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Caros(as) leitores(as),
Sou uma pessoa de poucos (e bons) hobbies. Minha veia “nerd” leva para os passatempos que normalmente envolvem estudo. E o mundo do vinho é um dos que recentemente entraram na rotina.
Para entender mais sobre esse suco de uva podre com álcool, não tem mistério: leitura e litragem. É preciso sentar na cadeira e estudar, ao passo que a prática – de beber, no caso – deve acompanhar, para tornar esse aprendizado tangível.
Oportunidade com segurança!
Um dos meus melhores amigos, Thomas Sampaio, mais conhecido como “Jovem do Vinho” nas redes e confrarias, vem me ensinando bastante sobre o tema (tudo que sei, na realidade). Em uma de nossas trocas riquíssimas, ouvi dele: “Colla, vinho é o melhor investimento possível. Esquece esse negócio de ativos financeiros, nunca perdi dinheiro com vinho”.
Obviamente, disse isso em tom de brincadeira – mas daquelas que têm um fundo de verdade.
(Uma observação: o papo foi tão divertido e a comparação fez tanto sentido que foi o tema do último episódio do podcast Stock Pickers, com o próprio Thomas e também André Gadelha, sócio e membro do comitê de investimento da STK, além de amigo “resenheiro” de mercado.)
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Thomas tinha razão, vinhos são os melhores investimentos. Porém, não no sentido literal, o ato em si de comprar vinhos. E, sim, a filosofia por trás desse pensamento.
Além de realizar uma boa seleção, depois de comprar um vinho, Thomas o engaveta em sua adega e “esquece” dele durante muito tempo. São os chamados “vinhos de guarda”.
O fato: ninguém vai pegar o telefone e ligar para o Jovem todos os dias para dizer qual o preço de cada garrafa de sua adega. Ele não sabe como os preços das suas garrafas está oscilando no mercado. Apenas faz um bom dever de casa ao escolhê-los e esquece deles por um tempo.
Qualquer movimento de curto prazo que seja “negativo” não vai incomodar meu amigo. Se um de seus rótulos desvalorizar, ele provavelmente não fará nada – ou, se tiver sorte e encontrar dinheiro livre na conta, talvez compre mais uma garrafa.
O processo mental para isso é tão claro e intuitivo para ele que o investimento em garrafas de vinho realmente parece ser o que há de mais atrativo. Na mesma linha, o investimento em imóveis, bem popular no Brasil, segue mais ou menos o mesmo raciocínio.
No fim do dia, nem os vinhos ou os imóveis são necessariamente as melhores formas de alocar recursos. O que conta, aqui, é o efeito do tempo. Quando abrimos uma conta numa corretora e investimos, nós temos acesso todos os dias às oscilações do mercado. O noticiário pesa, e esse conjunto de informações influencia nossa tomada de decisão.
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No mercado financeiro, o tempo de permanência em um investimento costuma ser o principal fator a tornar as estatísticas positivas para bons retornos. O ato de realizar uma boa seleção de ativos ou produtos financeiros, realizar um investimento no tamanho adequado e carregá-lo por uma janela de tempo longa costuma ser uma forma “simples” de obter bons resultados.
É claro que muita coisa muda no caminho. É preciso revisitar as teses de investimento. A depender do mercado e da estratégia, o horizonte de investimento também pode demandar ajuste.
É claro que Thomas, assim como quase todos os amantes de vinho, diz isso para tranquilizar a própria cabeça, dado o quanto gasta (e não investe) nas garrafas. Afinal, fatalmente todas serão abertas, consumidas e transformadas em urina.
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Nunca vi ativos financeiros indo descarga abaixo, mas bem que você poderia ceder um espaço da sua adega para eles.