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SÃO PAULO – Ao olhar a rentabilidade de seus fundos de investimentos, muitos investidores não se sentem satisfeitos com os números que encontram. Uma pesquisa da Morningstar Inc. mostrou que, de fato, a rentabilidade de muitos fundos fica muito abaixo do esperado, segundo o colunista do site Market Watch, Chuck Jaffe.
No entanto, ainda de acordo com a pesquisa feita por Russel Kinnel, os investidores não precisam se contentar com um retorno pífio. Em seus estudos, o especialista compara a média de retorno dos fundos com o retorno final do investidor médio.
A partir desses cálculos, Kinnel descobriu que durante a década terminada em 2012, o retorno anual dos fundos de ações foi de 7,05%, enquanto o retorno do investidor médio foi de 6,10%. No caso da média internacional dos fundos de investimento, essa disparidade foi ainda maior: enquanto a média geral ficou em 10% ao ano, a do investidor médio ficou em 7%.
Tempo e dinheiro
Independentemente da causa ser medo ou ganância, Jaffe afirma que esse mau desempenho está no comportamento do investidor.
“Fundos de investimento são investimentos de longo prazo e a maneira de conseguir um retorno superior é mantê-lo por esse longo prazo”, apontou Kinnel. “Antes, as pessoas costumavam tomar decisões com base no retorno do fundo nos últimos anos. Agora, parece que eles (investidores) tomam decisões com base no ciclo de notícias que eles acabaram de ouvir. De qualquer maneira, eles estão tomando decisões ruins.”
Segundo o especialista, o erro está em adquirir um fundo depois de ele ter apresentado bons resultados, pois ele só teve esse bom desempenho após a publicação de notícias positivas a respeito dos ativos nos quais ele investe. E caso esse fundo caia, o investidor não terá vivido seu “momento de glória”.
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“O timing macro é ruim para as pessoas, porque elas se enganam ao pensar que podem ser mais espertas que o mercado”, destacou Kinnel. “Elas ouvem uma notícia ou veem números quentes e não percebem que, no salto deste movimento, o que eles estão dizendo é: ‘tem mais notícias boas chegando, mesmo que eu não saiba de nada além do que os outros sabem’.”
Sendo assim, Jaffe concluiu que o bom retorno de um fundo depende muito do investidor, e não do fundo, e que para conseguir o melhor do que o produto pode lhe oferecer, esse investidor precisa ter o timing correto para entrar na aplicação.
Balancear
Para conseguir o melhor retorno que o fundo pode lhe oferecer, o colunista disse que o mais importante é reequilibrar sua carteira através de avaliações constantes. Uma maneira de fazer isso é “podar” os melhores ativos do fundo e “apimentar” os retardatários.
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“Em um exemplo simples: digamos que um investidor está tentando ter um mix de 50-50 em ações e títulos, e uma corrida do mercado faz com que o fundo fique com 45% e as ações com 55%. O balanceamento exigiria mover 5% dos ativos de ações para os títulos, a fim de reestabelecer os 50-50”, afirmou Jaffe.
Esse é um dos únicos momentos em que os investidores compram na baixa e vendem na alta. “Eles vão gravitar em torno dos vencedores. Isso vai dar certo, desde que eles possuam ganhos suficientes para superar os momentos em que eles não foram tão bem, porque o vencedor que você compra hoje não vai subir todo o tempo e em todas as condições”, colocou Donald MacGregor, da empresa MacGregor-Bates.
Para finalizar, Kinnel acrescentou: “eu não acho que você possa pedir para os investidores comprarem fundos bons, pensando que eles vão subir, enquanto os ruins vão cair. O que você pode fazer é reconhecer que se comprar um fundo porque o acha bom, você deve estar disposto a ficar com ele. Ele não construiu esse bom histórico subindo, então você não pode esperar que ele valorize a partir de quando comprá-lo.”