Expert XP 2022

Preços dos ativos estão “aceitáveis” e não parece haver excessos nos mercados, diz Howard Marks

Em painel no evento, sócio-fundador da gestora Oaktree se disse preocupado com inflação americana e afirmou que ela só deve retornar aos 4% daqui a um ano

Por  Bruna Furlani -

Após um período complicado para os mercados de renda variável ao redor do mundo, que precificaram uma desaceleração global e inflação mais persistente, a impressão agora é de que os preços já estão “aceitáveis” e não há ativos “insanamente altos”, segundo Howard Marks, sócio-fundador e co-chairman da gestora Oaktree Capital Management.

A afirmação foi feita nesta quarta-feira (3) durante a participação de Marks em um painel da Expert XP — para acompanhar as palestras online ou presencialmente em São Paulo, inscreva-se aqui. O painel contou ainda com a participação de Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP, e Jennie Lie, estrategista da corretora.

Para Marks, os preços passaram do ponto de “muito otimismo” e agora estão em um período em que parece que “não há excessos”.

Em sua justificativa, afirmou que os investidores estavam bastante otimistas no fim de 2021 com a vacina contra o coronavírus e a retomada da economia. A situação, no entanto, parece ter se invertido quando o mercado começou a se preocupar com a inflação e com a postura que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) teria que adotar para controlar a alta de preços, o que envolveria colocar a economia americana em recessão.

“No meio de junho [deste ano], eu estava pronto para ficar mais agressivo porque achei que os preços estavam muito baixos, pois a psicologia estava muito negativa”, pondera, fazendo referência a um cenário em que os investidores passaram a precificar uma economia extremamente ruim e os preços recuaram bastante.

Para Marks, o momento atual exige cautela e o mais adequado é não estar nem muito agressivo, nem muito defensivo. “Acho que seria um erro estar superagressivo ou muito otimista agora”, avalia.

O impacto da inflação

Ao ser questionado sobre como vê o cenário para a alta de preços nos próximos anos, Marks ponderou que, antes da pandemia, a inflação tinha ficado muito tempo abaixo de 2% – e, agora, está na casa dos 9%. Para ele, a inflação deve seguir elevada e recuar para o patamar de 4% daqui a um ano.

Diante de dinâmicas inflacionárias mais persistentes, Marks chama a atenção para o fato de que o Fed está subindo os juros, o que tende a reduzir o valor dos ativos. Na prática, isso ocorre porque a taxa de desconto dos ativos acompanha a alta e também fica mais elevada. Logo, quando o ativo é trazido a valor presente, seu valuation costuma ser menor.

Para se proteger contra a inflação, uma das alternativas encontradas pelo megainvestidor foi comprar apartamentos, porque os aluguéis podem ser reajustados. O sócio-fundador da Oaktree disse ainda que é fundamental alocar em companhias que conseguem repassar os custos para os consumidores.

As dicas de Howard Marks

Embora o cenário seja extremamente difícil, Marks admitiu que investir não é uma tarefa fácil. “Você deve ser modesto em suas expectativas e modesto ao acreditar em suas capacidades. Você também não deve tentar entrar e sair, acreditando que estará sempre certo. Se tentar fazer isso, você poderá estar sempre errado”, afirmou.

Na avaliação do megainvestidor, o mercado sempre irá flutuar – o importante é que o investidor não flutue junto com ele. Segundo ele, se o investidor se juntar à multidão quando ela estiver otimista, os preços provavelmente estarão muito altos. Já se tentar participar da manada quando houver muito pessimismo e aproveitar para vender, os preços estarão muito baixos.

Em ambos os cenários, diz, o resultado será ruim – e, com certeza, os resultados do investidor não ficarão acima da média.

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