Previdência privada cresceu 38% em 2001

Superando as expectativas do próprio setor, a receita acumulada com planos de previdência em 2001 ficou em R$ 7,37 bilhões

Publicidade

SÃO PAULO – O brasileiro está cada vez mais preocupado com a sua aposentadoria, afirmação que pode ser comprovada pelos números divulgados pela Associação Nacional de Previdência Privada (Anapp) para o ano de 2001. Superando as expectativas do próprio setor, que esperava por uma receita de R$ 6 bilhões, a receita acumulada com planos de previdência em 2001 ficou em R$ 7,37 bilhões.

Crescimento de 40% ao ano desde 1996

A receita de 2001 ficou 38,4% acima daquela registrada durante todo o ano de 2000, quando a receita acumulada no ano ficou em R$ 5,326 bilhões. Com os resultados do ano passado o crescimento das receitas com previdência nos últimos cinco anos foi de aproximadamente 39% por ano.

O crescimento de 2001 apesar de em linha com o registrado nos anos anteriores surpreende pelo fato de que o aumento nos juros e diminuição do crescimento econômico levou a uma redução do poder aquisitivo da população, que muitos acreditavam acabasse refletindo na taxa de captação dos planos de previdência.

Carteira de Investimentos cresceu 36%

Se por outro lado considerarmos a evolução da carteira de investimentos, o crescimento foi de 36,6% entre dezembro de 2000 e dezembro de 2001. A carteira de investimentos das entidades abertas de previdência privada ficou em R$ 23,41 bilhões no final de dezembro de 2001. Nos últimos cinco anos a carteira de investimentos destas entidades passou de apenas R$ 4,637 bilhões no final de 1996 para os atuais R$ 23,41 bilhões de 2001, ou um crescimento médio de 38,2% ao ano.

VGBLs devem impulsionar crescimento em 2002

Como já vem acontecendo desde a sua introdução no final de 1998, os PGBLs (Plano Gerador de Benefício Livre) foi um dos maiores responsáveis pelo forte crescimento em receitas alcançado no ano passado. Entretanto, o mercado espera que em 2002 os PGBLs acabem perdendo espaço para novos produtos de previdência, notadamente os VGBLs (Vida Gerador de Benefício Livre)

Para se ter uma idéia o Bradesco líder absoluto no mercado de previdência, com cerca de 52% da carteira de investimentos do setor, estimada em R$ 23,1 bilhões, aposta nos VGBLs para consolidar sua posição de liderança no setor. A expectativa da instituição é de conseguir aumentar as receitas que em 2001 ficaram em R$ 3,4 bilhões para R$ 6 bilhões no final de 2002. Para tanto o Bradesco pretende abocanhar 50% do mercado dos VGBLs apoiando-se não só na sua marca mas principalmente na sua liderança com o PGBL.
A grande vantagem dos VGBLs
é que atendem não somente aos indivíduos que pagam imposto através da declaração completa de IR, mas também às pessoas que declaram pelo formulário simplificado ou mesmo não pagam imposto. Neste sentido, o público alvo são as pessoas que fazem a declaração simplificada do Imposto de Renda e aquelas que atuam na economia informal, perfis que caracterizam boa parte dos correntistas do Bradesco.

Crescimento em 2002 pode ser de 30%

Continua depois da publicidade

Além da introdução dos VGBLs, o mercado deve se beneficiar da possibilidade de isenção dos ganhos com FAPIs (Fundo de Aposentadoria Programada Individual). Antes da introdução da medida provisória 2.222 em setembro do ano passado, os FAPIs distribuídos pelos bancos, não eram tão competitivos quanto os PGBLs, pois pagavam imposto sobre os ganhos com aplicações, enquanto nos PGBLs o imposto só é pago na hora do resgate.

Na opinião do diretor do Itaú Previdência, a combinação destes fatores deve compensar as possíveis perdas que o setor pode ter devido à introdução de tributação nos planos de previdência patrocinados por empresas. Antes da introdução da medida provisória, as contribuições das empresas para os planos de previdência patrocinados estavam isenta de IR, que passou a se cobrado em 2002. Na opinião do presidente da Cigna no Brasil, Eduardo Bom Ângelo, se a economia crescer de 2% a 2,5% em 2002 então o mercado de previdência terá espaço para aumentar mais de 30%.