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Pergunta:
Tenho 24 anos e consigo guardar entre R$ 3.500 e R$ 3.000 por mês. Atualmente possuo R$ 40 mil na poupança que serão destinados ao tesouro direto (LTN 2018). Também possuo uma LCI prefixada que irá me render R$ 25.500 no começo de 2016. Possuo uma PGBL e uma VGBL visando aposentadoria onde deposito 6,5% do meu salário e a minha empresa deposita o mesmo valor mensalmente.
Sem utilizar o valor da previdência privada, eu pretendo dar entrada em um apartartamento em 2017 ou 2018 (com o dinheiro da LTN+LCI e o que mais eu puder utilizar), mas não sei o que fazer com o valor que consigo guardar por mês visando, ainda no médio prazo, a compra do apartamento e no longo prazo aumentar meu patrimônio.
Eu sou tolerante à riscos (meu perfil de investidor geralmente resulta moderado) desde que eu tenha dinheiro para cobrir eventuais prejuízos, mas não sou um expert em mercado, por este motivo penso em aplicar parte do dinheiro em fundos multimercado e/ou de ações visando o longo prazo, mas não tenho certeza se isto é o melhor a ser feito. Eu não sei o que fazer com o dinheiro no médio prazo também. Quais dicas vocês podem me enviar?
Leitor: David
Resposta de Aldo Pessagno, CFP, planejador financeiro certificado pelo IBCPF:
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Caro David,
Antes de tudo, gostaria de parabenizá-lo pela disciplina em poupar parte da sua renda, privando-se do prazer do consumo imediato em vistas de alcançar seus objetivos financeiros de médio e longo prazo. Poupar é um exercício que devemos iniciar o quanto antes até que vire um hábito.
Agora, voltando aos seus questionamentos, acredito que o primeiro conselho que posso lhe dar é: objetivos financeiros diferentes possuem características diferentes, logo temos que tratá-los também de modo diferentes. O que quero dizer grosso modo é que se você tem múltiplos objetivos financeiros, você terá múltiplos planos de investimentos. Os caminhos para atingí-los podem ser diversos. Meu objetivo aqui não será traçá-los um a um (até porque isso seria impossível), mas sim analisar o qual você optou.
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Pelos dados que me passou, há dois grandes objetivos a serem perseguidos: a compra de um apartamento em 2017 ou 2018 e a constituição de uma reserva para sua aposentadoria. Então vamos explorá-los separadamente:
Entrada do Apartamento – Prazo 5 anos
Para tal objetivo e prazo acredito que você já está no caminho certo. A aplicação na Letra do Tesouro Nacional, um título de Renda Fixa prefixado é muito conveniente para tal fim. Afinal, no momento em que escrevo esse texto elas estão oferecendo um rendimento de 12,84% ao ano com vencimento em 2018, ou 10,91% descontando o IR (incidência de 15% para aplicações por mais de 2 anos). É uma grande vantagem frente aos míseros 6,17% + TR da poupança. Só para ilustrar, uma aplicação de R$ 40 mil nesse título público por 5 anos geraria um montante de R$ 67.129,51 líquido de IR, enquanto na poupança teríamos apenas R$53.959,64 (considerando a TR zerada). Só há uma ponderação a se fazer: essa rentabilidade do título público só será auferida se você mantiver o mesmo até o vencimento. Caso venda antes dessa data (2018), sua rentabilidade poderá ser diferente devido à marcação a mercado dos títulos. Então, aconselho a casar a data de vencimento do título com a data de pagamento da entrada do apartamento.
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Já a Letra de Crédito Imobiliária (LCI) é um excelente instrumento de Renda Fixa, pois além de contar com isenção de IR para pessoas físicas, ainda conta com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos de até 250 mil, em caso de falência da instituição. Então, assim que sua aplicação vencer em 2016, renove-a por mais 2 anos se possível. Afinal, abrindo-se mão da liquidez você consegue taxas maiores. Atente para as taxas oferecidas pelas diferentes instituições e considere a possibilidade de fazer uma LCI pós-fixada. Em um cenário de alta de juros você pode beneficiar-se.
Reserva de Aposentadoria
Para esse objetivo estamos falando de um prazo mais dilatado, ainda mais considerando sua idade de 24 anos, apenas. Isso permite que você possa buscar aplicações mais voláteis, buscando um maior rendimento no longo prazo, como as ações.
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Atualmente você aplica em um PGBL e um VGBL, onde deposita 6,5% do seu salário para esse fim. Primeiro, vamos esclarecer a diferença entre os dois planos.
O PGBL, indicado para pessoas que utilizam o formulário completo para declaração do IR, permite a dedução das contribuições para o plano em até 12% da Renda tributável. O VGBL, indicado para quem declara o IR por meio do formulário simples, não permite essa dedução.
Entretanto, no PGBL, o IR incidirá sobre o valor total do resgate, enquanto que no VGBL será somente sobre os rendimentos. Então, na pratica, quando fazemos um PGBL, estamos na verdade postergando o pagamento do Imposto de Renda e não deixando de pagá-lo.
No seu caso atualmente, não há sentido econômico em contribuir nos dois planos. Só seria plausível contribuir no VGBL e no PGBL simultaneamente se o valor de contribuição superasse os 12% da sua renda tributável (hoje você contribui com 6,5%) e partindo da premissa de que você faça a declaração de IR por meio do Formulário Completo.
Só para ilustração, supondo que você aplicasse 20% da sua renda na previdência, a melhor solução seria a aplicação de 12% no PGBL e os 8% restantes em um VGBL.
Caso você declare seu IR por meio de formulário simples, contribua somente com o VGBL.
O fato de sua empresa contribuir com 100% do valor depositado por você é uma grande vantagem que deve ser aproveitada (informe-se sobre os prazos de carência que a empresa impõe). Entretanto, para efeitos de diversificação e mitigação de riscos, aconselho a construir uma carteira de investimentos diversificada simultaneamente, com: ações, renda fixa, fundos imobiliários, fundos multimercados, etc. Essa atitude desconcentrará sua reserva e permitirá que você aproveite oportunidades pontuais de aplicação.
A participação em cursos e palestras sobre o assunto, bem como a leitura de livros e aconselhamento profissional, são muito bem-vindos, pois só irão contribuir para seu sucesso financeiro
Aldo Pessagno é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF).
As respostas refletem as opiniões do autor. O IBCPF e o Infomoney não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para onde_investir@infomoney.com.br
Prezado Hildebrand,
Pouco a pouco é possível ver mudanças significativas no perfil de investimento dos brasileiros. Percebemos, por exemplo, o crescimento do numero de jovens que estão disponibilizando parte de sua renda para se planejar financeiramente para a sua aposentadoria. É um movimento que tende a crescer cada vez mais ao longo dos próximos anos, especialmente com a educação financeira em curso em nossa sociedade.
Sua iniciativa é digna de receber elogios e servir de exemplo a outros tantos…
Como seu planejamento para esse investimento tem um horizonte de 15 anos algumas observações importantes devem ser feitas. Em uma simulação com um investimento inicial de R$ 10.000 e aplicações regulares de R$ 500, com uma rentabilidade anual de 10%, atingiremos após 15 anos um capital de R$ 242.583, sem considerar a inflação no período. Com esse capital investido é possível viver com uma renda de aproximadamente R$ 2 mil/mês, complementando a sua aposentadoria. No entanto, a pergunta magica é como atingir essa rentabilidade para um baixo risco no investimento.
Com as informações presentes não é possível identificar qual o seu perfil de investidor, onde seria possível identificar o quanto de risco você esta propenso a aceitar em sua carteira de investimentos (para saber o seu perfil de investidor é aconselhável buscar sua instituição financeira e responder ao questionário “Suitability”). No entanto, podemos considerar que você segue o padrão brasileiro de conservadorismo em seus investimentos, bastante carregado de “renda fixa” , mas propenso a conhecer novos produtos para pequenos investimentos.
Sugiro, para você superar a rentabilidade apresentada na simulação, que divida seu patrimônio em 2 partes.
A primeira parte é separar R$ 5 mil inicial e 80% de suas aplicações regulares para um fundo de renda fixa com credito privado que supere consistentemente 100% do CDI. Muitos fundos conseguem superar esse benchmark, e possuem aplicações inicias bastante acessíveis. Prefira esse investimento as NTN-Bs e a sua aplicação em imóveis.
Para os outros R$ 5 mil iniciais, e 20 % de suas aplicações mensais (R$100,00), podemos ser um pouco mais arrojados, buscando atingir uma rentabilidade superior do que a renda fixa. Como sua disponibilidade atual é pequena para ser investida diretamente em ações (coma na sua atual carteira de ações de Vale e Itau), uma excelente alternativa são os fundos de ações.
Os fundos de ações são, para a grande maioria dos investidores, a melhor alternativa para seus investimentos em renda variável. Apresentam vantagens como liquidez, diversificação e uma gestão profissionalizadas dos seus investimentos. Com ele você estará bem atendido para atingir sua meta de longo prazo na aposentadoria. Procure gestoras com comprovada competência em sua equipe de analise, e fundos de ações que sejam considerados “Ibovespa ativo”, com a intenção de superar o bechmark. Prefira esses as ações propriamente ditas.
E lembre-se: o resultado do seu sucesso financeiro também depende de você!
*Fabiano Pessanha, CFP, planejador financeiro certificado pelo IBCPF