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Muitos investidores apostam em ações pensando na renda passiva que os papéis podem gerar via dividendos e juros sobre capital próprio (JCP). Superar os juros básicos de 14,75% ao ano é difícil, no entanto, algumas ações podem entregar retorno superior a 15%. Mas quanto é preciso investir para ter uma receita mensal de R$ 1 mil com dividendos?
Em resposta à provocação, Maria Giulia Figueiredo, analista de research da Rico, calculou o montante necessário para alcançar o objetivo. Para isso, ela utilizou cinco ações presentes na carteira recomendada de dividendos da corretora.
Considerando o aporte em um único papel, o investidor precisaria, por exemplo, de 2.734 ações da Cury (CURY3) para receber dividendos mensais de R$ 1 mil. Neste caso, o investimento estimado seria de R$ R$ 69.204,31.
Já quem compra 12.816 ações da Marcopolo (POMO4) teria o mesmo rendimento, com investimento de R$ 79.712,62. Confira a simulação com as demais ações e suas respectivas taxas de retorno com dividendo (dividend yield):
| Ação | Valor unitário | Rendimento por ação | Dividend yield (anual) | Valor investido | Número de ações |
| Cury (CURY3) | R$ 25,31 | R$ 4,39 | 17,34% | R$ 69.204,31 | 2.734 |
| Cyrela (CYRE3) | R$ 24,17 | R$ 3,80 | 15,72% | R$ 76.345,24 | 3.159 |
| Allos (ALOS3) | R$ 19,07 | R$ 2,18 | 11,42% | R$ 105.042,25 | 5.508 |
| Itaúsa (ITSA4) | R$ 9,44 | R$ 1,23 | 13,26% | R$ 92.274,09 | 9.775 |
| Marcopolo (POMO4) | R$ 6,22 | R$ 0,94 | 16,56% | R$ 79.712,62 | 12.816 |
Figueiredo pondera que os valores são calculados com base na distribuição dos últimos 12 meses e lembra que “rendimentos passados não são promessa ou projeções de rendimentos futuros”.
Para a Rico essas ações têm a melhor relação entre custo e benefício para uma carteira de renda passiva, mas a analista avisa que “mudanças econômicas e operacionais podem alterar as projeções”.
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Para calcular o retorno esperado para cada ação, a analista usou a cotação do fechamento do primeiro dia de abril. A ideia era garantir que a simulação reflita o acumulado dos últimos 12 meses.
Por último, vale lembrar que a frequência dos pagamentos varia entre as empresas. Algumas remuneram acionistas mensalmente e outras a cada três meses, por exemplo.
Dividendos ou juro real?
Com os títulos do Tesouro IPCA+ oferecendo prêmios reais de até 7,5% ao ano, o investidor brasileiro se pergunta se ainda vale a pena correr o risco de investir em ações para buscar um retorno via dividendos semelhante ao da renda fixa.
Especialistas entrevistados pelo InfoMoney defenderam as ações de dividendos dizendo que o foco do investidor deve estar no longo prazo. “O argumento a favor das ações não está no yield de hoje, mas no yield sobre o custo de aquisição daqui a cinco ou dez anos”, pontua Fernando Benavenuto, sócio da Anvex Capital. A lógica, segundo ele, é que o título público trava o retorno no momento da compra, enquanto a ação acompanha o mundo real.