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O mercado está em alerta. Logo após as eleições, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu um discurso agregador. Mas, na semana passada, deixou os investidores de cabelos em pé ao afirmar que poderia deixar de lado o teto de gastos para priorizar a PEC da Transição e abrir espaço de R$ 105 bilhões no Orçamento de 2023.
As negociações do Tesouro Direto, por exemplo, sistema que permite a compra de títulos públicos emitidos pelo governo federal, foram interrompidas diversas vezes na quinta (10) e na sexta-feira (11). Quando isso acontece, não é possível comprar novos títulos públicos. A suspensão dos negócios do Tesouro Direto é acionada como uma resposta ao estresse do mercado.
No encerramento da sétima edição da Money Week, na sexta-feira (10), Luis Stuhlberger, sócio da Verde Asset, e Luiz Parreiras, também gestor da Verde, fizeram uma “radiografia” de como o mercado observa os primeiros dias do governo de transição. Para Parreiras, as primeiras impressões não são nada boas.
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“Provavelmente, não foi Lula que ganhou a eleição e, sim, a rejeição ao presidente Bolsonaro. Lula tem que começar a transpor o discurso para a prática. Um problema enorme: inconsistência entre o discurso mais ao centro e a prática irresponsável. Estão falando em pacote fiscal sem ministro da Fazenda”, detalha. “Estão tentando medir qual o tamanho da bobagem que dá para fazer”.
Para ele, o presidente eleito deu mostras, em mandatos anteriores, de que opta por ouvir vários lados. Mas agora “não sabemos se ele fará isso”. Parreiras analisa que o Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, poderá falar sobre o cenário econômico nos próximos dias. “Temos um Banco Central independente. Ou seja, um pedaço do barco tem piloto [Campos Neto] e, no outro, o manicômio está dirigindo”.
Stuhlberger reforça o tom crítico de Parreiras. “Está todo mundo ‘chocado’ com os últimos discursos, porque era esperado um Lula moderado”.
O sócio da Verde Asset afirmou que gosta de tentar interpretar o que passa pela cabeça do presidente eleito. “O que ele fez de 2004 a 2010? O Brasil cresceu muito, a arrecadação cresceu mais do que o PIB, houve momentos em que o País capturou coisas que não tinha”, ressalta. Ele cita os preços das commodities, que levaram o Brasil a um outro patamar. “E com juro real elevadíssimo. Isso se equilibrou durante um tempo”.
Stuhlberger lembrou a conversa que teve com Lula em um jantar, para entender o que pensa próximo presidente. Ele disse que Lula pretende repetir o que fez “naquela época, porque o governo tem que ser o indutor do desenvolvimento. Vamos esquecer o fiscal, os gringos e a ‘Faria Lima’. As pessoas passam da classe D para a C, começam a comprar, o PIB cresce muito e as coisas se equilibram, porque a arrecadação também sobe. É um jeito de a esquerda pensar”.
De acordo com Stuhlberger, à medida em que o mercado se manifestar contra, a PEC deverá ser reduzida. Mas, até aí, o “DNA” do novo governo já terá sido exibido. “É como a pasta de dente que saiu do tubo. Você não consegue mais colocar de volta”, diz. Desta forma, o mercado sempre se lembrará do início do governo e terá “o pé atrás”.