Quanto investir para receber R$ 1 mil ao mês com dividendos? Veja simulação

Investidor pode precisar de até 12.800 ações de uma única empresa para alcançar o objetivo

Leonardo Guimarães

Ativos mencionados na matéria

(Freepik)
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Muitos investidores apostam em ações pensando na renda passiva que os papéis podem gerar via dividendos e juros sobre capital próprio (JCP). Superar os juros básicos de 14,75% ao ano é difícil, no entanto, algumas ações podem entregar retorno superior a 15%. Mas quanto é preciso investir para ter uma receita mensal de R$ 1 mil com dividendos? 

Em resposta à provocação, Maria Giulia Figueiredo, analista de research da Rico, calculou o montante necessário para alcançar o objetivo. Para isso, ela utilizou cinco ações presentes na carteira recomendada de dividendos da corretora.

Considerando o aporte em um único papel, o investidor precisaria, por exemplo, de 2.734 ações da Cury (CURY3) para receber dividendos mensais de R$ 1 mil. Neste caso, o investimento estimado seria de R$ R$ 69.204,31.

Já quem compra 12.816 ações da Marcopolo (POMO4) teria o mesmo rendimento, com investimento de R$ 79.712,62. Confira a simulação com as demais ações e suas respectivas taxas de retorno com dividendo (dividend yield):

AçãoValor unitárioRendimento por açãoDividend yield (anual)Valor investidoNúmero de ações
Cury (CURY3)R$ 25,31R$ 4,3917,34%R$ 69.204,312.734
Cyrela (CYRE3)R$ 24,17R$ 3,8015,72%R$ 76.345,243.159
Allos (ALOS3)R$ 19,07R$ 2,1811,42%R$ 105.042,255.508
Itaúsa (ITSA4)R$ 9,44R$ 1,2313,26%R$ 92.274,099.775
Marcopolo (POMO4)R$ 6,22R$ 0,9416,56%R$ 79.712,6212.816
Fonte: Rico

Figueiredo pondera que os valores são calculados com base na distribuição dos últimos 12 meses e lembra que “rendimentos passados não são promessa ou projeções de rendimentos futuros”. 

Para a Rico essas ações têm a melhor relação entre custo e benefício para uma carteira de renda passiva, mas a analista avisa que “mudanças econômicas e operacionais podem alterar as projeções”. 

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Para calcular o retorno esperado para cada ação, a analista usou a cotação do fechamento do primeiro dia de abril. A ideia era garantir que a simulação reflita o acumulado dos últimos 12 meses. 

Por último, vale lembrar que a frequência dos pagamentos varia entre as empresas. Algumas remuneram acionistas mensalmente e outras a cada três meses, por exemplo. 

Dividendos ou juro real?

Com os títulos do Tesouro IPCA+ oferecendo prêmios reais de até 7,5% ao ano, o investidor brasileiro se pergunta se ainda vale a pena correr o risco de investir em ações para buscar um retorno via dividendos semelhante ao da renda fixa.

Especialistas entrevistados pelo InfoMoney defenderam as ações de dividendos dizendo que o foco do investidor deve estar no longo prazo. “O argumento a favor das ações não está no yield de hoje, mas no yield sobre o custo de aquisição daqui a cinco ou dez anos”, pontua Fernando Benavenuto, sócio da Anvex Capital. A lógica, segundo ele, é que o título público trava o retorno no momento da compra, enquanto a ação acompanha o mundo real.