Por que Bitcoin desabou 21% após ETF? Entenda motivos e até onde queda pode ir

Criptomoeda se recuperou nesta quarta, mas especialistas ainda veem espaço para mais perdas nos próximos dias

Lucas Gabriel Marins

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O lançamento dos aguardados ETFs (fundos de índice) de Bitcoin (BTC) deixou um gosto amargo na boca dos investidores: em meio à comemoração pelo fato histórico, o preço da criptomoeda desandou.

Do dia 11 de janeiro, quando os primeiros ETFs começaram a ser negociados, até a noite de terça-feira (23), o Bitcoin despencou 21%, caindo de sua máxima de dois anos de US$ 49 mil para US$ 38.500. Nesta quarta, o preço retoma os US$ 40.000, reduzindo as perdas para cerca de 18%. Nos 12 meses anteriores, a moeda digital havia subido 160%.

Para especialistas, o evento acabou se provando mais um buy the rumor, sell the news (compre no boato, venda no fato), comportamento que envolve a alta de um ativo antes de um anúncio importante por causa da pressão compradora, seguido da queda por uma onda de realização de lucros. Mas, nesse caso em particular, quem são os responsáveis pela venda em massa?

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Segundo dados da empresa de análise Glassnode, parte da queda se deve às vendas dos investidores de longo prazo (aqueles que a detêm o ativo há pelo menos seis meses). A oferta total do ativo detida por eles diminuiu em cerca de 75 mil BTC, na comparação com o máximo histórico de novembro. Na prática, significa que quem guardava BTC há bastante tempo se desfez de suas posições, embolsando o lucro.

Apesar disso, especialistas minimizam o episódio. “É um movimento de curto prazo, nada mudou no fundamento”, avalia José Gabriel Bernardes, sócio da Fuse, para quem a queda se deve a uma reação exacerbada do mercado, e por um alto grau de alavancagem. “Muitos traders foram liquidados”, disse.

Onda de resgates

Outro motivo para a desaceleração, segundo especialistas, são as liquidações no GBTC, um dos 11 ETFs a receber sinal verde do regulador. O produto, que era um fundo fechado de criptomoedas de US$ 22 bilhões da gestora Grayscale, foi transformado em ETF após decisão judicial. Ele registrou quase US$ 4 bilhões em resgates nos oito primeiros dias de negociação, segundo o analista de ETFs da Bloomberg, James Seyffart.

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Antes de virar ETF, o fundo não permitia resgates, o que causou forte deságio nas cotas. “Ao ser convertido em ETF, o produto ficou resgatável, permitindo a troca da cota ou a venda no mercado secundário, e esse desconto acabou, o que fez muita gente vender”, explica Rony Szuster, analista de research do MB. “Além disso, o GBTC é antigo, e a grande maioria [dos cotistas] estava no lucro, o que favoreceu o movimento de venda”.

Entre os vendedores de cotas do GBTC está o espólio da falida exchange de criptomoedas FTX, que se desfez da maioria de suas participações no fundo. A corretora detinha cotas de cinco trusts da Grayscale e um trust estatutário administrado pela Bitwise Investment Advisors.

Até onde o queda pode chegar?

As Ondas de Elliott (análise técnica usada para entender os ciclos do mercado) e a sequência de Fibonacci (padrão utilizado para analisar a formação presente e decidir comprar ou vender) sinalizam um suporte para o Bitcoin entre US$ 36 mil e US$ 38 mil, antes da retomada da alta.

“Para parte técnica, traçando a retração de Fibonacci no gráfico semanal do Bitcoin do fundo do bear market [período de baixa] ao topo local, eu falaria que o suporte deve vir ao redor de US$36 mil, movimento já visto anteriormente em outros ciclos do BTC”, disse Szuster, do MB.

Longo prazo

Apesar da queda recente, a perspectiva futura para os ETFs à vista de BTC continua positiva, segundo Sebastián Serrano, CEO e cofundador da Ripio. Isso porque, disse ele, à medida que os fundos são negociados, as gestoras devem comprar BTC para corresponder ao valor patrimonial líquido de seus produtos.

“Em resumo, quando um investidor compra um ETF, o administrador deste fundo precisa comprar BTC para corresponder ao volume do fundo. Portanto, o Bitcoin continuará a ser um ativo muito procurado, embora o boom dos ETFs não vá acontecer tão cedo como se esperava”, falou.

Nos dois primeiros dias de negociações, os fundos de índice detinham um total de 644.860 unidades de Bitcoin no valor de mais de US$ 27 bilhões, segundo dados da Glassnode.

Lucas Gabriel Marins

Jornalista colaborador do InfoMoney