Publicidade
Pergunta:
Tenho 23 anos e tenho um montante acumulado dividido da seguinte maneira: 33% em FII’s, 33% em LTN (vencimento em 2018, prefixado em 13,15% a.a) e o restante em ações. Minha meta é me aposentar aos 45 anos e aplicar o montante total em uma única aplicação de renda fixa e gerar renda.
Supondo que que eu decida me aposentar antes com um salário de R$ 10.000,00/mês, e supondo que essa situação se enquadre no atual momento econômico, de quanto seria o capital necessário para gerar a renda citada mensal? E qual o investimento de renda fixa seria o mais adequado?
Leitor: Robson
Resposta de Aldo Pessagno, CFP, planejador financeiro certificado pelo IBCPF:
Caro Robson,
Continua depois da publicidade
A independência financeira, ou o “viver de renda” é o grande sonho almejado da maioria da população. Entretanto, apesar de ser desejada isso não significa que há um esforço significativo para alcançá-la. Os motivos? Ela exige disciplina, tempo e principalmente um bom planejamento. Precisamos saber, principalmente onde e quando queremos chegar, para posteriormente definirmos como. Colocado isso, vamos ao seu caso.
Para atingirmos o valor do capital necessário visando gerar uma renda de R$ 10 mil por mês daqui a 22 anos, precisamos antes de tudo definir qual a taxa de juros e de inflação anuais que serão consideradas. Supondo que as condições econômicas atuais se replicarão no futuro de modo a simplificar o raciocínio, podemos trabalhar com uma taxa de juros nominal próxima a 10% e de inflação em torno de 6%, resultando em uma taxa real de juros próxima a 4% ao ano.
Com esses parâmetros definidos, aplicamos a fórmula da perpetuidade para chegar ao capital necessário. Para isso, basta dividir a renda almejada no futuro, pela taxa de juro real vigente. Ou seja, dividimos R$ 120 mil (12 x 10, ou a renda de um ano) por 4%. Isso nos dá o quociente de R$ 3 milhões, em outras palavras, o capital necessário para você obter R$ 10 mil por mês sem corroer o principal, inclusive da inflação.
Continua depois da publicidade
Agora que você já tem sua meta definida – atingir R$ 3 milhões em 22 anos – necessita pensar em como irá alcança-la, ou em outras palavras: sua estratégia de investimentos. Isso dependerá muito do valor de que você já dispõe hoje, o valor dos aportes mensais (caso forem feitos) e também de seu perfil de risco.
A regra é simples: quanto maior o capital inicial e a poupança mensal, menor a rentabilidade necessária para atingir o objetivo. Entretanto, à medida que estes forem diminuindo, o retorno necessário de seus investimentos precisará ser cada vez maior, ocasionando um risco também mais alto.
Esse último caso não representa problemas para investidores com perfil mais arrojado. Agora, se você é estritamente conservador, é preferível que aumente as contribuições mensais ou até mesmo adie a aposentadoria frente à adoção de uma carteira agressiva. O conforto do investidor com seus investimentos deve ser priorizado. O desenquadramento do perfil pode trazer péssimas consequências tanto para o investidor, como para seus investimentos.
Continua depois da publicidade
Então Robson, analise com cuidado em qual situação você se encaixa, para a partir daí definir sua estratégia de investimentos durante esses 22 anos. De repente o portfólio de que você necessita pode ser muito mais conservador do que o atual. Entretanto, independente do perfil, posso afirmar que você já acerta em um ponto, a diversificação da carteira, o que é indispensável.
O ideal é que você vá diminuindo gradativamente sua exposição a risco à medida que for chegando aos 45 anos. Para esse segundo momento, a aposentadoria, seu objetivo passará de “acumular recursos” para “geração de renda”, o que justifica aplicações mais conservadoras. Como sugestão, tente montar uma carteira composta de títulos pós-fixados, como CDBs e LCI´s; títulos indexados à inflação, como as NTN-Bs com pagamentos de cupons semestrais e até títulos prefixados, como as NTN-F que também geram um cupom semestral. Procure sempre manter os títulos até o vencimento para que você não tenha surpresas em seu planejamento, devido à marcação a mercado. Manter uma parte das suas aplicações em FII (Fundo de Investimento Imobiliário) também é interessante, pois a geração de renda isenta de IR para a pessoa física é um dos grandes atrativos desse produto.
Aldo Pessagno é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF).
Continua depois da publicidade
As respostas refletem as opiniões do autor. O IBCPF e o Infomoney não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para onde_investir@infomoney.com.br
Prezado Hildebrand,
Pouco a pouco é possível ver mudanças significativas no perfil de investimento dos brasileiros. Percebemos, por exemplo, o crescimento do numero de jovens que estão disponibilizando parte de sua renda para se planejar financeiramente para a sua aposentadoria. É um movimento que tende a crescer cada vez mais ao longo dos próximos anos, especialmente com a educação financeira em curso em nossa sociedade.
Sua iniciativa é digna de receber elogios e servir de exemplo a outros tantos…
Como seu planejamento para esse investimento tem um horizonte de 15 anos algumas observações importantes devem ser feitas. Em uma simulação com um investimento inicial de R$ 10.000 e aplicações regulares de R$ 500, com uma rentabilidade anual de 10%, atingiremos após 15 anos um capital de R$ 242.583, sem considerar a inflação no período. Com esse capital investido é possível viver com uma renda de aproximadamente R$ 2 mil/mês, complementando a sua aposentadoria. No entanto, a pergunta magica é como atingir essa rentabilidade para um baixo risco no investimento.
Com as informações presentes não é possível identificar qual o seu perfil de investidor, onde seria possível identificar o quanto de risco você esta propenso a aceitar em sua carteira de investimentos (para saber o seu perfil de investidor é aconselhável buscar sua instituição financeira e responder ao questionário “Suitability”). No entanto, podemos considerar que você segue o padrão brasileiro de conservadorismo em seus investimentos, bastante carregado de “renda fixa” , mas propenso a conhecer novos produtos para pequenos investimentos.
Sugiro, para você superar a rentabilidade apresentada na simulação, que divida seu patrimônio em 2 partes.
A primeira parte é separar R$ 5 mil inicial e 80% de suas aplicações regulares para um fundo de renda fixa com credito privado que supere consistentemente 100% do CDI. Muitos fundos conseguem superar esse benchmark, e possuem aplicações inicias bastante acessíveis. Prefira esse investimento as NTN-Bs e a sua aplicação em imóveis.
Para os outros R$ 5 mil iniciais, e 20 % de suas aplicações mensais (R$100,00), podemos ser um pouco mais arrojados, buscando atingir uma rentabilidade superior do que a renda fixa. Como sua disponibilidade atual é pequena para ser investida diretamente em ações (coma na sua atual carteira de ações de Vale e Itau), uma excelente alternativa são os fundos de ações.
Os fundos de ações são, para a grande maioria dos investidores, a melhor alternativa para seus investimentos em renda variável. Apresentam vantagens como liquidez, diversificação e uma gestão profissionalizadas dos seus investimentos. Com ele você estará bem atendido para atingir sua meta de longo prazo na aposentadoria. Procure gestoras com comprovada competência em sua equipe de analise, e fundos de ações que sejam considerados “Ibovespa ativo”, com a intenção de superar o bechmark. Prefira esses as ações propriamente ditas.
E lembre-se: o resultado do seu sucesso financeiro também depende de você!
*Fabiano Pessanha, CFP, planejador financeiro certificado pelo IBCPF