a equipe de gestão da Effectus, em carta.

O sócio e gestor da Kyros Investimentos, Rodrigo Donato, também acha que o mercado acionário brasileiro perde com esse tipo de ativismo. “Quando você depende muito do governo para performar ou aumentar o valor da empresa, isso dificulta e tira a atratividade. Se você comparar o Brasil com outros países emergentes, em que o governo tem ficado mais fora ou tem conduzido políticas mais liberais, como é o caso do México, a nossa bolsa tem tido uma performance bem pior. Por isso aconselho uma alocação menor em bolsa brasileira”, afirmou  Donato, em entrevista ao programa Money Talks.