Petróleo dispara em Londres, refletindo queda dos estoques dos EUA

Na primeira sessão de 2003, o petróleo opera com forte alta, refletindo a greve na Venezuela e o temor de guerra no Iraque

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SÃO PAULO – No primeiro pregão de 2003, o preço do petróleo do tipo Brent opera em alta no mercado futuro de Londres nessa quinta-feira. Essa alta se deve ao anúncio de que os estoques de petróleo nos EUA recuaram mais do que o esperado, refletindo a greve geral na Venezuela.
Com isso, a cotação do barril do petróleo Brent, negociado no mercado de Londres, atinge US$ 29,35
nesta quinta-feira, alta de 2,40% em relação ao último fechamento.

Greve começa a afetar produção internacional

Segundo o Instituto Americano de Petróleo (API), os estoques caíram 3,2% para 277,5 milhões de barris diários na última semana nos EUA, cerca de três vezes acima do esperado pelos analistas de mercado. Vale ressaltar que os EUA importam uma parte significativa da produção Venezuela, porém, em função da greve geral no país, as importações foram paralisadas.

Nesse sentido, a OPEP declarou que se o preço da commodity seguir com valorização superior ao patamar de US$ 28 por vinte dias de negociação, a Organização aumentará as cotas de produção com intuito de impedir uma disparada no preço do petróleo no mercado internacional.

A Venezuela enfrenta a sua quinta semana de greve geral, com os trabalhadores à espera da renúncia do presidente Hugo Chávez e da convocação das eleições gerais para o primeiro trimestre de 2003. No entanto, Chávez não parece estar disposto a renunciar, gerando o impasse entre ambos os lados, prejudicando a produção do quinto maior produtor de petróleo do mundo.

EUA enviam tropas para o Oriente Médio

Também contribui com a alta do petróleo os rumores de que o governo norte-americano irá invadir o Iraque ainda esse mês. O Pentágono já ordenou o envio de tropas norte-americanas para a região do Golfo Pérsico. Dessa forma, cerca de 35 mil soldados já estão presentes nos arredores do país árabe.

No entanto, muitos investidores temem os efeitos negativos que possam ser provocados na economia mundial, já que o Iraque é o quarto maior produtor de petróleo da OPEP. Além dos efeitos políticos, visto que muitos países como Rússia, França e China não aprovam uma invasão militar no Iraque.