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SÃO PAULO – Muitas vezes restritos a clientes institucionais, os fundos de private equity (que compram participações em empresas com objetivo de vendê-las com lucro) estão mais próximos dos investidores pessoa física brasileiros. Isto porque já é possível adquirir cotas de fundos de fundos.
Estes fundos investem em cotas de outros fundos de private equity ou realizam co-investimentos. Isto quer dizer que ao comprar uma cota de um fundo como este, o investidor tem exposição a diversos outros fundos, que podem investir em empresas de setores diferentes. “Uma das vantagens é a diversificação do risco. Por exemplo: em vez de colocar todo dinheiro em um fundo que investe apenas em óleo e gás, ou apenas em reflorestamento, você compra um fundo que pode investir em diversos setores”, explica Clóvis Meurer, presidente da Abvcap (Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital).
Atualmente, a única gestora brasileira que disponibiliza este tipo de aplicação com esforços de distribuição para pessoas físicas é a Spectra Investiments. O segundo fundo da casa, aberto no final do ano passado, já captou R$ 40 milhões e a expectativa é atingir R$ 200 milhões de investidores brasileiros até abril deste ano. O foco está nas médias empresas, com faturamento entre R$ 30 e R$ 200 milhões, no Brasil e América Latina.
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“É um investimento na economia real, que não sofre com as oscilações do mercado financeiro e apresenta bons retornos”, diz Renato Abissamra, sócio da Spectra.
Fazem parte da carteira da gestora tanto fundos generalistas (que investem em diversos setores), quanto fundos focados em uma determinado setor. Além disso, alguns têm objetivo de comprar controle das empresas e outros preferem manter posições minoritárias. “É uma carteira diversificada e o principal critério é o tamanho das empresas”, explica o executivo.
Ele destaca que, no longo prazo, a expectativa é que as taxas de juros reais caminhem para patamares mais civilizados, diminuindo o retorno de outros investimentos. “À medida que você tem um cenário claro de diminuição da taxa de juro real no Brasil, aumenta a necessidade do investidor ter acesso a estes produtos”, acredita.
Riscos X retorno
Os fundos de private equity são mais arriscados do que outras aplicações “convencionais”, já que os gestores muitas vezes apostam em empresas com alto potencial de retorno, mas ainda em fase de crescimento. O setor no qual a empresa está inserida e o tipo de investimento também influenciam.
Além disso, o investidor de um fundo de private equity também precisa abrir mão da liquidez, explica Meurer. “O brasileiro ainda está acostumado a fazer investimentos pensado no curto prazo, em semanas ou poucos meses. O private equity é uma aplicação de médio e longo prazo. A duração do investimento normalmente é de 5 anos ou mais. É bem diferente de um fundo de ações, ou de renda fixa, em que você faz o pedido de resgate a em poucos dias o dinheiro está na sua conta”, diz o presidente da Abvcap.
Mas a falta de liquidez e o risco da aplicação são compensados pelas taxas de retorno, que podem ultrapassar os 20% ao ano. “Se você ganha 10% em uma aplicação livre de risco, precisa de um retorno na faixa de 20% ou mais para um investimento como este”, explica Meurer. “Alguns fundos que investem em empresas de tecnologia e setores de maior risco buscam rendimento em torno de 25% a 30% ao ano”, continua o executivo.
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Distribuição e tipo de investidor
A distribuição do fundo da Spectra está sendo realizada por meio de familly offices e casas especializadas em gestão de patrimônio, como a Taler, Claritas Investimentos, Fator, BNP Paribas e Daycoval. “Outras deverão aderir ao processo ainda ao longo do primeiro trimestre”, afirma a Spectra.
Apesar de estar mais acessível, investir neste tipo de fundo ainda não é para qualquer um. O novo fundo da gestora exige um tíquete mínimo de R$ 300 mil e o investidor precisa ser qualificado (ter R$ 300 mil em aplicações financeiras e atestar esta condição). “Nosso foco são os clientes de Private Banking, que possuem de R$ 10 a R$ 30 milhões de recursos para investir”, diz Abissanra. Isso porque ele não recomenda que o investidor destine mais de 10% dos seus recursos para este tipo de aplicação, já que o objetivo é a diversificação.
Para quem achou R$ 300 mil um valor muito elevado, Abissamra lembra: “Os fundos de private equity normalmente captam uma média mínima de R$ 5 milhões”.
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O presidente da ABVCAP ressalta que a necessidade de ser qualificado é uma forma de proteger o investidor, que está aplicando em um produto mais sofisticado e com um risco maior. “É bem diferente de você comprar uma ação na bolsa, ou um fundo convencional”, compara.
“É um mercado complexo, com tíquetes mínimos elevados, e existe uma dose de concentração: se você investe em um único fundo de private equity, em 7 anos este fundo terá em média entre 5 a 7 empresas no portfólio”, completa Abissamra.
Primeiro fundo
O primeiro fundo de fundos da Spectra, que captou R$ 50 milhões, foi levantado entre 2011 e 2012, está 80% investido em 14 empresas: 11 por meio de fundos e 3 por meio de co-investimentos. Segundo a gestora, a meta é chegar entre 35 a 50 empresas investidas em cada um dos fundos. Aqqua Capital, Axxon Group, DLM Invista e Endurance são alguns dos fundos que fazem parte da carteira.