Queda da bolsa: para investir em ações é preciso suportar os riscos, diz especialista

Para o educador financeiro Mauro Calil, se o investidor não suporta riscos, definitivamente a bolsa não é o seu lugar

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SÃO PAULO – Quem investe em renda variável geralmente está em busca de rendimentos maiores e aceita, para isso, um certo nível de risco. Entretanto, com as constantes quedas do mercado acionário brasileiro, muitos investidores podem estar se perguntando se realmente possuem perfil para aguentar as oscilações do mercado acionário e, principalmente, se suportam lidar com as perdas recorrentes nesse tipo de aplicação.

De acordo com o educador financeiro e fundador do Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Calil & Calil, Mauro Calil, se o investidor não suporta riscos, definitivamente a bolsa não é o seu lugar. “Seja em momentos de alta ou de baixa, a bolsa é sempre um lugar de risco. Quem não está disposto a correr riscos, deve procurar a renda fixa”, ressalta Calil.

Segundo ele, ter “estômago” para aguentar as quedas do mercado e esperar pela virada é uma das principais características de quem investe em ações. “Costumo dizer que, em 90% dos casos, o estômago e o coração determinam o sucesso em bolsa”, ressalta o educador.

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Longo Prazo e dividendos
O especialista lembra que, em primeiro lugar, é importante visualizar os investimentos em bolsa com horizonte de longo prazo, ou seja, em princípio, quedas diárias e semanais não deveriam tirar tanto o sono do investidor.

“Investimento em bolsa sempre está relacionado com o longo prazo. O fato do preço das ações cair não quer dizer que você não tenha ganhado na outra ponta com os dividendos e juros sobre capital próprio”, ressalta Calil.

Segundo Calil, uma das melhores formas de ganhar dinheiro com ações é justamente com os proventos pagos pelas companhias. “É importante reinvestir os dividendos”, ensina.

Além disso, ele aponta a importância de investir na bolsa sempre com regularidade, independente das oscilações do mercado. “É preciso ter essa cultura de investir sempre. O ideal é que não seja um valor muito alto de uma única vez, mas um valor menor diluído mês a mês”, diz.

Reação tardia
O sócio-fundador da Mais Ativos Educação Financeira, Álvaro Modernell, aponta que em momentos de turbulência como agora, não é hora do investidor tomar uma decisão de repensar seu perfil de investimentos.

“Toda vez que o investidor toma uma decisão motivado pelo desempenho recente, baseado em algum fato pontual, acaba ‘comendo poeira’. Ele reage depois que os formadores de mercados reagiram e acaba perdendo com isso”, ressalta o educador financeiro.

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“Você deve pensar na bolsa olhando sempre o médio e longo prazo e assim tomar uma decisão racional”, completa Modernell.

Análise do mercado
Modernell ressalta que, diferente do analista profissional, o investidor pessoa física não deve ficar tão focado nas análises diárias do mercado financeiro. “Ele não tem que analisar o mercado no dia a dia. O importante é ver as tendências, os movimentos do mercado, isso pode ser feito mês a mês por exemplo”, diz o educador.

Para ele, as oscilações diárias não deveriam interferir nas decisões do investidor pessoa física. “É mais fácil controlar as próprias emoções do que acompanhar o mercado, então é nisso que o investidor precisa se focar”, diz.

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O economista-chefe da corretora Souza Barros, Clodoir Vieira, concorda que o investidor deve olhar para a bolsa com uma perspectiva futura.

“Se olharmos para o cenário agora, não temos uma perspectiva de recuperação muito rápida. Mas acredito que a partir de 2012 o cenário deve melhorar”, diz.

O economista lembra que os eventos esportivos internacionais previstos para os próximos anos no País, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, devem impulsionar a economia no médio e longo prazo.

Diego Lazzaris Borges

Coordenador de conteúdo educacional do InfoMoney, ganhou 3 vezes o prêmio de jornalismo da Abecip