Por que as mulheres ainda são só 26% da base de investidores em FIIs?

Dados da B3 mostram que mulheres mantêm valor mediano investido superior ao dos homens, mas seguem minoria no mercado de fundos imobiliários

Vinicius Alves

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Apesar do avanço da presença feminina no mercado financeiro, os fundos imobiliários ainda seguem concentrados entre investidores homens. Dados da B3 mostram que as mulheres representam atualmente cerca de 26% da base de investidores de FIIs, enquanto os homens concentram aproximadamente 74% do total de participantes do segmento.

O dado chama atenção porque, embora sejam minoria em número de investidores, elas têm valor mediano investido superior ao dos homens. Em março de 2026, o estoque mediano aplicado por mulheres em fundos imobiliários era de aproximadamente R$ 5,3 mil, contra cerca de R$ 3,5 mil entre os homens.

Na avaliação de Izabele Correia, analista de fundos imobiliários da Nord Investimentos, ainda existe uma percepção equivocada sobre a indústria de FIIs, frequentemente associada a investidores mais velhos ou pessoas que já possuem patrimônio elevado.

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“O problema não é o produto, é a narrativa em torno dele. Muitas mulheres ainda associam investimento à complexidade ou acreditam que precisam ter muito dinheiro para começar”, afirma a analista.

“Investir também é sobre independência”, diz analista

Segundo Correia, a baixa participação feminina nos fundos imobiliários passa não apenas por educação financeira, mas também pela forma como o mercado historicamente se comunicou com as mulheres.

“Durante muito tempo, o mercado financeiro se comunicou de forma muito técnica e distante da realidade feminina. Faltou mostrar que investir não é apenas sobre rentabilidade, mas também sobre independência e poder de escolha”, diz.

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A especialista relembra ainda um conselho que recebeu da mãe aos 23 anos e que, segundo ela, moldou sua visão sobre dinheiro e autonomia.

“Minha mãe me dizia: Busque incansavelmente independência financeira e emocional, mas, se tiver que priorizar uma, priorize a financeira. É ela que te dá poder de escolha em vários âmbitos da vida”, conta.

Para Correia, a relação das mulheres com o dinheiro costuma ser diferente da observada entre homens investidores, principalmente pela busca maior por estabilidade, segurança e reserva financeira.

“A própria Anbima mostrou que muitas mulheres priorizam liquidez e segurança imediata, mesmo com menor rentabilidade. Isso conversa muito com a realidade financeira de várias brasileiras, que carregam maior preocupação com estabilidade, família e reserva de emergência.”

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Participação feminina passa pela própria indústria financeira

Na visão de Sharon Halpern, sócia e private banker da Blackbird Investimentos, a própria estrutura do mercado financeiro ainda afasta parte do público feminino.

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De acordo com Halpern, a falta de conhecimento financeiro acaba gerando receio em relação a produtos considerados mais sofisticados. “A falta de conhecimento gera medo. Medo do desconhecido, medo de perder dinheiro”, comenta.

Ela acredita que o aumento da participação feminina passa também por mudanças dentro da própria indústria financeira, com maior presença de mulheres em cargos de liderança, eventos voltados ao público feminino e comunicação mais acessível.

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FIIs aparecem como alternativa de longo prazo

Apesar da baixa participação feminina, Halpern avalia que os fundos imobiliários podem ocupar espaço relevante dentro de uma carteira voltada ao longo prazo e à geração de renda.

“Os fundos imobiliários cabem bem para o longo prazo, principalmente para quem busca renda. Eu gosto mais da classe dos fundos imobiliários do que dos imóveis propriamente ditos”, diz.

Ela ressalta, porém, que a construção patrimonial não deve ser baseada em ativos isolados, mas em uma carteira equilibrada e alinhada ao perfil de risco de cada investidora. “Sempre vai depender do perfil. Eu acredito muito mais em uma carteira bem estruturada pensando no todo”, afirma.

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Além dos FIIs, a executiva destaca que o atual cenário de juros elevados também mantém a renda fixa atrativa para investidores mais conservadores.

“Hoje temos ótimas oportunidades nos títulos públicos. A renda fixa está pagando muito bem, principalmente aqui no Brasil, com a Selic mais alta por mais tempo.”

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