Quero um investimento com boa rentabilidade sem tanto risco; quais as opções?

Gabriel Dantas, CFP, planejador financeiro certificado pelo IBCPF, responde a pergunta de leitor do InfoMoney

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Pergunta:

Sou um investidor do mercado de ações – possuo alguns papéis, mas gostaria de investir em algo que pudesse me trazer rentabilidade sem tanto risco. Inicialmente, quero começar investindo pouco, mas aumentaria o valor mensalmente. Gostaria de saber se há alguma indicação de onde eu posso aplicar sem um grande investimento inicial.

Leitor: Renato

Resposta de Gabriel Dantas, CFP, planejador financeiro certificado pelo IBCPF:

Prezado,

O desejo de diversificar os investimentos – seja pela proximidade de grande volatilidade nos mercados que geralmente acompanham eleições presidenciais, pela perspectiva de baixo crescimento do PIB pelos próximos meses ou mesmo por empirismo, decepcionado com o desempenho do mercado acionário brasileiro, principalmente, no primeiro trimestre de 2014, denota uma atitude de preocupação para a formação de uma carteira de investimentos mais coesa.

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Para definirmos o Perfil de Investidor e a composição ideal da respectiva carteira de investimentos pelas diversas classes de ativos existentes – dentre elas, a própria de ações, derivativos, instrumentos de renda fixa e fundos de investimento multimercado, refenciados e imobiliários, dentre outros – seria necessário um estudo de suitability que envolve, dentre outras coisas, a análise da sensibilidade financeira e psicológica do Investidor frente às variações de preços dos ativos que compõem o seu portfolio, composição de todo o seu patrimônio, período do tempo em que não se pretende utilizar os recursos disponíveis, o ciclo de vida do Investidor e, mesmo, o perfil de uma eventual dívida contraída ou a contrair-se.

Dentre as diversas classes de ativos disponíveis no mercado brasileiro e voltadas à parcela mais conservadora dos portfolios de investimento, a que mais me tem chamado a atenção nos últimos semestres, quando da pesquisa de produtos para os Clientes, é a de produtos beneficiados com a isenção de IR (Imposto de Renda) para o Investidor pessoa física e protegidas pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos).

A rentabilidade desses produtos, como grande parte das demais classes de ativos, é uma função, basicamente, de seu:

a. risco, seja ele de contraparte, de crédito, soberano e/ou operacional, dentre outros;

b. do volume de recursos, em que quanto mais recursos, maior poder de barganha; e

c. de sua liquidez, característica essa que refere-se à velocidade e facilidade com a qual um ativo pode ser convertido em caixa.

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Para se ter uma idéia, realizo para os meus clientes aplicações em LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) para diversos volumes, prazos e riscos, com rentabilidades pós-fixadas de 90% do CDI a 107% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) e, ainda, com isenção de IR. Aplicando um tax-gross-up (termo em inglês utilizado para o cálculo em que se obtém uma taxa bruta fictícia, dada uma taxa e uma alíquota de imposto) conservador, isso significa dizer que obtemos rentabilidades equivalentes a CDBs (Certificado de Depósitos Bancários) que pagam 126% do CDI. Supondo que o CDI mantenha-se a 10,8% aa. (ao ano) pelos próximos 02 anos, estamos falando de uma rentabilidade bruta média anual de cerca de 13,60% aa para uma aplicação segurada pelo FGC*!

A tática da utilização do tax-gross-up tornou-se extremamente relevante em nosso mercado, justamente por:

a. o surgimento desses produtos incentivados tributariamente;

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b. o vício do mercado brasileiro em adotar taxas brutas como medidas de parâmetro;

c. a preferência de alguns distribuidores de produtos de investimento em comercializar produtos com prazo mais curto mas equiparando a taxa bruta com alíquotas de impostos incidentes sobre aplicações de longo prazo – maquiando, assim, a real taxa bruta equivalente, dando a entender que um produto com taxa líquida maior que a de outro, passe a ser menos atraente quando da aplicação de uma alíquota de um imposto de renda virtual de maneira equivocada.

Para simplificar e tornar mais eficiente a comparação entre os retornos dos diversos produtos de investimento em renda fixa, utilize sempre a taxa de retorno estimada líquida de impostos para cada produto ou, caso prefira-se continuar comparando os investimentos pela taxa bruta e seja o caso de um Investidor com visão de longo prazo, por mais que uma ou outra aplicação nesses produtos incentivados tenha um prazo menor de dois anos mas que, aos seus vencimentos, sejam reaplicados e assim completem um ciclo de longo prazo, o mais prudente é utilizar uma taxa virtual de imposto de renda de 15% (quinze por cento) – que é o imposto de renda para aplicações de renda fixa com prazo superior a 02 (dois) anos – quando realizando o cálculo do tax-gross-up.

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Não é incomum encontrar rentabilidade realmente atrativa de produtos emitidos por IFs (Instituições Financeiras), inclusive para pequenos volumes, porém muitas vezes não observa-se a qualidade de crédito do emissor via rating (nota) afirmada por agências de avaliação de riscos ou mesmo procura-se nos jornais matérias sobre a sua saúde financeira. Geralmente, toma-se a decisão baseada na garantia do FGC, que restitui o montante (principal e juros), até o momento do pagamento, de aplicações em diversos tipos de ativos por CPF (Cadastro de Pessoa Física) e por IF no somatório de até R$ 250.000,00 (Duzentos e Cinquenta Mil Reais). Caso ocorra algum problema com o emissor, embora os valores cobertos investidos continuem rendendo conforme o contratado até a data do efetivo pagamento, ter-se-á que aguardar entre 04 (quatro) e 06 (seis) meses, em média, para o pagamento do somatório acima. Se isso não for um incômodo ao Investidor, ou seja, precisar do recurso e não poder utilizar em situação extrema, não se considera um fator restritivo.

Ainda acerca do limite de garantia de montante de R$ 250.000,00 (Duzentos e Cinquenta Mil Reais) pelo FGC por cada IF e CPF do Investidor, uma dica é estimar o montante até a data planejada de resgate da aplicação, para que o mesmo não ultrapasse o limite garantido. Por exemplo, se aplicar hoje R$ 250.000,00 (Duzentos e Cinquenta Mil Reais), no dia seguinte o seu montante já terá ultrapassado os R$ 250.000,00 (Duzentos e Cinquenta Mil Reais) devido ao rendimento diário da aplicação.

Com referência aos custos para realizar e/ou manter essas aplicações, a maioria das IFs que oferecem as rentabilidades mais atrativas, não possuem rede de agências bancárias e temos que transferir os recursos via DOC / TED e este custo precisa ser considerado. Ademais, outros eventuais custos, tais como taxas de custódia e de manutenção de conta hão de ser levadas em conta**.

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Finalmente, é importante também que o Investidor reavalie o seu portfolio de investimentos de tempos em tempos. Procurar um consultor financeiro que ajude a avaliar e/ou confeccionar um planejamento de investimentos e/ou investimentos isolados, é a maneira mais segura e assertiva para perseguir objetivos.

Gabriel Dantas é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). 

As respostas refletem as opiniões do autor. O IBCPF e o Infomoney não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para onde_investir@infomoney.com.br

Prezado Hildebrand, 

Pouco a pouco é possível ver mudanças significativas no perfil de investimento dos brasileiros. Percebemos, por exemplo, o crescimento do numero de jovens que estão disponibilizando parte de sua renda para se planejar financeiramente para a sua aposentadoria. É um movimento que tende a crescer cada vez mais ao longo dos próximos anos, especialmente com a educação financeira em curso em nossa sociedade. 

 Sua iniciativa é digna de receber elogios e servir de exemplo a outros tantos… 

 Como seu planejamento para esse investimento tem um horizonte de 15 anos algumas observações importantes devem ser feitas. Em uma simulação com um investimento inicial de R$ 10.000 e aplicações regulares de R$ 500, com uma rentabilidade anual de 10%, atingiremos após 15 anos um capital de R$ 242.583, sem considerar a inflação no período. Com esse capital investido é possível viver com uma renda de aproximadamente R$ 2 mil/mês, complementando a sua aposentadoria. No entanto, a pergunta magica é como atingir essa rentabilidade para um baixo risco no investimento. 

 Com as informações presentes não é possível identificar qual o seu perfil de investidor, onde seria possível identificar o quanto de risco você esta propenso a aceitar em sua carteira de investimentos (para saber o seu perfil de investidor é aconselhável buscar sua instituição financeira e responder ao questionário “Suitability”). No entanto, podemos considerar que você segue o padrão brasileiro de conservadorismo em seus investimentos, bastante carregado de “renda fixa” , mas propenso a conhecer novos produtos para pequenos investimentos. 

 Sugiro, para você superar a rentabilidade apresentada na simulação, que divida seu patrimônio em 2 partes. 

 A primeira parte é separar R$ 5 mil inicial e 80% de suas aplicações regulares para um fundo de renda fixa com credito privado que supere consistentemente 100% do CDI. Muitos fundos conseguem superar esse benchmark, e possuem aplicações inicias bastante acessíveis. Prefira esse investimento as NTN-Bs e a sua aplicação em imóveis. 

 Para os outros R$ 5 mil iniciais, e 20 % de suas aplicações mensais (R$100,00), podemos ser um pouco mais arrojados, buscando atingir uma rentabilidade superior do que a renda fixa. Como sua disponibilidade atual é pequena para ser investida diretamente em ações (coma na sua atual carteira de ações de Vale e Itau), uma excelente alternativa são os fundos de ações. 

 Os fundos de ações são, para a grande maioria dos investidores, a melhor alternativa para seus investimentos em renda variável. Apresentam vantagens como liquidez, diversificação e uma gestão profissionalizadas dos seus investimentos. Com ele você estará bem atendido para atingir sua meta de longo prazo na aposentadoria. Procure gestoras com comprovada competência em sua equipe de analise, e fundos de ações que sejam considerados “Ibovespa ativo”, com a intenção de superar o bechmark. Prefira esses as ações propriamente ditas. 

 E lembre-se: o resultado do seu sucesso financeiro também depende de você! 

 *Fabiano Pessanha, CFP, planejador financeiro certificado pelo IBCPF