Publicidade
A poupança ocupa, há anos, o posto de queridinha dos brasileiros quando o assunto é finanças pessoais. São mais de R$ 640 bilhões aplicados nesse investimento, segundo números do Banco Central. O número impressiona, mas também chama atenção o fato de parcela considerável da população desconhecer outras opções de investimento de risco semelhante e com ganhos mais elevados. A modalidade de investimento que mais rivaliza com a Poupança é o Tesouro Direto.
Para esclarecer as dúvidas sobre as diferenças entre os dois investimentos, preparamos um comparativo trazendo as principais características deles. Confira:
O que é?
Poupança: é a aplicação financeira mais antiga do mercado. Foi criada em 1861, ainda na época do Império, com a fundação da Caixa Econômica Federal. O dinheiro captado junto à população é usado, principalmente, para financiar o crédito imobiliário, mas também há uma parcela dos recursos que fica sob custódia no Banco Central para fins de compulsório e outra se destina a fortalecer o Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Oportunidade com segurança!
Tesouro Direto: concebido em 2002, o programa foi promovido pelo Tesouro Nacional em parceria com a BM&FBovespa. Essa modalidade de investimento permitiu que pessoas físicas comprassem títulos públicos, o que até então somente era possível via fundos de renda fixa, o que era mais desvantajoso, porque havia a cobrança da taxa de administração. Os títulos públicos equivalem a emissão de dívida pelo Governo. Os papéis são emitidos pelo Tesouro Nacional para financiar investimentos e outros gastos públicos. Por contar com essa garantia do Governo, são apontados como um dos investimentos mais seguros do mercado.
Rentabilidade
Poupança: o rendimento é composto pela Taxa Referencial somada a uma parcela adicional de 0,5% ao mês, equivalente a 6,17% ao ano. A Taxa Referencial é variável, divulgada todo mês pelo Banco Central. O cálculo é feito com base nas taxas mensais médias de CDBs prefixados dos 30 principais bancos do país, descartando as duas maiores e as duas menores.
Em maio de 2012 o Governo promoveu uma alteração nas regras para quando a Taxa Selic for igual ou inferior a 8,5% ao ano. Desde então, quando os juros atingirem esse nível, a remuneração será de Taxa Referencial mais 70% da Taxa Selic mensal. Essa orientação é válida para as aplicações a partir de maio de 2012. Se o investimento foi feito antes dessa data, a regra anterior, de Taxa Referencial mais 0,5% ao mês, continua em vigor.
Continua depois da publicidade
Apesar de ser um investimento de renda fixa, a rentabilidade é variável. Quando a Taxa Selic está acima de 8,5% ao ano, como é o momento atual, os ganhos costumam oscilar entre 0,6% e 0,7% ao mês. Em períodos de inflação elevada, esse rendimento pode significar perda de poder de compra do investidor. É justamente o cenário que estamos vivenciando, em que a rentabilidade bruta da poupança soma cerca de 8,7% nos últimos 12 meses, contra uma inflação medida pelo IPCA de 9,56% no mesmo período. Ou seja, se você aplicou na poupança há um ano e resgatou o dinheiro hoje, conseguirá comprar menos bens e serviços que no passado.
Tesouro Direto: há cinco títulos públicos disponíveis no mercado, com modelos distintos de rentabilidade. São dois papéis prefixados, dois que pagam a variação do IPCA acrescida de juros fixos e um que acompanha a Taxa Selic. Então, quanto maiores as taxas de inflação e de juros, mais atrativos esses investimentos se tornam. A Taxa Selic está em 14,25% ao ano, e a inflação, medida pelo IPCA, em 9,56% nos últimos 12 meses.
Veja, a seguir, as rentabilidades oferecidas pelos títulos públicos do Tesouro Direto em 30 de agosto.
A rentabilidade é a soma do indexador mais a taxa de juros adicional. No Tesouro IPCA+ 2019, por exemplo, o investidor será remunerado pela variação da inflação mais uma taxa de juros de 6,35% ao ano. Portanto, todos os títulos públicos acima apresentam ganhos de dois dígitos.
Aplicação mínima
Poupança: não há limite mínimo de investimento.
Tesouro Direto: é possível comprar uma fração de título público a partir de R$ 30. Além de respeitar esse valor mínimo, o valor deve corresponder a pelo menos 1% do valor de um título público.
Continua depois da publicidade
Liquidez
Poupança: os resgates podem ser feitos diariamente. No entanto, a rentabilidade é computada mensalmente, na data de aniversário do investimento. Isso quer dizer que, se o resgate for antes da data de aniversário, o investidor perde o dinheiro que seria ganho no mês em questão. Para entender com um exemplo prático: se o investidor aplicar em 1º de setembro e retirar o dinheiro no dia 30 do mesmo mês, não será computada nenhuma rentabilidade, porque a data de aniversário é 1º de outubro.
Tesouro Direto: os títulos públicos têm data de vencimento definida no momento da compra, no entanto o Tesouro Nacional promove recompras diárias desses papéis. Mas atenção: ao vender antecipadamente, o investidor abre mão da rentabilidade contratada e recebe o preço de mercado pelos títulos públicos. Essa decisão precisa ser feita com cautela, porque os preços oscilam, principalmente, em função das taxas de juros praticadas no mercado, em uma relação inversamente proporcional. Isso quer dizer que se os juros subirem, o investidor pode perder dinheiro caso venda antecipadamente. Mas, se os juros caírem, também pode-se obter ganhos elevados. O título público que acompanha a Taxa Selic é o que tem a menor oscilação de preço em caso de venda antecipada, sendo o mais recomendado para quem quer evitar essas variações no curto prazo.
Tributação e custos
Poupança: isenta de Imposto de Renda e Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para pessoas físicas. Para pessoa jurídica, a alíquota do Imposto de Renda é de 22,5%.
Continua depois da publicidade
Tesouro Direto: Imposto de Renda segundo a tabela regressiva. Portanto, o rendimento dos títulos públicos é tributado a 22,5% para os resgates em até 180 dias, reduzindo para 20,0% entre 181 dias e 360 dias, 17,5% entre 361 dias e 720 dias, e 15,0% após 720 dias. Também incide o IOF caso a operação de compra e venda seja feita em até 30 dias. Após esse prazo, o imposto é isento.
Os investimentos via Tesouro Direto podem contar com dois custos adicionais: uma taxa de custódia cobrada semestralmente pela BM&FBovespa, de 0,3% ao ano, e uma taxa adicional que pode ser cobrada pela instituição financeira que estiver intermediando a operação – algumas, como a XP Investimentos, não cobram essa taxa.
Segurança
Poupança: conta com garantia do Fundo Garantidor de Crédito para montantes até o limite de R$ 250 mil.
Continua depois da publicidade
Tesouro Direto: os títulos públicos são emitidos pelo Tesouro Nacional, portanto é considerado um dos investimentos mais seguros do mercado financeiro. As instituições financeiras apenas intermediam as operações; os títulos permanecem custodiados na CBLC, portanto não há o risco de falência da instituição financeira.
Riscos
Poupança: o risco é de quebra de instituição financeira para valores acima de R$ 250 mil, o limite garantido pelo FGC.
Tesouro Direto: caso o investimento seja mantido até a data de vencimento, o risco permanece restrito à capacidade de pagamento do Tesouro Nacional, uma vez que não há garantia do Fundo Garantidor de Crédito. Caso o investidor opte pela venda antecipada, também há o risco de mercado, ou seja, de flutuação nos preços, dependendo do cenário macroeconômico.
Continua depois da publicidade
Avaliação geral
Poupança: é um investimento muito prático e sem custos envolvidos, mas a baixa rentabilidade pode se traduzir em perda do poder de compra em momentos de inflação mais elevada.
Tesouro Direto: com perfil de risco semelhante ao da poupança, essa modalidade disponibiliza mais opções de investimentos, acompanhando as oscilações nas taxas de juros e de inflação. Os títulos públicos costumam oferecer retornos acima da poupança, mesmo após o desconto de impostos e taxas.
Para aprender a investir em Tesouro Direto e aumentar as chances de ganhos, insira seu e-mail ao lado e receba um curso grátis com o professor André Massaro.