Renda fixa

Prêmios de títulos do Tesouro Direto sobem nesta quinta-feira de maior aversão ao risco

Investidores monitoraram derrota do governo no Senado; no exterior, clima foi de tensão após dados fracos da economia e alerta do Fed

(Divulgação)

SÃO PAULO – As taxas oferecidas pelos títulos públicos negociados via Tesouro Direto apresentavam alta na tarde desta quinta-feira (20), com os investidores atentos à cena política doméstica.

Ontem, o Senado Federal derrubou o veto presidencial que congelava os salários dos servidores públicos até o fim de 2021.

O veto é considerado por agentes do mercado financeiro como uma garantia do compromisso fiscal do governo federal em meio à expansão nos gastos públicos provocados pela crise sanitária.

Sua derrubada pode, na avaliação dos especialistas, afetar a credibilidade do país e agravar a situação das contas públicas, em um momento em que se estima que a dívida bruta supere a marca de 95% do PIB neste ano.

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Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, sem o veto, as despesas da União, estados e municípios poderão aumentar em R$ 98 bilhões.

Após a decisão dos senadores, a equipe econômica trabalha para reverter a medida na Câmara. A decisão será analisada pelos deputados nesta quinta, a partir das 15h.

Nesta tarde, as falas do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendendo o veto do presidente Jair Bolsonaro ao reajuste de servidores, contribuíram para amenizar o clima hostil dos mercados. Junto com Maia, lideranças do Centrão também manifestaram apoio a não dar reajuste aos funcionários públicos.

Ainda nesta quinta-feira, os investidores monitoraram as sinalizações do ministro Paulo Guedes sobre a possível extensão dos pagamentos do auxílio emergencial, mas em um valor menor do que os R$ 600.

Na véspera, Bolsonaro afirmou que estava em busca de um novo valor para o auxílio, sinalizando que R$ 200, valor defendido pelo governo no início da pandemia, seriam insuficientes, mas que a manutenção em R$ 600 era inviável.

Mercado hoje

No Tesouro Direto, o título prefixado com vencimento em 2023 pagava uma taxa de 4,16% nesta tarde, ante 4,08%, na quarta-feira (19). O prêmio pago pelo mesmo papel com prazo em 2026, por sua vez, subia de 6,51% para 6,60%.

Entre os títulos indexados à inflação, o papel com juros semestrais e vencimento em 2055 pagava uma taxa anual de 3,96%, ante 3,86% a.a. anteriormente, enquanto o prêmio pago pelo Tesouro IPCA+2035 avançava de 3,63% para 3,75% ao ano.

No câmbio, o sentimento negativo dos mercados fazia o dólar subir 0,8% ante o real, negociado a R$ 5,57, por volta das 16h.

Confira os preços e as taxas dos títulos públicos nesta quinta-feira (20):

Fonte: Tesouro Direto

Ambiente internacional

Na cena internacional, o sentimento também era de maior aversão ao risco, após o Federal Reserve, o banco central americano, revelar ontem uma preocupação com a “atividade econômica, o emprego e a inflação” em meio à pandemia de coronavírus.

Com essa sinalização de recuperação mais difícil, cresce a expectativa para que democratas e republicanos cheguem a um acordo sobre um novo pacote de estímulo à economia dos Estados Unidos.

Também pesou para o pessimismo dos mercados, o aumento de pedidos de seguro-desemprego, nos EUA, que somaram 1,106 milhão na semana passada.

O número veio acima da mediana das expectativas dos economistas consultados pela Bloomberg, que apontava para 920 mil requisições do benefício no período.

Conflitos geopolíticos foram outra fonte de preocupação do dia. Isso porque o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, alertou para que a Rússia e a China não violem as sanções impostas ao Irã.

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