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SÃO PAULO – O aumento da taxa de juros no Brasil, com o objetivo principal de conter a demanda e o consequente avanço da inflação, tem feito com que muitos investidores prefiram a segurança da renda fixa à instabilidade do mercado acionário.
Desde janeiro, a Selic (taxa básica de juro) passou de 10,75% ao ano para 12,25% a.a., um aumento de 1,5 ponto percentual. Ao mesmo tempo, o Ibovespa (principal referencial do mercado acionário brasileiro), recuou 11,2% (com base no fechamento de sexta-feira) e a BM&FBovespa viu o número de investidores pessoa física diminuir 1,25%, de 610,9 mil em dezembro de 2010 para 603,2 mil em junho deste ano.
Para piorar as coisas para a bolsa, nesta segunda-feira (11), o mercado voltou a aumentar a projeção para a Selic este ano. De acordo com o Relatório Focus, elaborado pelo Banco Central (BC) com analistas do mercado financeiro, a Selic deve terminar 2011 a 12,75% ao ano, 0,25 ponto percentual acima das estimativas anteriores.
Custo de oportunidade
Mas, afinal, como a Selic pode afetar o desempenho da bolsa? Os analistas ressaltam que a relação é bastante simples. Com os juros básicos da economia mais elevados, a remuneração da renda fixa também fica maior. Assim, para a maioria dos investidores, vale mais a pena aplicar em títulos de renda fixa, que oferecem um risco muito mais baixo, do que em renda variável. Ou seja, se há um aumento na taxa, parte dos investidores vende suas ações para aplicar em ativos de renda fixa e, com isso, os preços das ações tendem a cair.
“É o que chamamos de custo de oportunidade. Se você tem um investimento teoricamente sem risco remunerando a uma taxa de 12,5% ao ano, o investimento em Bolsa tem que ter um atrativo maior do que esse para valer a pena e compensar o risco que o investidor tem”, afirma o analista da Futura Investimentos, Adriano Moreno.
O analista da corretora Socopa, Osmar Camilo, lembra que, no geral, a maioria dos investidores tende a ser conservador. Com a bolsa em queda e os juros em alta, aumenta ainda mais a proporção de investimentos em renda fixa, até mesmo por aqueles investidores mais acostumados a correr riscos.
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“Quando a taxa de juros aumenta, é natural que o investidor aumente a sua exposição na renda fixa, já que o retorno compensa mais”, ressalta.
Carteira diversificada
O analista da Socopa lembra que o ideal é ter sempre uma carteira diversificada, com uma parte dos investimentos em renda variável e outra parte em renda fixa.
“Quando a taxa de juros aumenta, o investidor aumenta o percentual aplicado em renda fixa. Já quando a taxa recua, o investidor volta a aplicar mais em renda variável”, afirma Camilo.
Momento atual
Os especialistas lembram que a bolsa de valores passa por um momento de muitas incertezas, não apenas devido à economia brasileira, mas também por conta do cenário internacional.
A crise na Grécia e em outros países periféricos da zona do euro, que apresentam dificuldades de equalizar suas contas, e a lenta recuperação da economia norte-americana também têm feito com que o mercado de renda variável nacional sofra.
“O momento ainda é bastante nebuloso para a bolsa. O Ibovespa está na faixa dos 61 mil pontos e a média de projeção para um ano está em torno de 70 mil a 75 mil, mas esta recuperação gera muitas dúvidas. Já com a renda fixa, há uma garantia de rentabilidade”, afirma Adriano Moreno, da Futura Investimentos.