Quais os próximos avanços regulatórios esperados pelos FIIs? Especialistas comentam

Uso como garantia e inclusão no Ibovespa são pontos centrais nas conversas com reguladores

Vinicius Alves

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A indústria de fundos imobiliários (FIIs) no Brasil está diante de uma nova etapa de amadurecimento. Entre os pontos em discussão com reguladores, B3 e investidores, estão medidas que podem ampliar a liquidez e atrair capital estrangeiro.

Entre os avanços esperados está a possibilidade de fundos imobiliários serem aceitos como garantia em operações do mercado financeiro, algo já permitido para outras classes de ativos, mas ainda vetado aos FIIs.

“Isso abriria um potencial enorme de bolso para o mercado, principalmente para investidores que operam vendidos ou utilizam derivativos”, afirma Vinicius Duarte, head da mesa de fundos listados da XP, no Liga de FIIs, programa do InfoMoney.

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Outro tema em pauta é a inclusão dos FIIs no Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira. Assim como ocorreu nos EUA, onde os REITs hoje representam cerca de 5% do S&P 500, a medida poderia trazer fluxo passivo de recursos de ETFs e fundos indexados.

“É uma agenda que pode se desenvolver ao longo dos próximos anos e que tem enorme potencial de atrair novos investidores e mais liquidez para o nosso mercado”, comenta Duarte.

Além disso, o setor acompanha os recentes aperfeiçoamentos regulatórios, como a autorização para recompra de cotas por parte dos fundos. Essa medida, segundo André Freitas, CEO da Hedge Investments, é uma ferramenta adicional para enfrentar períodos de juros elevados, quando os ativos tendem a ser negociados com grandes descontos frente ao valor patrimonial.

“É uma ferramenta que permite corrigir distorções de preço e capturar valor para dentro do fundo, algo que já ocorre em outros mercados maduros”, avalia.

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Consolidação e desafios para a internacionalização

O setor de FIIs já conta com mais de 400 fundos listados, número superior ao dos REITs nos EUA, embora lá exista maior concentração — cerca de 50 REITs representam 80% do market cap do mercado americano.

Esse movimento de consolidação começou a aparecer no Brasil nos últimos anos, associado também pelo surgimento de novos produtos, como ETFs, derivativos e contratos futuros atrelados.

“Todos esses instrumentos ajudam a tornar a indústria mais robusta, diversificar a base de investidores e ampliar o capital disponível”, explica Duarte.

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Apesar dos avanços, ainda existem barreiras para consolidar a presença dos FIIs nos mercados globais.

Freitas lembra que há exigências de governança, padronização contábil e divulgação de informações em inglês que muitos fundos brasileiros ainda não cumprem. “É preciso adequar controles internos e critérios de divulgação para atender padrões internacionais e estar habilitado a participar desses índices globais.”

O executivo também cita fatores macroeconômicos que pesam na atratividade do Brasil, como juros reais elevados e riscos fiscais. “É difícil fomentar a classe com taxa de juros de 15% ao ano”, aponta Freitas.

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Confira a entrevista completa de André Freitas e Vinícius Duarte na edição desta semana do Liga de FIIs. O programa vai ao ar todas as quartas-feiras, às 18h, no canal do InfoMoney no Youtube. Você também pode rever todas as edições passadas.

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