Recessão à vista?

Pessimismo de gestores atinge o maior patamar desde a crise mundial de 2008

Pesquisa elaborada pelo BofA Merril Lynch revela que 50% dos entrevistados esperam que o crescimento global se enfraqueça ao longo dos próximos 12 meses

SÃO PAULO – O pessimismo dos gestores de recursos globais atingiu o maior nível desde a crise financeira que emergiu nos anos de 2007 e 2008. É o que revela uma pesquisa de confiança feita em junho pelo BofA Merril Lynch, que aponta para investidores com excesso de visão “bearish”, analogia do mercado financeiro para pessimistas, em oposição ao chamado “bull market”. O sentimento foi impulsionado por preocupações sobre guerra comercial, recessão e impotência da política monetária.

Há uma expectativa por parte de 50% dos entrevistados de que o crescimento global vai se enfraquecer ao longo dos próximos 12 meses, níveis consistentes com os vistos nas recessões de 2000/2001 e 2008/2009.

O levantamento mostra um crescimento do saldo médio de caixa dos gestores para 5,6%, ante uma média de dez anos de 4,6%. Este foi o maior salto desde a crise do teto da dívida dos Estados Unidos, em 2011.

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Na parte de ações, houve a segunda maior queda de alocação de patrimônio desde agosto de 2011. Uma parcela de 21% dos gestores afirmou ter posição líquida “underweight” (com perspectiva de desempenho abaixo da média do mercado) em ações, a menor alocação desde março de 2009. As expectativas de lucro global também despencaram, com 41% dos investidores esperando deterioração nos próximos 12 meses.

Também houve mudanças relevantes em relação às expectativas para na renda fixa: 32% dos gestores esperam que as taxas de juros de curto prazo caiam nos próximos 12 meses e apenas 10% esperam que as taxas de juros de longo prazo subam. Em novembro de 2018, 89% dos entrevistados esperavam taxas maiores no curto prazo e 63% projetavam retornos mais elevados no longo prazo.

Desde 2011, as principais preocupações dos gestores se concentravam na dívida da zona do euro e seu potencial colapso, no crescimento chinês, em populismo, aperto quantitativo e guerras comerciais.

Agora, o foco recai essencialmente sobre os temores de uma guerra comercial, com 56% dos investidores classificando-a como o principal “risco de cauda” para o mercado.

A pesquisa do BofA foi elaborada entre os dias 7 e 13 de junho com 179 gestores, responsáveis pela administração de recursos no valor de US$ 528 bilhões.

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